O noivado da minha irmã caçula (editado)


É com muita alegria que escrevo o post de hoje. Alegria porque se trata de um evento especial, que envolve duas pessoas queridas que merecem toda felicidade do mundo. Uma delas é minha irmã caçulinha, a mãe postiça das minhas filhas, quando viajo, a quem tenho muito carinho, admiração e respeito.

Embora eu não tenha tido qualquer envolvimento nos preparativos desta festa, não resisti e pedi autorização à minha irmã Luíza para escrever sobre o noivado dela aqui no blog. É que ficou tudo tão lindo, personalizado, delicado e rico em detalhes que tenho certeza de que vocês irão curtir as fotos. Afinal, nem só de festas infantis a vida é feita, né?

A comemoração ocorreu há exatamente um mês, mas só tive acesso às fotos oficiais neste último final de semana. Foi uma reunião bem íntima, para os pais, irmãos, cunhados e alguns amigos dos noivos, que também serão padrinhos do casamento. Menos de cinquenta convidados, apenas. Foi tudo preparado em tempo recorde, com grana curta mas amor de sobra.

Aos noivinhos, meus votos de muita paciência, maturidade, respeito pelo outro e responsabilidade para encarar as dificuldades da vida a dois, pois assim terão uma vida longa e abundante em felicidade.  Que esse noivado seja breve e que logo, logo, a união seja formalizada, pois quero muitos sobrinhos, viu? E Clarinha e Mariana já estão ensaiando a entrada como daminhas… Não vamos decepcioná-las, meninos!

DSC_5750

Agora que vocês já conhecem a Luíza e o Flaviano, vamos falar sobre a decoração.

A mesa principal foi decorada com uma cortina de voal branco ao fundo,à qual foram alinhavaram várias rosas vermelhas, que pendiam de cabeça para baixo, dando o aspecto bem romântico ao ambiente.

DSC_5697

Ficou mais romântico ainda com os holofotes acesos.

DSC_5888

O jantar foi ambientado no salão de festas do prédio da minha irmã Karla, que, além de cupido responsável pelo início de namoro dos pombinhos, é também casada com irmão do noivo da Luíza. Já pensaram? Duas irmãs casadas com dois irmãos! Coincidência, não é?

DSC_5883

Bem, voltando ao assunto…

O bolo de noivado mais lembrava um de casamento, com as iniciais dos noivos. E os docinhos, embora não fossem banhados, estavam dispostos em lindas forminhas de corações. As pétalas de rosas espalhadas pela mesa quebraram a monocromia do branco da base.

DSC_5674

DSC_5670

Luíza descobriu uma distribuidora de flores em grosso e conseguiu comprar rosas vermelhas por um precinho muito camarada, 60 unidades por vinte reais. Eles não fazem arranjos, vendem as flores para que arrumemos em casa, mas por esse precinho vale a pena. Os dados estão no final do post.

A escolha do tipo de flores estava feita.

DSC_5679

Como a intenção era economizar, a Lu escolheu usar rosas vermelhas, para aproveitar as opções de cores de toalhas de mesa que o salão de festa já possuía.

DSC_5709

No centro de cada mesa, Luíza colocou uns vasos de vidro cilíndricos, que ela comprou no Centro da cidade, com uma rosa vermelha e um cacho generoso de gipsófila (nome popular mosquitinho, véu-de-noiva ou branquinha, cada canto do Brasil chama de um jeito).

DSC_5712

Os guardanapos brancos de papel ganharam um charme especial com o lacinho Chanel feito com fita de cetim e cola quente.

Na entrada do salão, a Luíza colocou um aparador com fotos dos noivos, quando crianças. Como se estivesse a dizer que, desde aquela época, já estivessem predestinados.

DSC_5703

As duas bolas pendentes foram feitas com bolas de isopor e rosas artificiais de tecido, coladas uma a uma. O efeito foi muito bom e pareciam rosas naturais de longe.

DSC_5705

 

Minha irmã aproveitou os aparadores de vidro que já existiam no ambiente para colocar as lembrancinhas que foram distribuídas aos convidados. Na mesinha branca, a TV exibia um clipe com as melhores fotos do casal e as caixas de som reproduziam a trilha sonora que marcou sua vida em comum, previamente selecionada pelo noivo.

DSC_5708

Esta próxima foto à luz de velas dá a ideia de como estava acolhedor o local.

DSC_5878

Vasos de vidro com bolinhas de gel brancas e vermelhas acomodavam velas aromáticas. Gostei do efeito.

DSC_5948

As caixas maiores em formato de coração fora distribuídas às mães dos noivos  e as menores, a todos os demais casais presentes.

Continham dois chaveirinhos, um em formato de noivinha e outro de noivinho. Muito fofos! Flaviano os descobriu no Mercado Livre.

DSC_5687

DSC_5950

Já em casa, tirei a foto seguinte. Achei a lembrancinha interessantíssima, pois cada casal convidado também entrou no clima de romance carregando o chaveirinho de sua cara metade.

Além disso, havia latinhas mint to be com confetis em formato de coração e essas garrafinhas personalizadas com um pequeno pergaminho enrolado que despertaram a curiosidade de todos.

DSC_5692

Ao final do jantar, as garrafinhas foram distribuídas e eu, óbvio, enchi os olhos d´água. É que dentro delas havia um convite para sermos padrinhos de casamento, escrito de uma forma sincera, simples e carinhosa. Nunca vi isso antes e achei  uma maneira muito atenciosa de se anunciar um convite dessa importância.

Fui correndo atrás do fotógrafo para que ele fotografasse minha garrafinha, que foi o detalhe que me chamou mais a atenção dentre tudo o que vi naquela noite.

DSC_6033

Não sei se dá para ler, mas o texto dizia isso:

“É muito bom dividir com vocês um pouco da felicidade que enche nossos corações na realização deste sonho. Vocês significam muito para nós. Por isso, é uma imensa honra convidá-los e será uma imensa alegria tê-los como padrinhos do nosso casamento.

Flaviano e Luíza”

O buffet do jantar foi servido numa mesa em frente à principal. E o cardápio foi composto de camarão ao molho branco, filé ao molho madeira, penne à parisiense, arroz branco, arroz à grega e salada. As sobremesas, além do bolo e dos docinhos, foram mousse de maracujá, creme sonho de valsa e creme de abacaxi.

DSC_5966

DSC_5969 DSC_5968  DSC_5967 DSC_6036

Luíza não poupou nos detalhes. Nem o lavabo escapou.

DSC_5717

Esse casal de sapinhos noivos foi presente do Flaviano pra Luíza, no dia em que ela foi aprovada num dos concursos que tinha feito. Ela estava esperando somente isso para que marcassem a data tão sonhada. E ele deu o “sinal” de que queria a mesma coisa, quando lhe deu este mimo. Esse meu cunhado já me conquistou com este gesto!

Vivinho, seja bem-vindo à família, cuide bem da minha maninha, ela tem esse jeito malcriado, mas no fundo é só doçura. Nunca a vi tão apaixonada antes e por isso, você já tem todo meu respeito. Domar o coração dessa menina não é pra qualquer  um, viu?

Sejam felizes e que Deus proteja esta união!

DSC_6029

 

Eu não falei que foi um evento íntimo, sem muita alegoria, mas mesmo assim caprichado e cheio de carinho nos pequenos detalhes? Além do que vocês puderam constatar nas fotos, a trilha sonora e os discursos dos noivos foram realmente tocantes! É que a história deles tinha sido testemunhada por todos que ali estavam e todos nós torcíamos muito por um final feliz. Foi difícil resistir à emoção.

___

Créditos:

J.a Flores do Campo
Tel: (82) 3375-9433

R José da Silveira Camerino, s/n
Pinheiro – Maceió – AL – CEP: 57057-250

Todas as peças em MDF, cortinas, vasos e holofotes que aparecem neste post foram alugadas a uma amiga da Luíza, a Alana Vieira, cujo perfil do FB é:

http://www.facebook.com/#!/profile.php?id=100002701607000

 

Um cheiro e boa semana a todos,

Claudinha

 

ATUALIZAÇÃO

Gostaria de fazer alguns esclarecimentos.

Este post foi escrito por mim, sem qualquer interferência de minha irmã, baseado apenas nas informações que obtive durante a festa. Deveria ter submetido o texto antes de sua publicação, para avaliação e conferência, mas não o fiz, infelizmente. Por isso, assumo toda e qualquer responsabilidade pelo que foi aqui publicado.

A intenção de publicar este post, além de fazer a minha homenagem pessoal aos noivos, era divulgar o trabalho da Alana, amiga da Luíza, dona das peças decorativas que aparecem na maioria das fotos.

Como costuma acontecer quando se escreve sobre algo do qual não se tomou parte, cometi alguns deslizes que passo a corrigir.

Eu sabia que Alana tinha arrumado grande parte da decoração, mas não sabia se este serviço era oferecido por ela a todos os clientes. Imaginei que se tratasse de uma concessão feita a uma amiga próxima. Pensei que seu trabalho se restringisse a alugar as peças, que seriam entregues, para que os clientes as montassem no local, a seu gosto e critério. Engano meu.

Para evitar constrangimentos futuros de clientes que pudessem vir a solicitar o mesmo tratamento, não mencionei o referido serviço, por puro desconhecimento de que era um serviço padrão.

Então, para que fique claro, a Alana foi a decoradora do evento mostrado. Peço desculpas por qualquer inconveniente causado pela falta de clareza anterior.

Em nenhum momento tive a intenção de omitir créditos a quem de direito e muito menos de direcioná-los a quem não os possuísse. Logo eu que não gosto dessas coisas!

Dito isso, posso dormir mais tranquila.

Boa noite,

Claudinha

 

 

    Postado por Feito a Mão em noivado | Comentários (41)

    Molho aos quatro queijos, para minha Maria Clara


    Parece que foi ontem que eu voltei da maternidade com um pacotinho no colo, de olhos pidões e cheirinho embriagante.

    Nunca antes tinha visto uma coisinha tão indefesa e altamente cativante. Nenhum outro bebê, nem mesmo os de revista, me pareciam mais belos e perfeitos.

    Talvez fossem os hormônios, que a natureza sabiamente altera para que possamos amar incondicionalmente esses seres e reconhecê-los em meio a uma multidão. Talvez fosse minha natureza fêmea, satisfeita de ter cumprido seu papel reprodutor. Talvez fosse simplesmente orgulho de ter sido instrumento divino e, de certa forma, co-autora na criação de outra vida. Mas o fato é que aquele foi o dia mais feliz da minha vida, até então.

    Naquela época, por vários motivos, só coloquei babá ao final da minha licença maternidade. Quando me via comentar sobre a trabalheira de cuidar de um bebê recém-nascido sozinha, minha mãe geralmente me consolava dizendo que o pior estava por vir e que esse trabalho braçal, por incrível que parecesse, era o que havia de mais fácil na tarefa de educar uma criança. Mainha sempre teve esse jeito casca grossa de me fazer superar as adversidades da vida e não tenho dúvidas de que meu perfeccionismo se deve a isso.

    Ela estava certíssima. Aliás, como costuma acontecer quase sempre.

    Dez anos se passaram e hoje parece que escuto a vozinha da minha mãe dizendo: – Tá vendo? Era a isso a que eu me referia.

    Algumas de vocês que acompanham o blog desde o início, ou que o leram desde o comecinho, escreveram-me perguntando sobre os preparativos da festinha da Clarinha. Pois é, se vocês estão estranhando e sentindo falta disso, imaginem ela! Mas este ano ela não fez por merecer.

    Eu acredito que bater não é o melhor meio de se educar um filho. Cada cabeça, uma sentença, é verdade, mas eu herdei o jeitão casca grossa da minha mãe. Não sou de passar a mão e não relevo uma conduta errada, até que tenha total certeza do arrependimento e da promessa de mudança. Mesmo assim, não se muda o passado, é preciso mostrar que todas as nossas ações têm consequências.

    Sou intensa em todas as minhas atitudes de mãe, inclusive na hora da punição. Mesmo que isso me deixe com o coração partido. Sim, porque por trás de toda mãe leoa há uma menininha interna que morre de vontade de se juntar àqueloutra que está fazendo birra e lhe dizer: – Eu também já passei por isso, o remédio é amargo, mas é para o seu bem. Você vai ver.

    E embora a festa, do jeito que vocês estão acostumados, não vai pintar por aqui – não neste ano, não em março – a semana que passou foi recheada de pequenas comemorações, só para lembrar que continuamos amando-a muito, principalmente nessas horas. É importante que ela entenda que o castigo foi imposto em razão de uma conduta específica e não para simplesmente puni-la. E que a data de 02 de março sempre será um marco em nossas vidas.

    Ontem à tarde, fizemos uma sessão fotográfica familiar e, à noite, visitamos o observatório para ver Marte, Júpiter e a Lua e jantamos em seu restaurante favorito. Foi uma forma interessante de passar o aniversário da minha pequena cientista!

    A semana de pequenas celebrações começou com o almoço de domingo, quando fiz seu prato preferido, penne ao molho quatro queijos, e prossegue ainda hoje, quando ela passará a tarde em companhia dos avôs paternos.

    Bem, vamos deixar de conversa. Esta receita vai especialmente para a aniversariante de ontem, a minha filha amada, que sabe ser doce e gentil como ninguém, quando quer, mas certamente vai servir para muitas outras pessoas igualmente apaixonadas por massas e molhos de queijos.

    Molho aos quatro queijos

    Penne aos quatro queijos

    Usei uma massa importada que tinha vindo numa cesta que ganhamos no natal.

    Para o molho, usei:

    1 lata de creme de leite, com soro e tudo

    3 partes iguais de queijo gruyère, parmesão e fundido

    1/3 parte de queijo gorgonzola

    O importante é usar medidas aproximadas. Não precisa ser muito exato, mas cuidado pra não abusar no gorgonzola. Use menos da metade da medida que usou para os outros queijos. Seu sabor é mais enjoativo.

    Não tem mistério. Cozinhe o penne, em água e sal e, enquanto isso, rale os queijos no processador, ou ralador.

    Em outra panela, leve ao fogo o creme de leite e os queijos e mexa até derreterem. Jogue por cima da massa escorrida e polvilhe queijo parmesão por cima. Fica divino se você usar o maçarico pra finalizar.

    Desta vez, o molho ficou mais encorpado, pois usei mais queijo que o de costume. Se preferir um molho mais líquido, diminua as medidas de queijo ou acrescente leite. Vá provando aos pouquinhos e ajuste o sal se precisar, mas como os queijos já são salgados, duvido que precise.

    Um excelente final de semana a todos!

    Claudinha

    ___

    Este post deveria ter sido publicado ontem, mas a correria não deixou.

      Postado por Feito a Mão em culinária,papo de mãe | Comentários (38)

      E o romance? Vai bem, obrigada.


      Outro dia, conversávamos alguns amigos sobre como as pequenas coisas do cotidiano vão minando o romantismo de um relacionamento. Éramos quatro casais, todos casados há pelo menos cinco anos, todos com filhos, ou enteados, dois deles num segundo casamento.

      O tema surgiu despretensioso, irrigado por algumas doses de uísque, após descobrirmos que uma das nossas interlocutoras recebia um buquê do marido, a cada dia 11 de todo mês, há mais de cinco anos, em comemoração à data de sua união.

      Boquiabertas e, por que não dizer, com uma pontinha de inveja, provocávamos nossos consortes para que eles imitassem a conduta do colega Guilherme, e foi então que Cris, sua esposa, atiçou gasolina na fogueira: – E ele ainda hoje me abre a porta do carro!

      Foi a gota d’água. As gargalhadas corriam frouxas como quem duvidasse de tal proeza. E foi então que eu senti que tinha que defender a honra do meu marido, a quem, para os meus critérios, pelo menos até então, julgava bastante romântico. E assim levantei a hipótese seguinte.

      Romantismo 0 x 1 Segurança

      Em minha opinião, uma das ferramentas que contribuiu para que o romantismo fosse, em parte, eliminado nos casamentos modernos foi a invenção da chave de carro com alarme embutido.

      Ela, sim, é a grande vilã no fato de Mário não me abrir mais a porta nos dias de hoje, como fazia antigamente. Ela e o fato de Maceió ter sido considerada a capital mais violenta do país e a terceira do mundo, é claro!

      Quem vai marcar bobeira ao sair de um restaurante, às onze da noite, numa rua mal iluminada e, pior ainda, com duas crianças? Nada disso. Não seria prudente. Dá-lhe cá um clique e, num passe de mágica, todas as portas se abrem instantaneamente, acomodando todos os passageiros ao mesmo tempo. É pá-pum! Entra, trava porta, coloca cinto de segurança, confere se as crianças colocaram seus cintos e pisa no acelerador, porque assalto em movimento só o do trem pagador.

      Todos pareciam concordar comigo que, no quesito romantismo versus segurança, não sobrava muito espaço para o cavalheirismo.

      Romantismo 0 x 1 Rotina

      Foi então que Carlos me acudiu com sua teoria. Sim, porque nessas horas, todo mundo vira psicólogo:

      - E tem mais! Eu não envio flores em toda data comemorativa para a Leu, pois percebi que o ato já não estava obtendo o mesmo resultado de antes. Abstenho-me em prol da surpresa, para que quando ela receba um buquê seja de fato algo especial.

      O impacto de sua colocação causou um frisson generalizado no grupo. Todos, exceto Guilherme e Cris, por razões óbvias, pareciam concordar.

      Imediatamente lembrei-me de algo que li, tempos atrás, sobre o que os especialistas costumam chamar de acomodação hedônica. Trata-se de um fenômeno capaz de nos fazer deixar de achar graça até em coisas boas, com o passar do tempo. Por isso podemos ficar habituados a dirigir um carro de luxo ou a comer caviar diariamente no jantar, por exemplo, sem sentir aquela sensação de êxtase de quem o faz pela primeira vez.

      Realmente o grupo estava chegando à conclusão de que o romantismo não poderia ser banalizado. No conflito do romance com a rotina, parece que a segunda também levava vantagem. Mas quem consegue ser criativo o tempo todo, após 10, 12, 15 anos de casamento?

      - Não é justo! – Gritamos as mulheres. – Deve haver uma maneira de manter acesa a chama romântica sem cair em clichês. Prova disso somos nós, bem casados, apesar do passar dos anos… Ou não?

      E seguimos na árdua tarefa de dissecar as pequenas atitudes do dia a dia capazes de acentuar ou diminuir o romantismo do casal.

      Romantismo 0 x 1 Economia doméstica

      Embora motivada a defender o romantismo, tive de agir como advogada do diabo, pois me lembrei do motivo que me levou a pedir que Mário parasse de me enviar flores. Aliás, me lembrei, não. Fui lembrada pelo próprio, que a essa altura já interferia no papo com as bochechas rosadas pela timidez.

      É que depois de apreciar o buquê durante a primeira meia hora e sentir aquela sensação gostosa que toda mulher sabe bem reconhecer, restavam-me sete dias, quando muito, para testemunhar seu declínio progressivo até se transformar num monte de galhos secos que iriam ao lixo, sem dó nem piedade.

      É duro acompanhar ao vivo a putrefação de 80 ou 100 reais, no centro de sua mesa de jantar. Devo dizer que talvez eu seja uma mulher atípica quando assumo que prefiro a utilidade à beleza.

      Que esse dinheiro fosse empregado numa coisa mais útil e durável foi o pedido que fiz ao meu digníssimo esposo, que obedientemente me atendeu.

      Pronto, será que eu joguei a derradeira pá de cal sobre o romantismo do meu casamento? Só porque o eximi da obrigação de me enviar flores em datas especiais?

      Vamos concordar que ser romântico custa caro! Jantares à luz de velas, flores, noitadas em pousadas, viagens de lua de mel não são prazeres para qualquer um, ou pelo menos não são prazeres para todos os dias do ano.

      Concordávamos todos que é difícil manter o glamour do romantismo quando se tem contas vincendas das quais não se pode abrir mão.

      Contrariados, admitíamos que, no duelo do romantismo com a economia doméstica, manter as contas em dias era a atitude mais romântica possível num casamento.

      Romantismo 0 x 1 Filhos

      Foi a vez da Fabrízia, que tinha ouvido a tudo quase calada, se manifestar. Ela, cujo marido passa grande parte da semana no interior do Estado, em razão de sua profissão, está acostumada a encarar sozinha a maioria das tarefas relativas à maternidade.

      - Difícil é sobrar energia para romantismo ao final de um longo dia de trabalho, supervisão de tarefas escolares, feira, dentista, médico, etc. etc. etc. Isso quando os filhos não dão sinal de vida no meio da noite, interferindo nas atividades do casal.

      Ri calada, lembrando-me das muitas noites em que fui deitar cheia de más intenções, com lingerie nova, quarto à meia luz, musiquinha ambiente e fomos interrompidos pelo barulho da babá eletrônica. Não dá pra controlar certas coisas!

      E vocês hão de concordar comigo quanto à prioridade que elegemos quando os papéis de mãe zelosa e esposa apaixonada entram em concorrência, ou não?

      Calma, que nem tudo está perdido…

      Quanto mais conversávamos, mais fácil foi reconhecer que o romantismo é um combatente frágil, tende a sucumbir em confronto com qualquer outro rival. Não se mantém de pé sozinho. Precisa de estímulo, incentivo, cuidado, alimento.

      E tem mais: o que um casal considera romântico necessariamente não serve para outras duplas. Cada um tem seu código próprio, sua linguagem particular específica para essas horas. O problema está nas expectativas que criamos, que quando muito altas tendem a gerar grandes frustrações. Ficar comparando só atrapalha.

      Coloquemos, então, mais romance nos nossos relacionamentos. Ninguém disse que é fácil, mas o resultado pode ser maravilhoso!

      Um cheiro e uma ótima semana a todos!

      Claudinha

       

       

       

      ___

      Querem algumas dicas de como apimentar o relacionamento sem gastar horrores?

      Que tal um jantarzinho romântico em casa?

      jantar_para_dois 033Aqui

      Ou aqui

      Ou um cartão original para uma data especial?

      Aqui 

      Ou, quem sabe, um fotolivro com os melhores momentos do casal?

      Parte 1

      Parte 2

        Postado por Feito a Mão em conversa fiada | Comentários (50)

        Cadê o hobby que estava aqui? O gato comeu! – Confissões de uma blogueira estressadinha


        descabelada

        Sabe quando você telefona para alguém e, ao ouvir o alô do outro lado, você simplesmente esquece o motivo da ligação? Ou quando está conversando com um colega de trabalho e percebe que esqueceu o nome dele? Ou ainda quando está digitando um expediente e fica em dúvida quanto à grafia de uma palavra que você deve usar pelo menos umas dez vezes por dia? Ou, pior, quando pede que lhe passem “aquele negócio que serve para escrever”, referindo-se a uma caneta? Se isso não for sintoma de estresse, eu não sei o que seria.

        Pois eu estava bem assim. Minha mãe diria  que eu já nasci estressadinha, a diferença é que aprendi a utilizar diversos instrumentos como válvulas de escape. Raras foram as vezes em que deixei o estresse tomar conta de mim desse jeito.

        Cozinho para relaxar, como diria minha querida Kris Nardini,  bordo para colocar as ideias em ordem, faço scrap para aquietar o pensamento. Enfim, ocupo a mente para não deixar a ansiedade me consumir. Aprendi a fazer mil coisas ao mesmo tempo, e a sinergia dessa estratégia vinha funcionando perfeitamente bem. Eu disse vinha.

        Não vem ao caso, agora, explorar os motivos do meu estresse, mas as suas consequências. Pois é, vocês perceberam que andei sumida do blog, não? Claro que perceberam! Ninguém aguentava mais a cara desse bolo de queijo aí em baixo, falem a verdade. Mas não foi só do blog que andei afastada. Não vinha sentido vontade de cozinhar, costurar, bordar, pintar ou de fazer nada relacionado a artesanato. 

        No começo, achei até interessante esse intervalo. Pensei que descansar a mente me faria bem. Afinal, ninguém poderia viver o tempo todo naquele ritmo. Não seria saudável. Não em se tratando de alguém perfeccionista como eu.

        Com o passar das semanas, comecei a estranhar que a inspiração não voltasse. Afinal, sempre foi assim. Eu sempre fiz muitas coisas manuais e nunca fiquei muito tempo longe dessas atividades.

        Sem ter o que mostrar, parei de postar. Minha vida online foi reduzida a um fio: o do telefone! Aliás, metaforicamente falando, é claro, pois celular não tem fio. Meus únicos acessos resumiram-se a verificar a caixa de e-mails e atualizar o facebook de vez em quando. E olhe lá!

        Posso dizer que foi uma experiência interessante.

        Quando estamos no olho do furacão, não conseguimos visualizar as coisas com nitidez. É preciso nos afastarmos, pra vermos o todo e compreendermos a lógica do conjunto, tal qual fazemos quando apreciamos uma pintura impressionista.

        Longe da net, consegui compreender porque meus hobbies não funcionavam mais como a válvula de escape de antes. Por que minha ansiedade não estava mais encontrando vazão e por que meu estresse estava tão alto.

        Na minha obsessão de querer postar em dias programados, de responder todos os recados e tentar retribuir todas as visitas, gerei mais um compromisso para mim. O que antes era lazer e divertimento acabou virou obrigação.

        O blog nasceu com a finalidade de compartilhar as artes que eu fazia. Em um determinado momento, passei a fazer artes para compartilhá-las no blog. Passei em me preocupar mais com o resultado que com a finalidade. A engrenagem começou a rodar ao contrário.

        A ficha demorou, mas caiu.

        Ah, e tem sempre o problema da exposição excessiva. Ainda estou aprendendo a lidar com isso. Queria descobrir um estilo menos devassado e, ainda assim, intimista de escrever, afinal, o caminho do meio é sempre o mais sensato.

        Enfim, gostaria de agradecer os diversos recados carinhosos que recebi, esclarecendo que o motivo de meu afastamento não teve nada a ver com doença ou nenhuma desgraça. Graças a Deus! Foi algo mais simples do que se pode imaginar: estresse, cansaço  e um grande bloqueio gerado por tudo isso junto.

        O blog cresceu muito e isso tem me deixado um pouco travada. Se eu tivesse pretensão de divulgar um serviço profissional, tudo bem. Mas não é o caso. O blog é só o que eu disse no começo: um hobby. Ou ao menos era isso que deveria ser.

         

        ___

        *Desculpem-me pelo desabafo, sou humana e cheia de defeitos. Nem sempre vocês encontrarão por aqui apenas coisas divertidas e criativas.

        ELETROCARDIO

        Se nosso humor não tivesse altos e baixos, a linha de nossa vida seria muito chata.  Não é à toa que a palavra “chata” também é usada para designar superfícies sem relevo.

         

        É bom estar de volta!

        Um cheiro grande,

        Claudinha

         

        PS: Imagens retiradas do Google.

          Postado por Feito a Mão em conversa fiada | Comentários (108)

          Bolo de creme de leite e queijo


          Hoje eu vou falar de um bolinho simples para comer acompanhado de um café fresquinho. Mas tão gostoso, tão fofinho e tão macio que vocês não vão querer saber de outra receita.  O impressionante é que ele fica ainda mais gostoso com o passar dos dias. Duvidam?

          Bolo de creme de leite com queijo

          A história deste bolo vem rolando desde o  final de outubro, quando fui visitar os gêmeos da Dani e do Lucas, meu colega de trabalho. Foi a primeira vez que o provei. Tratei de pedir a receita e de sonhar com ele todos os dias, sem exagero nenhum!

          Alguns dias depois, recebi a receita por e-mail, mas faltava um ingrediente e a quantidade de açúcar estava trocada. Imaginei que a Dani houvesse engolido uma linha e liguei pra confirmar. Tinha sido isso mesmo. Sabe como é, mãe de gêmeos recém-nascidos não tem muito tempo livre pra passar e-mails com calma. 

          Consertado o equívoco, pus-me a bater o bolo. Só que, a essas alturas, a credibilidade da Dani comigo estava abalada. Eu, confiada não sei em quê, comecei a questionar a receita, com quem dissesse:  “- Quem esquece uma linha, pode muito bem ter esquecido de dizer para bater as claras em separado, certo? Ou para acrescentar os secos depois e bater primeiro o açúcar com a manteiga.”

          Resultado: abandonei o modo de fazer da receita da Dani, que se resumia a: “misture a farinha + açúcar + maisena + fermento + queijo ralado + acrescente os ovos e a manteiga e bata bem … depois junte o creme de leite e bata mais um pouco e leve ao forno pré-aquecido por +ou – 30 min” e comecei a bater o bolo do meu jeito.

          Por mais que eu queira concluir esta história dizendo que o resultado foi maravilhoso, que me empanturrei de tanto comer bolo e que vivemos felizes para sempre, o final não foi bem esse, vocês hão de concluir por que.

          Bem, imaginem um bolo ruim. Imaginaram? Acho que não. O bolo que eu tirei do forno parecia ter sido batido pelo próprio diabo. Horrível! Esborrou, ficou oleoso, esponjoso, cheio de furinhos, uma catástrofe! Fruto da minha arrogância. Bem feito pra mim!

          Mas eu sou insistente, vocês já sabem…

          E sendo assim, testei mais uma vez, e mais outra, e mais outra, e mais outra… num total de oito bolos, até descobrir todas as manhas e segredinhos dessa receita maravilhosa. (Sete ia parecer conta de mentiroso, né? A prova é que as fotos a seguir foram batidas em dias diferentes.)

          A cada nova experiência, ia anotando os ingredientes, as alterações feitas, as marcas dos ingredientes usados, o tempo de forno, tamanho da forma, etc. Parecia uma cientista com a missão de descobrir uma vacina para a cura do câncer, de tão fissurada que estava.

          Não sei vocês, mas eu tenho cá comigo uma teoria. As coisas mais simples numa cozinha são aquelas que escondem mais segredos, concordam? Sabe cuscuz, café coado, ovo frito com gema mole, arroz soltinho, nhoque de batata? Pois bem… Tudo fácil e simples, mas cheio de segredos. Vá fazer sem conhecê-los e o resultado será catastrófico.

          Liguei pra Dani e perguntei as marcas de todos os ingredientes que ela costumava usar. Foi aí que descobri que o pulo do gato nesta receita é a marca do queijo ralado. Bingo!

          Acompanhem a receita e as observações abaixo. Mas antes disso, eu  preciso dizer para abandonarem todos os conhecimentos “bolísticos” que vocês carregam consigo.

          Esqueçam aquela história de bater claras em separado, de acrescentar o fermento no final, para não perder a força, de seguir a ordem: açúcar, manteiga, gema, farinha, leite, fermento, claras. Esse bolo é todo diferente, muito prático e, espantosamente, dá certo! Vão por mim! Palavra de quem errou 7 vezes, para poder acreditar. Ou, melhor dizendo, de quem estava desvendando todas as formas ineficientes até descobrir um meio infalível pra compartilhar com vocês… Se tivesse acertado na primeira vez, teria sido pura sorte de principiante e talvez nem tivesse escrito este post.

          Bolo de creme de leite e queijo

           

          Ingredientes

          250g  manteiga em temperatura ambiente (testei várias marcas, o melhor bolo foi feito com a manteiga Camponesa – A receita original da Dani levava apenas 200g, mas para deixar meu bolo parecido com o dela, tive de acrescentar 50g de manteiga)

          4 ovos (depende do tamanho dos seus ovos, se forem pequenos, use 5, como eu fiz)

          1 lata de creme de leite Nestlé com soro e tudo (eu só consegui deixar a textura do meu bolo igual ao da Dani  usando 1 1/2 de creme de leite de caixinha – ficou macio e aveludado)

          2 1/2 xícaras de farinha de trigo (sem fermento e peneirada)

          1/2 xícara de maisena

          3 xícaras de açúcar (só serve o açúcar branco refinado. O segredo é não encher a xícara até a borda – deixar faltando um dedo, ou o bolo ficará muito doce e enjoativo. Os três primeiros bolos ficaram assim.)

          50g de queijo ralado (Atenção: só serve a marca Kopa – qualquer outra marca que eu testei deixou o bolo oleoso e amarelado – esse é o pulo do gato, segundo a Dani)

          2 colheres (sopa) de fermento (teste a validade antes)

          Detalhe importante: eu fiz os quatro primeiros bolos usando as xícaras medidoras padrão. Meus bolos ficavam mais enxutos. Gostosos, mas diferentes do da Dani. Eu sou perfeccionista e não me contento com bom. Tinha de ficar divino, como o bolo que eu havia provado.

          Ao conversar com ela, perguntei sobre o tamanho de suas xícaras medidoras. Ela usava uma xícara de louça comum, com capacidade de 200ml. Parece uma besteira, mas influi muito no resultando, deixando o bolo mais molhadinho e macio. Passei a usar xícaras semelhantes como medida e voilá!

          Modo de fazer:
          Peneire todos os ingredientes secos.

          Misture a farinha, o açúcar, a maisena, o fermento, o queijo ralado e acrescente os ovos (peneirados para retirar a pele da gema) com a manteiga. Bata bem. Prove para sentir se ainda tem gosto de ovo.

          Bolo de creme de leite com queijo

          Bolo de creme de leite com queijo

          Quando achar que não, acrescente o creme de leite e bata mais um pouco.

          Bolo de creme de leite com queijo

          Bolo de creme de leite com queijo

          Despeje numa forma grande e redonda, com furo no meio, untada e enfarinhada. A forma deve ser grande, pois a receita rende muito.

          Bolo de creme de leite com queijo

          Leve ao forno (temperatura média 210ºC a 230ºC) pré-aquecido por 30 a 40 min. Faça o teste do palito. Ponha a grade na metade inferior do seu forno.

          Desenforme somente quando o bolo estiver frio.

           Bolo de creme de leite com queijo

          Pronto, segredos revelados, façam e voltem aqui para contar o resultado. Tenho certeza de que vão adorar!

          Bolo de creme de leite com queijo

          Quem aceita um pedacinho?

          Bolo de creme de leite com queijo

          Bom apetite!

          * Dani, querida, obrigada pela paciência e desculpe por importuná-la tanto. Essa receitinha vale ouro! Beijos no JV e no PH.

          * Detalhe – esse bolo é uma bomba de lactose. Para consumi-lo, gastei muitos e muitos lactaids… mas valeu  a pena. Ah, se valeu!

          Um cheiro grande,

          Claudinha

            Postado por Feito a Mão em culinária | Comentários (87)