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Dois dias na terra de Mozart e da noviça rebelde – Os fascinantes sons e silêncios de Salzburgo


Às margens do Rio Salzach, até o vento reverencia a tradição musical de Salzburgo.

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Não é pra menos. A cidade natal de Mozart respira música. Seus festivais de verão são mundialmente famosos. Mesmo fora dessa estação, é possível topar com espetáculos gratuitos de música clássica a céu aberto, como aconteceu conosco.

DSC08293 Estátua de Mozart na Praça central

Salzburgo também foi o berço do famoso maestro Heribert Ritter von Karajan, mais conhecido por Herbert von Karajan, que passou 35 anos de sua vida à frente da Orquestra Filarmônica de Berlim.

DSC08192 Estátua nos jardins da Casa do maestro Hebert von Karajan

A sensação é indescritível: a música invade nossos ouvidos e nos transporta a um tempo de beleza, erudição e suavidade.  Dá vontade de esquecer o mundo lá fora, fechar os olhos e meditar, de tão leve que fica nossa alma.

DSC09855 Casa de Mozart

Assim foi Salzburgo para mim. Uma experiência leve, suave, harmoniosa, inesquecivelmente sinestésica.

DSC08285  Concerto no salão do Palácio Mirabell

O centro histórico de Salzburgo foi tombado pelo Patrimônio Mundial da UNESCO desde 1996. Suas ruas são tão encantadoras e charmosas que se perder por elas é o que há de melhor para se fazer.

DSC09688Ruas do Centro histórico de Salzburgo

Até o logotipo de empresas conhecidas no mundo moderno ganha ares rebuscado e antigo, graças às rigorosas regras de conservação do estilo arquitetônico.

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O nome Salzburg significa “castelo de sal” e provém das minas da região, existentes há mais de 450 anos. Ainda hoje é possível visitar algumas delas, em excursões turísticas que levam cerca de 4h.DSC09773

Excursões locais há várias. Cada uma com um objetivo peculiar: musical, histórico, panorâmico, etc. Uma delas vai ter o seu estilo.

DSC09796Catedral de Salzburgo

Aliás, não estranhe se sentir um discreto déjà vu,  ao apreciar as paisagens pitorescas da região. É bem provável que você de fato já as tenha visto antes, provavelmente até mais de uma vez. É que Salzburgo foi a locação do filme “The Sound of Music”, que foi exibido no Brasil com o título “A noviça Rebelde”,  sobre a saga da família Von Trapp, composta por cantores austríacos, pouco antes da segunda guerra mundial.

FAMILIA VON TRAPPFamília Von Trapp

O filme foi inspirado no livro de mesmo nome escrito pela matriarca da família, Maria von Trapp, interpretada por Julie Andrews.

A noviça Rebelde
Chegamos a Salzburgo pouco antes do meio dia, vindos de Munique de trem. Da estação central, tomamos uns ônibus e nos dirigimos ao hotel reservado.

Desconfiamos que algum evento importante estaria acontecendo na cidade, pois a maioria dos hotéis pesquisados estava lotada. Conseguimos vaga no Amedia Hotel Salzburgo, um hotel simpático, mas um pouco afastado do centro da cidade, o que não chegou a ser necessariamente um problema, já que Salzburgo não é uma cidade grande e conta com um ótimo sistema público de transporte. Eu recomendaria este hotel a quem fosse à cidade, o atendimento foi muito bom, as instalações são modernas e os quartos, amplos.

Algumas semanas antes de nossa viagem, um funcionário nos escreveu um e-mail, perguntando se levaríamos cachorros. Estranhamos a pergunta e ficamos receosos de que houvéssemos escolhido uma espelunca qualquer. Mas assim que fizemos nosso check-in, descobrimos o motivo. A cidade estava abrigando uma competição europeia de cachorros de raça. Tinha cachorro de todo tipo, em todo lugar: nos ônibus, nas ruas, nos restaurantes, nos hotéis, nos museus, nos palácios… em todo canto! E eles eram o centro das atenções! Cientes de sua imagem, posavam para fotos em pedestais improvisados, parecendo saber que todos os olhares estavam voltados para si.

DSC09714 Um dos vários cachorros de raça que encontramos pela cidade

Curioso é destacar que apesar dos numerosos visitantes caninos, a limpeza da cidade continuou impecável.

Depois de fazer o chek-in e tomar um banho, almoçamos no restaurante Spaghetti & Co, no centro da cidade. Gostamos tanto, que voltamos na noite seguinte para jantar lá de novo.

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Reservamos 2 noites em Salzburgo. Na primeira tarde, passeamos pelo centro da cidade. Tiramos muitas fotos e fizemos o reconhecimento do ambiente.

DSC08193 Vista da Fortaleza, a partir da ponte

Passeando pelos Jardins do Palácio Mirabell, vimos um cartaz anunciando um concerto que começaria em poucas horas. Não tivemos dúvidas e compramos nossos ingressos, foi nosso debut musical. Depois desse, assistimos mais três outros concertos, nas cidades seguintes. Mas sobre eles falarei depois.

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O Palácio Mirabell é lindo, e seus jardins são muito fotogênicos. Suas instalações também aparecem no filme A Noviça Rebelde   e é numa pracinha em frente a ele que se compram os ingressos para o tour. Asseguramos o nosso para a manhã do dia seguinte.

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A tarde transcorreu sem pressa nem compromissos outros, depois de explorar a região, tomamos um café e fizemos algumas comprinhas de souvenirs, aproveitando para diminuir um pouco o ritmo.

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No dia seguinte, fizemos o tour “The Sound of Music”, que começou às 9h e terminou às 14h. O tour percorre os lugares que foram usados como cenário do filme.

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Mesmo tendo visto o filme há mais de vinte anos e não sabendo as músicas de cor, consegui reconhecer algumas paisagens e me diverti muito no passeio. Meu conselho é que quem pretenda visitar essa região, reveja o filme antes de embarcar, vai poder se familiarizar ainda mais com o local, além de já ir entrando no clima da viagem.DSC09828

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Almoçamos num restaurante turístico de Mondseelandes, um vilarejo vizinho, e ficamos com a tarde livre.  DSC08518

No período da tarde, eu e Mário resolvemos subir a Fortaleza de Salzburgo (Festung Hohensalzburg), enquanto Kayrene e Beto preferiram fazer compras no centro da cidade, já que todas as lojas fechavam às 18h e no dia seguinte partiríamos à Viena.  O comércio local é relamente muito charmosinho.

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De cima da Fortaleza, fizemos muitas fotos lindas e, na minha opinião, esse foi o ponto alto da nossa estadia. Eu gosto de ter uma noção panorâmica de todo lugar que visito e sempre estou em busca de um ponto mais elevado para poder “sorver” melhor a geografia local.  DSC09871

Talvez seja defeito do lado feminino do meu cérebro: minha noção aeroespacial não é muito boa, mas o fato é que do alto eu consigo registrar a cidade de um modo panorâmico e mantê-la conservada em minha memória por muito mais tempo.  DSC09878A Fortaleza de Hohensalzburg funciona como um mirante da belíssima Salzburgo. É um dos maiores castelos medievais da Europa e hoje em dia é utilizado essencialmente para os turistas tirarem fotografias. Pode-se chegar a pé ou utilizando um funicular e desfrutar da vista sobre a cidade, das curvas do rio Salzach ou apreciar o topo dos Alpes.

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Em seu interior, encontram-se dois museus: o da Fortaleza e o das Marionetes.

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Nossa surpresa deu-se no átrio do Castelo. Lá estava acontecendo uma das etapas do concurso de cachorros. Aquele do qual nos tinham falado as recepcionistas do hotel.

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O engraçado foi que, enquanto nós registrávamos esse concurso, Kayrene e Beto, que não tinham subido à Fortaleza, fotografavam um desfile regional de roupas típicas, que estava acontecendo nas ruas do Centro. Olha que interessante!

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Na descida do castelo, nos reencontramos e jantamos, os quatro, novamente no Spaghetti&Co. Como eu disse, gostamos bastante da comida de lá, os preços eram  justos e as porções, bastante generosas. Foi nessa ocasião que provamos pela primeira vez um “wiener schnitzel” – escalope de porco à moda vienense. Eu não sou adepta de carne de porco, mas tenho de reconhecer que estava delicioso! Macio e suculento por dentro, crocante e sequinho por fora.

Aproveitamos as últimas lojinhas de chocolate abertas para levar lembrancinhas pras filhotas. A essas alturas, a saudade já estava apertando no peito.

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É curioso ressaltar que aquele conhecido licor Mozart é fabricado na cidade de Salzburgo. Em muitas lojinhas de souvenirs é possível comprar miniaturas da garrafinha por um preço camarada (entre 1 e 3 euros), para presentear amigos e familiares.

licor Mozart

Foram apenas dois dias, mas muito bem aproveitados. Acho que foi o suficiente para nos causar uma excelente impressão da cidade e nos deixar com um discreto gostinho de quero mais.

Na manhã seguinte, partimos de trem rumo à Viena.

Despeço-me, desejando-lhes todas as minhas coisas favoritas (My favourite things), minha canção predileta do filme A Noviça Rebelde. Musiquinha mágica, capaz de animar e elevar o astral, quando a tristeza estiver rondando.  Uma letra tão simples quanto pura, com gostinho de infância e que de agora em diante sempre me fará lembrar Salzburgo.

 

Um cheiro enorme e um excelente feriadão!

Claudinha

    posted by Feito a Mão in Roteiro feito a pé,Salzburgo,viagens and have Comentários (12)

    O Castelo que não saiu dos Contos de Fadas e alguns micos de viagem…


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    Eu sei que o assunto favorito de 9 entre 10 visitantes deste blog é festas, mas hoje não vou falar sobre isso. Deu vontade de prosseguir com os relatos da viagem que fiz em maio, antes que a memória comece a falhar.

    Desde que comecei a fazer esse tipo de relato, passei a valorizar ainda mais os blogueiros de viagem. Como é complicado escrever posts dessa natureza! Dá trabalho pesquisar todas as informações, deixar os links respectivos, selecionar fotos, etecetera e tal

    Talvez por isso eu quase nunca termino de escrever sobre os países e cidades das viagens que faço. Começo com todo o gás e acabo deixando a tarefa de lado, acometida por uma “preguiça” que só acentua com o passar do tempo e o esfriamento das lembranças e sensações do retorno. Pra piorar, estes são os posts que menos despertam o interesse e a interação de vocês.

    Mas como este blog não tem nenhuma meta a alcançar, a não ser satisfação pessoal, resolvi escrever sobre o que estou com vontade, simples assim. Isso me soa muito mais natural e espontâneo.

    Além do mais, eu adoro ler sobre relatos de viagens escritos por pessoas comuns,  que muitas vezes abordam aspectos pouco explorados pela propaganda turística convencional. Sei que muitos de vocês também curtem isso. Então… Acho que vou deixar a preguiça de lado e tentar esgotar o restante do roteiro desta que foi uma das mais maravilhosas viagens que fiz em todos os tempos. Mas vou resumir cada cidade ao máximo, para não deixar cansativo, prometo.

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    Toda viagem tem seus micos. Na hora, a gente não percebe, pode até dar raiva da coisa não ter saído do jeito que planejamos, mas depois que tudo passa, são os micos que se tornam inesquecíveis. São eles que nos provocam boas gargalhadas, daquelas de fazer doer a barriga. E são eles que serão lembrados na mesa de um bar, toda vez que o assunto vier à tona. Quem não tem boas histórias pra contar de algum vexame de viagem? Eu tenho as minhas. Querem ouvir?

    Quando elaboramos nosso roteiro em Munique, percebemos que o dia 17 de maio seria feriado. Como quase tudo estaria fechado na cidade, elegemos este dia para fazer o passeio a Neuschwanstein, a construção que inspirou Walt Disney a criar o Castelo da Cinderela.

    Imprimi o excelente guia publicado no Viaje na Viagem, Passo a passo: como ir de Munique ao castelo de Neuschwanstein. Seguimos piamente as dicas ali indicadas e conseguimos chegar a Füssen, cidade onde fica o castelo, não sem antes pagar alguns micos!

    Mico nº 1

    Havíamos comprado a passagem no dia anterior. Chegamos à estação de trem quase 40 minutos antes da hora prevista para embarque. Procuramos o balcão de informações e lá nos entregaram um folheto com o horário das saídas e chegadas. Localizamos o nosso número e nos dirigimos à plataforma indicada.  Tudo com muita antecedência, pra não haver problemas. Será?

    Estranhamos que não havia ninguém mais, além de nós quatro, na plataforma que o folheto indicava. Coisa estranha pra um povo tido como muito pontual. Na hora exata marcada para embarque, ouvimos um anúncio, em alemão, do qual só conseguimos entender a palavra ‘FÜSSEN’. Imediatamente percebemos que nosso trem estava partindo de outra plataforma. O folheto que a atendente do balcão de informações havia nos dado estava desatualizado.

    Segundo os cartazes da estação, a plataforma correta ficava do outro lado. Corremos bastante, mas não conseguimos chegar a tempo. Perdemos o primeiro trem. Eram 9h. O próximo sairia às 10h, mas era um trem com conexão, por isso a viagem seria um pouco mais longa. Chegaríamos em Füssen em cima da hora marcada para a visita ao primeiro castelo.

    É que, como alertava o Viaje na Viagem: “São duas horas de trem até Füssen, mais dez minutos de ônibus até a bilheteria em Hohenschwangau, mais algo entre 20 e 40 minutos para subir até o castelo (dependendo do meio de transporte escolhido — e da fila para subir no meio de transporte escolhido). Além disso, deve-se levar em conta o fato de que as visitas têm hora marcada e cada grupo tem vagas limitadas. Ou seja: se você não comprar com antecedência pela internet, pode encontrar ingressos só para duas ou três horas. E se comprar antecipadamente e não chegar a tempo, perde a vez e o dinheiro do ingresso.”

    Havíamos comprado os tickets para visitar Hohenschwangau e Neuschwanstein, com duas horas de intervalo entre um e outro. Pelo que estávamos calculando, não teríamos tempo para almoçar. Imaginávamos que os castelos seriam próximos um do outro. Ledo engano!

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    Tomamos o trem das 10h e chegamos a Füssen ainda a tempo para a primeira visita. Tomamos o ônibus na estação, como ensinava o guia. Tudo certinho! Conseguimos chegar à bilheteria sem problemas. Mas aí veio o mico seguinte.

    Mico nº 2

    Cadê os vouchers? Kayrene havia se responsabilizado por essa parte. Ela os comprou pela internet com bastante antecedência, mas havia deixado os comprovantes no hotel. Como ainda estávamos calmos, tivemos a ideia de acessar a internet pelo iPhone  e recuperamos o código das reservas que havia sido enviado por e-mail. (Usamos o plano de nossa operadora brasileira, pois os chips de telefonia vendidos por lá não tinham validade em toda união europeia, não achamos que compassasse comprar um chip para cada país que visitássemos).

    A fila dos ingressos comprados pela internet era infinitamente menor que a outra. Informamos o números dos vouchers e conseguimos nossos ingressos.

    Decidimos tomar uma charrete até o castelo, para poupar as pernas e apreciar a vista, o que nos leva ao mico 3.

    Mico nº 3

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    Nossa primeira visita seria ao  Castelo de Hohenschwangau. Mas a charrete que tomamos estava se dirigindo ao Castelo de Neuschwanstein. Kayrene percebeu o equívoco quando fizemos a primeira curva e o castelo de Hohenschwangau apareceu no horizonte. Ela estava com o folheto aberto numa página com a foto do castelo. E desatou a rir. Havíamos tomado a charrete na hora errada. Pedimos que cocheiro parasse e descemos. Fizemos o trajeto de volta a pé, por sorte, era só descida.

    Ainda conseguimos tirar uma foto para registrar o momento. Pelo preço que essa foto nos custou (6 euros por pessoa), eu não poderia deixar de colocá-la neste post!

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    Chegamos ao primeiro castelo esfomeados, esbaforidos, mas elegantemente na hora. Devoramos todos os pacotes de biscoitos que tínhamos conosco pelo caminho. Eram quase 14h. Nosso grupo não demorou para ser chamado eletronicamente.

    A visita foi fantástica, a vista do castelo é algo fenomenal.  Mas ele não era nosso principal objetivo. Era, digamos assim, o aperitivo para o prato principal, que seria o Castelo de Neuschwanstein.

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    O Schloss Hohenschwangau (literalmente: Castelo do Grande Condado do Cisne) foi a residência de infância do Rei Luís II da Baviera, tendo sido construído pelo seu pai, o Rei Maximiliano II da Baviera. Fica localizado na aldeia alemã de Schwangau, próximo da cidade de Füssen, parte do distrito de Ostallgäu, no sudoeste da Baviera, muito próximo da fronteira com a Áustria.” (Wikipedia)

     

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    O rei era um grande admirador de Wagner. No castelo há um quarto onde o compositor costumava se hospedar e um piano que ele usava para entreter a família real. No interior do castelo não são permitidas fotografias. A visita é guiada, monitorada todo o tempo. Portas abrem-se e fecham-se para que os grupos não se misturem. Tudo é feito cronometradamente. Em menos de 45 minutos estávamos saindo. Com mais fome e mais cansados ainda.

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    A descida do castelo é abençoada por uma vista espetacular. Esquecidos do relógio e confiantes que daria tempo de sobra para visitar o segundo castelo, seguíamos fascinados como moscas atraídas pelo mel, tirando fotos e mais fotos dos mais diferentes ângulos.

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    Estava quase na hora da nossa visita ao segundo castelo – o nosso prato principal, lembram?

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    Insatisfeito com o castelo original e movido por uma megalomania desmedida, o Rei Ludwig II mandou construir outro castelo maior, numa colina ainda mais alta e quase quebrou o reino para concretizar o feito.  Deu-lhe o nome de Neuschwanstein em uma referência ao "cavaleiro do Cisne", Lohengrin, da ópera com o mesmo nome, de seu amigo e protegido, compositor Richard Wagner.

    Apesar de não ser permitido fotografar o seu interior, é um dos edifícios mais fotografados da Alemanha e um dos mais populares destinos turísticos europeus, além de também ser considerado o "cartão postal" daquele país.” (Wikipedia)

     800px-Neuschwanstein_castle Vista aérea do Castelo de Neuschwanstein – Foto Wikipedia

    Em nosso trajeto, não passamos impunes ao apelo do aroma das salsichas que assavam num dos muitos barzinhos da região. Estávamos famintos, lembram? E sedentos também.

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    A fila das salsichas foi bem mais demorada que o previsto. Até então, ainda achávamos que teríamos tempo de sobra. Engolimos a comida quase inteira e nos pusemos a caminhar até o ponto do ônibus que  nos levaria até  Neuschwanstein.

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    Havia uma fila enorme, organizada por correntes, de modo que a ordem de chegada fosse obrigatoriamente obedecida. O primeiro ônibus demorou quase 30 minutos para chegar. A essa altura já começávamos a considerar que não chegaríamos a tempo, mas a esperança é a última que morre e prosseguimos nosso trajeto. Tomamos o segundo ônibus, pois o primeiro lotou antes que tivéssemos qualquer chance de nos aproximar dele. Foi então que tivemos a certeza de que chegaríamos atrasados.

    Descemos do ônibus, corremos até a entrada do Castelo. Juro, não imaginávamos que fosse tão distante. Chegamos com 20 minutos de atraso! Nosso grupo já havia entrado e estavam chamando dois ou três grupos depois do nosso.  Tão longe, tão perto! Por míseros 20 minutinhos…

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    Morri de raiva por alguns minutos, bufei, mordi os lábios, me segurei com todas as forças e respirei fundo… Mas depois, pensando bem,  quem conseguiria visitar um castelo daquele tamanho com a fome que estávamos? 

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    A gente nem estava querendo mesmo visitar esse Castelo… Só conseguia pensar (e agir) como criança contrariada, com bico e tudo. Demorou um pouquinho para ensaiar umas belas risadas pela nossa cara de decepção ao passar nossos tickets e perceber que fomos barrados na catraca. Quando a frustração passou, foi hilário!   

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    Não são permitidas fotos no interior do castelo e por fora ele estava sendo restaurado, além de ser muito difícil enquadrá-lo numa fotografia, devido à sua localização. O jeito foi nos conformarmos com a pitoresca paisagem ao nosso redor. Quanta beleza! Quanta cor! Que cheiro bom!

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    Voltamos os quatro, cabisbaixos, descendo uma trilha pela floresta, tão íngreme e escorregadia que eu estava vendo a hora de terminarmos o dia com um belo tombo para coroar o mico dos micos. Decididamente, o universo não queria que visitássemos aquele castelo.

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    Tomamos o ônibus de volta à cidade no fim da tarde e, como havia tempo até a saída do nosso trem, começamos a procurar um café para tomarmos um lanche, desta vez mastigando corretamente, como manda o figurino.

    A cidade era encantadora. Beto parou para fotografar uma paisagem pelo caminho, aliás, ele foi eleito o fotógrafo oficial da viagem. Além de bom olho, sua máquina era muito boa. Acabei comprando uma parecida, depois que a minha pifou. Por falar nela, cadê a máquina? Procura daqui, busca dali, até a conclusão fatal: havia ficado no ônibus!!!!

    Sebo nas canelas pra chegarmos à estação, antes do ônibus partir. Foi por um triz! Ela estava no mesmo lugar em que ele havia deixado. Se fosse aqui no Brasil, fico me perguntando se teríamos a mesma sorte.

    Nossa adrenalina foi às alturas. Depois dessa, desistimos de nos afastar da estação novamente. Perder o trem de volta era só o que estava faltando! Compramos uns daqueles sanduíches frios na lojinha de conveniência e comemos ali mesmo, enquanto esperávamos pelo trem, sentadinhos no chão da estação, como típicos turistas que éramos.

    Para nós, o Castelo de Neuschwanstein continuou sendo um belo conto de fadas! Mas poderia ter sido muito pior, se pior fosse. Afinal, apesar dos pesares, nos divertimos muito.

    Certas coisas acontecem de um jeito estranho. Com isso, aprendi duas importantes lições: fazer backups diários de nossas fotos e vigiar o relógio com mais cuidado. Sabe aquela chata que estraga a diversão, dizendo que tá na hora de pegar a estrada? Eu a incorporei… Foi o jeito. Alguém tinha de fazer esse papel. Não cochilei nem nas longas travessias de trem de uma cidade a outra. Sabe como é, gato escaldado tem medo de água fria.

    E vocês, têm algum mico de viagem pra contar?

    Um cheiro grande e até a próxima,

    Cláudia

    Obs: Algumas fotos deste post foram tiradas por mim, outras pelo Beto. A essa altura do campeonato, depois de todas as fotos descarregadas na mesma pasta do computador, fica difícil dizer qual é de quem. Ambas as nossas máquinas são da marca Sony e nomeiam os arquivos de modo semelhante.

      posted by Feito a Mão in Munique,viagens and have Comentários (20)

      Munique, um roteiro feito a pé – Palácio Nymphenburg e Deutsche Museum


      Numa viagem de férias, tudo o que desejamos é que São Pedro nos presenteie com um céu de brigadeiro constante e temperaturas amenas, mas não se pode evitar que a natureza siga seu rumo. Uma chuvinha uma vez ou outra é inevitável.

      Antes de chegar em cada cidade, definíamos mais ou menos o que faríamos em cada dia, mas deixávamos a ordem desses roteiros flexível, para podermos alternar programas ao ar livre com programações internas, caso chovesse. Já que não dá pra controlar o tempo, ao menos podemos tentar nos adaptar a ele.

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      Posso dizer que demos muita sorte neste quesito. Só choveu nos dias em que tínhamos programado passeios internos.

      Palácio Nymphenburg

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      O Palácio Nymphenburg (em alemão Schloss Nymphenburg) é um palácio de estilo barroco, cuja construção iniciou 1663, para celebrar o tão esperado nascimento do herdeiro do trono bávaro, Max Emanuel, filho de Ferdinand Maria e Henriette Adelaide de Savoy, após quase dez anos de casamento.

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      Servia de residência de verão da realeza, como se houvesse muita variação de temperatura em relação ao centro de Munique! Hoje em dia, para chegar ao local, leva-se certa de 20 minutos, de TRAM. Naquela época, essa região era de difícil acesso, rodeada pelo campo aberto.

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      O Palácio Nymphenburg, juntamente com o seu parque, é um dos mais famosos lugares de Munique.

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      A Galeria de Pedra, com afrescos no teto pintados por Johann Baptist Zimmermann e F. Zimmermann, e decorações de François de Cuvilliés.

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      Algumas salas ainda exibem a sua decoração barroca original, enquanto outras foram mais tarde redesenhadas em estilo rococó ou neoclássico.

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      Os estábulos da Corte contêm um dos mais importantes museus de carruagens antigas. Tudo banhado em ouro. O luxo chega a ser constrangedor.

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      O primeiro andar abriga uma coleção de porcelana de Nymphenburg, cuja fábrica, localizada no complexo do palácio, foi fundada por Maximiliano III José.

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      Os ingressos do palácio são vendidos com desconto para quem possui o CityTourCard.

      Para o Palácio Nymphenburg, apenas

      6 euros regular
      5 euros, com desconto

      Ticket combinado "Nymphenburg"
      Nymphenburg Palace /Park palaces /Marstallmuseum:

      1 Abril -15 Outubro:
      11,50 euros regular
      9 euros, com desconto

      16 Outubro-Março
      (sem edifícios do parque):
      8.50 euros regular
      6.50 euros, com desconto

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      Schloss Nymphenburg,
      Eingang 19
      80638 München
      Telefon (0 89) 1 79 08-0
      Fax (0 89) 1 79 08-6 27
      E-Mail sgvnymphenburg@bsv.bayern.de
      externer Link / external link www.schloss-nymphenburg.de

      Horário de funcionamento: 

      Diariamente.

      Abril-15 Outubro: das 09h às 18h

      16 Outubro-Março: das 10h às 16h

       

      Fecha nos feriados de:

      1º/1, Terça-feira Gorda, 24/12., 25/12., 31/12.

       

      Quando saímos do palácio já havia passado um pouco da hora do almoço. Nossa visita demorou mais que o previsto, então, resolvemos apressar o passo, comer algo rapidamente na Estação Karlplatz, que por sinal é muito bem estruturada, e seguir o passeio em direção ao Deutsche Museum, por causa de seu horário de funcionamento.

      Deutsche Museum

      A única exigência de Mário, tão logo decidimos incluir Munique em nosso roteiro, foi a de visitar o Deutsche Museum. Ele não fez qualquer outra imposição no restante viagem, de modo que eu não poderia rejeitar esse seu pedido. Até porque eu mesma estava bastante curiosa a respeito.

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      São mais de 50 mil metros quadrados dedicados a abrigar exposições sobre ciência, energia, matéria de produção, transportes, comunicação, instrumentos musicais, novas tecnologias e mundo da criança, além das exposições temporárias.

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      Meu marido é, por assim dizer, um apaixonado por máquinas. O que lhe faltou em paixão por futebol, sobrou nesse aspecto. Carros e aviões, então, são seus favoritos! Vê-lo no pátio do Deutsche Museum foi como ver uma criança diante de um parque da Disney. Seus olhos brilhavam. Ele sabia dizer de cor o modelo de cada avião, onde tinha sido usado, quais cidades tinha bombardeado, os que já haviam pousado no Brasil etc, etc, etc.

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      Não vou mentir que para mim eles tivessem grande diferença, mas ver Mário explanar com tanta paixão sobre algo, fez a minha tarde valer a pena. Para os que compartilham desse mesmo interesse, o passeio é imperdível.

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      Tiramos muitas fotos. Muitas mesmo. Quando julguei que já era o suficiente, aproveitei para descansar os pés sentada numa poltrona, enquanto Mário, insaciável,  filmava o ambiente no celular, para mostrar às meninas. Só saímos quando o anúncio de encerramento foi divulgado nos autofalantes.  Desconfio que Mário não faria a menor questão se o esquecessem trancado lá dentro.

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      Foi um dia bem proveitoso. Nem nos abalamos com a chuva fina que ainda caía quando saímos. Passamos um bom pedaço na lojinha do museu, esperando que estiasse. Mário coleciona réplicas de automóveis e algumas aeronaves. Imaginem a bagaceira! Além dos preços em euro, a viagem estava só começando, teríamos que carregar as caixas pelo resto do percurso. Além disso, trouxemos umas geringonças de presente para as meninas, principalmente para a Clarinha, que é apaixonada por Ciências. O local é fantástico!

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      Deutsche Museum

      Museumsinsel 1 80538

      Munique Alemanha

      Telefon +49 (0) 89 / 2179-1

      Fax +49 (0) 89 / 2179-324

      Linha automática de informações: +49 (0) 89 / 2179-433

      externer Link / external link http://www.deutsches-museum.de/

      Horário de funcionamento:

      Diariamente das 09h às 17h.

      Venda antecipada de bilhetes das 9h-16h.

      (Reino Kid encerra 16h30min, última admissão 16h)

      Como chegar:

      Todos os S-Bahn linhas de trem para a estação Isartor; linhas de metro U1 e U2 para Fraunhofer Strasse; ônibus nº 132 direção Boschbrücke; bonde nº 16 para Deutsches Museum; TRAM nº 18 sentido Isartor;

      Jantar no LaBaracca

      Passamos no hotel para deixar as sacolas e saímos novamente. Estávamos famintos. Resolvemos compensar o almoço meia-boca feito às pressas com um jantar de verdade.

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      Suzana, uma colega de trabalho de Mário, que tem parentes na região, havia nos falado muito bem de um restaurante italiano chamado LaBaracca, cujos preços, garantiu, eram bem justos e os pratos, muito saborosos.

      O restaurante tem um ambiente acolhedor, bem descontraído, e um sistema de pedido, no mínimo, inusitado. Em cada mesa estão dispostos tablets, por meio dos quais é possível consultar o menu no idioma que desejar, visualizar a composição de cada prato, com fotos, e fazer os pedidos, como quem faz uma compra online. Imediatamente, a cozinha recebe o comando e começa a providenciá-lo. O garçom só aparece na hora de servir o prato.

      La Baracca1

      À medida em que os pedidos vão sendo feitos, é possível acompanhar o valor da conta subindo, medida que evita surpresas desagradáveis. O legal desse sistema é que cada casal sabe exatamente o que consumiu, e a fatura é paga em separado.

      A apresentação dos pratos é despretensiosa. Carnes em cima de tábuas de madeira, sobre um pedaço de papel toalha, espaguete servido em caçarola, batatas servidas em mini panelinhas. As porções são pequenas, mas o preço compensa, mesmo para quem resolve pedir mais de um prato, como meu marido.

      Gostei de tudo, principalmente das batatinhas com alecrim, que tentei reproduzir assim que cheguei em casa.

      A sobremesa foi o ápice da noite. Pedimos um combinado e dividimos para dois. Era uma espécie de menu degustação. Havia um brownie de chocolate, com chantilly, uma panna cotta de morango, um tiramisù e um café expresso pequeno. Estava deliciosa e achei o tamanho das porções bem generoso para um menu degustação.

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      As fotos do restaurante não ficaram  grande coisa, minha máquina apresentou problemas. Mas os pratos estavam divinos! Foi uma das melhores refeições que fizemos em toda viagem.

      LaBaracca München

      Maximiliansplatz 9

      80333 München

      089 – 416 178 52

      Horário de funcionamento:

      Diariamente das 11h30min à 01h

      http://www.labaracca.eu/

       

      Estou demorando mais que o planejado para escrever sobre os roteiros,  é que ando muito ocupada com o trabalho ultimamente, este é um daqueles anos complicados. Vou tentar me apressar, antes que a memória falhe. Como diz um amigo, a mais vagabunda das tintas ainda é mais confiável que a mais brilhante das mentes.

      Quer ver como foram os dias anteriores a este?

      Munique, um roteiro feito a pé, parte 1

      Um bom final de semana a todos!

      Claudinha

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        Munique, um roteiro feito a pé – Parte 1


         

        DSC09396 Vista da Cidade a partir da Igreja de São Pedro

        A Baviera, estado mais importante na engrenagem econômica da Alemanha, é não apenas o mais famoso produtor, mas também o recordista mundial em consumo de cerveja, próximo a 300 litros anuais, por habitante, segundo dados oficiais.

        Sua capital, Munique, é a sede da tradicional Oktoberfest, a maior celebração mundial em torno da bebida, e está localizada às margens no Rio Isar, ao norte dos Alpes da Baviera, sendo a terceira maior cidade da Alemanha, depois de Berlim e Hamburgo.

        Como eu havia dito, eu e Mário traçamos nosso roteiro particular, que ao se chocar com o de Kayrene e Beto, sofreu algumas modificações. A princípio, pensávamos em conhecer: Viena (Áustria), Bratislava (Eslováquia), Budapeste (Hungria) Cracóvia e Varsóvia (Polônia), Praga e Český Krumlov (República Checa). Tivemos de deixar a Polônia e a Eslováquia para uma próxima vez.

        Em compensação, incluímos Munique (Alemanha) e Salzburgo (Áustria), para nossa alegria. 

        DSC07554Neuhauser Straße, com o Karlstor ao fundo*

        Depois de um longo voo, partindo de Recife,  com escala em Lisboa, chegamos a Munique no fim da tarde do dia 14 de maio.

        Do aeroporto ao centro da Cidade

        Do aeroporto de Munique, há várias possibilidades de transporte para se chegar ao centro da cidade. A primeira, e mais óbvia, é o táxi. Dizem que chegar ao hotel de táxi, depois de uma longa e cansativa viagem de avião, é o mínimo de luxo e conforto a que um turista deve se submeter. Porém, não foi a nossa escolha. Não chegamos tão cansados quanto prevíamos e estávamos loucos para começar a nos aventurar por conta própria. Segundo dados do Viaje na viagem, um táxi do aeroporto até o centro de Munique custa, em média, € 60,00.

        A segunda opção de transfer seria reservar o serviço de shuttle, por um valor inferior a 30 reais por pessoa, com destino à estação de ônibus central, o que ainda nos renderia uma caminhada de aproximadamente onze minutos até o nosso hotel. As reservas, para quem estiver interessado, podem ser feitas neste link. Mas também não foi a nossa escolha. Já que de qualquer forma teríamos de caminhar até o hotel, resolvemos tomar o S-Bahn S1 ou o S8, que nos deixaria no mesmo lugar, por um precinho bem inferior.

        DSC09421 Teatro Nacional

        Os S-Bahn partem regularmente em intervalos de 20 minutos. O trajeto entre o aeroporto e o centro da cidade dura, aproximadamente, 40min com o S8 e 50min com o S1. A passagem pode ser comprada nas máquinas automáticas espalhadas pelo aeroporto.

        Compramos um PartnerTageskarte (Gesamtnetz), que custou €19,60 para até cinco pessoas, válido até as 6 horas da manhã seguinte. No começo não entendemos muito bem como a coisa funcionava, mas logo nos adaptamos à ideia de que o ticket funciona para um grupo de até 5 pessoas, que devem viajar juntas todo o tempo, caso um fiscal apareça. Sai bem mais em conta que comprar uma passagem individual. Mais informações, aqui.

        O S-Bahn nos deixou na estação central (Muenchen HBF), de onde fomos caminhando até o hotel que reservamos.

        Abro um parêntese para fazer uma pequena observação. Cuidado com a bagagem! Se pretende realizar uma viagem desse tipo, quanto menos volumes, melhor. Se puder adquirir uma mala com giroscópio 360º, ótimo, não vai lhe exigir muito esforço e ao longo do dia você sentirá menos cansaço.

        Eu e Mário levamos apenas  2 malas médias, que despachamos, e duas mochilas pequenas, como bagagem de mão (tá, a dele não era tão pequena assim). No total, tínhamos menos de 40 kg juntos, para uma viagem de 20 dias, com variações de temperaturas entre 1º a 25ºC. Foi o mais concisa que consegui ser.

        Onde nos hospedamos

        Não vou mentir, escolhemos o hotel de Munique pelo preço e localização. O eleito foi o City Aparthotel  München. Realmente, quanto à localização, não há o que se dizer. Fomos a pé para quase todo lugar, fica a poucos minutos de caminhada do Karlstor, que era portão da entrada oeste da antiga cidade, bem no centrão mesmo. Havia ótimas lojas por perto, padarias, lanchonetes, restaurantes e uma estação de metrô.

        Os quartos eram bons, o banheiro, um pouco apertado, mas nada mau. O restaurante do hotel estava em reforma, de modo que tomamos o café-da-manhã numa padaria próxima ou numa cafeteria da estação central. Até aí, nenhum problema, pois acabamos economizando.

        O grande ponto negativo deste hotel foi a higiene! Os banheiros não foram lavados enquanto estivemos lá. Sei disso porque meus cabelos estão caindo muito e todos os fios permaneceram exatamente onde caíram. As toalhas de banho não foram trocadas no primeiro dia, tive de colocá-las no chão para que as trocassem nos dias seguintes. E a única intervenção que fizeram na arrumação do quarto foi forrar a cama. Enfim, a limpeza deixou muito a desejar.

        Locomovendo-se em Munique

        Locomover-se por Munique é muito fácil, seguro e confortável. A rede de transporte público é organizada, moderna e abundante.

        Compramos um CityTourCard, do tipo PartnerKarte (Inner district = white zone), com duração de três dias. Mas existe a opção de um dia apenas. A área branca (que no mapa abaixo é vermelho claro), que aparece nos mapas disponíveis em cada estação, é a área central da cidade. Para regiões mais afastadas, há um passe mais caro. Maiores informações, aqui.

        info grafic munich tarif zones

        Este passe dá direito a até cinco pessoas andarem em todos os tipos de transportes coletivos da cidade (U-Bahn, S-Bahn, tram e ônibus), e ainda possibilita desconto no ingresso de algumas atrações. Consulte a lista dos parceiros, aqui.

        O passe de um dia custa €16,90, e o de três,  €29,90. Em toda estação de metrô, há máquinas automáticas onde o passe pode ser adquirido.

        Roteiro de 3 dias em Munique

        Ficamos 4 noites em Munique, de modo que passamos 3 dias inteiros na cidade. Na verdade, 2 dias inteiros na cidade e um terceiro em Füssen, para onde nos dirigimos a fim de visitar o Castelo de Neuschwanstein, aquele que inspirou Walt Disney a criar o Castelo da Cinderela, ícone de seus parques. Sobre esse passeio falarei em outro post.

        Primeira noite

        No dia em que chegamos, descarregamos as malas no hotel, tomamos um banho e saímos para comer alguma coisa mais substanciosa, já que estávamos há mais de 24h sob o regime de comidinhas de avião.

        Minha primeira impressão da cidade foi excelente. Munique é uma cidade limpa, charmosa, acolhedora, de povo educado e muito gentil, ao contrário do que se imagina do povo alemão. Aliás, só reforçou minha excelente impressão da Alemanha, que já tinha sido boa nas visitas que fiz a Berlim e Frankfurt, ano passado.

        DSC07530 Neuhauser Straße, com o Karlstor ao fundo*

        A sensação térmica estava agradável, apesar dos termômetros estarem marcando 2ºC , em plena primavera.

        Saímos passeando pelo centro da cidade, onde todas as lojas já haviam fechado desde as 18h, até pararmos para jantar numa das mais tradicionais biergartens (cervejarias) da cidade, a Augustiner Großgaststätte,  em funcionamento desde 1328. (Neushauser Straße, 27, 80331 München).

        -2

        Lá tomamos uma sopa de aspargos deliciosa como entrada, a melhor de toda a viagem. Aliás, aquela região é muito abundante em aspargos e quase todos os pratos podem ser acompanhados desse legume. No dia seguinte, encontramos para vender até um vinho feito com aspargos, no Mercado Central.

        Augustiner 

        Para o prato principal, eu e Kayrene pedimos um filé de porco com molho de cogumelos e Mário e Beto pediram, cada um, um prato diferente  com salsichas alemães, acompanhadas de chucrute e salada de batata. Estava tudo muito gostoso, mas sinceramente eu estava morta de fome e teria comido um javali cru, se me tivessem servido isso. O ambiente é muito agradável e a cerveja, essa sim, estava deliciosa! Não era de esperar menos da cidade sede da Oktoberfest, era?

         DSC09318

        A cerveja de lá tem menos álcool do que as que estamos acostumados por aqui e são tão leves e saborosas que até mesmo eu, que nem sou bebedora frequente, fiz todas as minhas refeições regadas a, pelo menos, meio litro de cerveja. São tantas espécies e sabores que não dá pra provar todas numa só viagem. Falando assim, fica fácil imaginar porque eles são os recordistas no consumo desta bebida.

        Depois do jantar, retornamos ao hotel, para descansar e nos adaptarmos ao fuso horário, cinco horas de diferença fazem um pequeno estrago em nosso relógio biológico. 

        Segundo dia

        Decididamente, eu sou um ser estranho. Mesmo com o cansaço e com a diferença de horário, pulei da cama às 6h30min. Basta ter luz de sol que eu acordo. Se um dia eu visitar a Noruega no verão, quando o sol quase não se põe, acho que ficaria sem dormir o dia todo.

        A seleção do que iríamos visitar e por onde iríamos passear foi elaborada com base na leitura de diversos sites, guias e blogs de viagem. Mas o principal deles, certamente, foi o Alemanha, por que não? Foram de lá o  Guia Munique e arredores e o Roteiro de 3 dias em Munique, os quais indico a quem for por aquelas bandas. Os guias fornecem ótimas dicas e preciosas informações, dadas por uma brasileira que mora na região.

        Transformei os 3 dias propostos em dois, pois saí excluindo os passeios que não nos interessavam: o Parque Olímpico, o Complexo BMW, a Olympiaturm (Torre de TV da cidade)  e o Englischer Garten (Jardim Inglês), por exemplo. Escolhemos o nosso terceiro dia para fazer o passeio ao Castelo dos Contos de Fadas, pois seria feriado: 17 de maio – Christi Himmelfahrt (Ascensão de Cristo) -  e a cidade, como um todo, estaria fechada.

        No primeiro dia de passeio, exploramos bastante o centro da cidade a pé.


        Exibir mapa ampliado

         

        DSC07624 Neues Rathaus

        Na Marienplatz, onde pulsa o coração da cidade, o prédio mais imponente é o da Neues Rathaus (Prefeitura Nova) Construído entre 1867 e 1908 em estilo neogótico, com uma área total de 9159 m², chama a atenção dos turistas por seu Glockenspiel, um relógio-carrilhão com figuras animadas, que oferece um espetáculo que aglomera uma pequena multidão ávida por fotografar ou filmar esse momento.

        DSC07726 Glockenspiel

        Seguindo o trajeto mostrado no mapa acima, passamos pelos principais pontos turísticos da cidade, tiramos muitas fotos, entramos em algumas igrejas, visitamos a prefeitura antiga e a nova e fizemos uma parada estratégica no mercado central, onde almoçamos.

        DSC07780Entrada do mercado*

        Gosto de conhecer os mercados das cidades que visitamos. Nada como uma feira livre para falar sobre a modo de vida de uma comunidade. E o Viktualienmarket de Munique é tão aconchegante, limpo, organizado e diversificado que virou ponto turístico da cidade.

         DSC09401

        DSC07777 Feirante*

        Mercado central Frutas e legumes (as três primeiras fotos são do Beto)*

        Aqui aconteceu uma coisa engraçada, antes de encontramos uma mesa para comer, observei que as pessoas que estavam tomando cerveja colocavam a bolacha de chopp em cima das canecas e não embaixo, para preservar a madeira da mesa, como seria esperado. Somente quando fiz o meu pedido entendi o porquê. Bastou a primeira lufada de vento para que as árvores do parque enchessem nossa mesa com essas florzinhas, cujo nome eu desconheço.

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        Pedimos salsichas com salada de batata e cerveja para acompanhar, é claro! E começamos a fazer piada: vai querer a cerveja com florzinha ou sem florzinha? Com florzinha é mais caro…

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        Depois do passeio, seguimos o nosso tour. Munique é uma cidade linda, pena que não é muito fotogênica. Seus prédios principais são muito altos (igrejas, prefeitura) e suas ruas, muito estreitas. É impossível tirar uma boa foto, ao nível do chão, sem criar aquele efeito indesejado como se a torre estivesse caindo para trás, mesmo usando uma grande angular.

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        Resolvemos subir a torre da igreja de São Pedro (Alte Peter), para obter as imagens que víamos nos guias turísticos da cidade. É exatamente este o ponto de vista de onde se costuma fotografar a Neues Rathaus (Nova Prefeitura) e a Frauenkirche (nome usual da Catedral de Nossa Senhora Bendita), famosa catedral localizada na parte antiga da cidade, cujas cúpulas viraram símbolo da cidade. 

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        DSC09393 cópia

        Após o almoço, passeamos pela Maximilianstraße, a “Champs-Élysées” de Munique, com filiais da Dolce & Gabanna, Versace, Loius Vuitton, Dior, Chanel, Escada, Hugo Boss, Gucci, Gianfranco Ferré, Bulgari, e muitas outras.

        Também visitamos o Residenz, antiga moradia dos reis e duques da Baviera, considerado o museu de interiores mais expressivo  da Europa.

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        Este palácio, construído em um período de quatro séculos, é o ponto turístico mais visitado em Munique. No mesmo complexo de edifícios, encontramos quatro estilos arquitetônicos diferentes: renascentista, barroco, rococó e classicismo. Ele foi bastante danificado na Segunda Guerra Mundial e sua restauração dura até os dias de hoje.

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        Para finalizar a noite, escolhemos jantar noutra conhecida biergarten, a Hofbräuhaus, fundada em 1589 pelo Duque da Baviera, Wilhelm V, incialmente para atender à realeza, é um dos mais antigos salões de cerveja de Munique.

          DSC07890 HB, à noitinha*

        Dizem que Mozart viveu por volta do quarteirão dessa famosa cervejaria no final do século XVIII. Em um poema, Mozart afirmou que escreveu a ópera Idomeneo, inspirado após várias visitas à Hofbräuhaus.

        DSC07876Interior da HB*

        Não sei se depois de umas e outras alguém conseguiria escrever alguma coisa que preste, principalmente uma ópera, mas Mozart não é qualquer um e o ambiente é de fato muito inspirador, além de bastante animado. Em vários momentos da noite, a bandinha tocou uma determinada música, que era a deixa para todos os presentes levantarem suas canecas, brindarem e tomarem um generoso gole de cerveja. Imaginem a algazarra!

        Foi assim que brindamos, com caneca de ouro, nossa segunda noite em Munique.

        Para não ficar demasiado longo, relatarei em outro post o nosso terceiro dia, quando visitamos o Palácio Nymphenburg, que serviu de residência de verão aos governantes da Baviera,  e o Deutsche Museum (museu da tecnologia, com uma coleção formada por algumas das maiores descobertas científicas dos últimos séculos).

        Até mais,

        Claudinha

        ___

        * As fotos assinaladas foram tiradas pelo Beto. As demais são minhas.

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          Alemanha, Áustria, Hungria e República Checa – A história de uma viagem planejada a oito mãos


          Há muito tempo eu vinha nutrindo uma curiosidade que aos poucos se transformou num desejo muito grande de conhecer o leste europeu. A cada livro que lia, a cada filme que via, que se passava por lá, a cada amigo que voltava de viagem com novidades e fotos lindas, a vontade só fazia crescer.

          Budapeste Parlamento de Budapeste

          Vontade eu tenho de conhecer muitos lugares, essa é a verdade, mas como não tenho dinheiro nem férias sobrando, preciso me organizar muito bem pra eleger as prioridades e realizar as viagens na medida em que elas se tornarem possíveis. O jeito é ir comendo pelas beiradas, um país ou região por vez. 

          foto Ponte das Correntes – Budapeste

          Pelo menos uma vez por ano, tenho por meta fazer uma viagem com Mário, sem as meninas. Chegamos à conclusão que isso nos faz aproxima, nos faz bem como casal e como pessoas, individualmente. Viajar com crianças é delicioso, mas totalmente diferente. O ritmo é outro, os lugares visitados são escolhidos pensando em seu interesse, até a seleção dos restaurantes é feita pensando nelas. Passamos a viagem toda à mercê das duas: se têm frio, sede, fome, cansaço, mudamos nosso itinerário, fazemos paradas estratégicas,  diminuímos o passo da caminhada, enfim, elas ditam as regras e a nós cabe apenas nos adaptarmos.

          Praga Castelo de Praga (Pražský hrad), visto da Ponte São Carlos – foto do Beto

          Outro dia, conversando com um casal amigo nosso, o Beto e a Kayrene, que é minha amiga desde os tempos de faculdade (e aí já se vão uns 21 aninhos, diga-se de passagem), nasceu a sementinha dessa viagem que acabamos de fazer. Foi nossa primeira experiência viajando com amigos. Posso dizer que estava um pouco receosa, mas acertamos na escolha da companhia. Nós quatro temos bastante afinidade, diversos interesses convergentes e  maturidade suficiente para realizar programas em separado, quando esses interesses entrassem em conflito, sem ressentimentos.

          Minha vontade de escrever a respeito deve-se ao fato de que planejamos cada detalhe dessa viagem sem ajuda de agências. Foi um roteiro cem por cento personalizado. Desde a compra das passagens, seleção das cidades visitadas, definição do tempo que ficaríamos em cada uma delas, escolha dos hotéis, reserva dos horários dos trens  até a definição do roteiro diário.

          Praga2Ponte de São Carlos em Praga – bem cedo, antes da invasão dos turistas

          Tomei tanto gosto pela coisa que, desde que voltei, já comecei a planejar a viagem do próximo ano! Parece que substituí o “vício” das festas infantis pelo de planejar viagens de férias… A coisa ficou tão séria, que num certo momento da viagem, o Beto sugeriu criar uma seção nova pro blog: “Feito a Pé”, para compartilhar essas experiências. Achei a ideia fantástica e o nome muito apropriado e engraçado. Aliás, o Beto me saiu muito palhaço, viu? O bom de viajar com amigos é que a gente acaba descobrindo outras facetas de sua personalidade, até então desconhecidas.

           MuniqueFrauenkirche (Catedral de Nossa Senhora Bendita) Cartão Postal de Munique

          Viajar por conta própria dá trabalho, exige mais esforço no planejamento, muito estudo e pesquisa, uma boa dose de jogo de cintura e um bocado de responsabilidade e organização, mas o resultado é uma economia sensacional, um roteiro exclusivo e a incomparável liberdade  de ter todo o tempo do mundo a seu dispor, sem depender de grupos ou horários inconvenientes.

          Se o programa estiver mais empolgante que o previsto,  esticamos mais um pouco. Se, ao contrário, parecer uma grande furada, encurtamos o passeio e seguimos para o próximo ponto. Se o cansaço bater, e as pernas não responderem mais aos estímulos do cérebro, que tal parar pra tomar um café (ou uma cerveja) na calçada e apreciar a vista sem pressa? Nada como ser senhor do seu próprio destino!

          VienaEstátua de Strauss – monumento mais fotografado de Viena

          Nem todo mundo encararia com prazer esse tipo de viagem. Há quem prefira o conforto e a comodidade de viajar em grupo, com guia acompanhando, maleteiros à disposição e um motorista pra pegar e levar aonde quer que seja. Há prós e contras em ambas as situações. Não estou afirmando que viajar sozinho é melhor. Estou dizendo que viajar assim foi melhor para mim e para meus companheiros de viagem. Cada pessoa é um universo e cada um sabe de suas necessidades, limitações e pretensões.

          Castelo Palácio de Schönbrunn, Viena – residência de verão da família imperial

          Realizamos três reuniões antes da partida. A primeira delas, para definir o roteiro. Cada casal tinha suas preferências. Nós, por exemplo, tínhamos inserido Polônia e Croácia, em nossas expectativas, mas abrimos mão desses destinos para inserir Salzburgo e Viena, na Áustria, para entender um pouco melhor como funcionava o antigo império austro-húngaro, e Munique, na Alemanha, por questões geográficas e culturais.

          salzburgoMansão usada como locação do filme A noviça Rebelde – Salzburgo Áustria

          No dia seguinte à primeira reunião, compramos as passagens, a exatamente 6 meses da data prevista para embarque, usando nossos pontos Multiplus. Quase três semanas depois, compramos a viagem de volta, no mesmo esquema. É, conseguimos viajar de milhagem pela TAP e Lufthansa, antes que a TAM se retirasse da Star Alliance.

          Fomos bastante flexíveis na hora de adquirir os bilhetes. Havíamos definido nosso roteiro: Munique, Salzburgo, Viena, Budapeste e Praga, mas não a ordem em que cada cidade seria visitada, portanto, tentamos adquirir as passagens, nos melhores dias e para a cidade cuja pontuação fosse mais baixa. Conseguimos marcar nosso retorno para o Brasil para o dia 31 de maio, último dia considerado como baixa temporada. Um dia a mais e teríamos gastado o quádruplo de pontos!!! Demos sorte.

          Salzburgo2 Vista de Salzburgo, a partir da Fortaleza (Festung Hohensalzburg)

          Na segunda reunião, definimos quantos dias  ficaríamos em cada lugar, pesquisamos horários de trens para o translado de uma para outra e reservamos os hotéis, procurando os que se localizavam próximos à estação central de cada cidade.

          Na reunião seguinte, começamos a explorar as possibilidades de atração de cada região e reservar os programas noturnos que gostaríamos de fazer (concertos, óperas etc). Já havíamos, a essa altura, lido bastante a respeito e já fazíamos uma ideia do que gostaríamos de visitar e conhecer.  Começamos também a planejar o roteiro diário e os bate-voltas que faríamos a partir das cidades principais.

          Foram dezenas de e-mails trocados sobre livros,  revistas e blogs de viagens. Dezenas de aplicativos baixados para usar em nossos smartphones e mapas para instalar no GPS. Tudo compartilhado e comentado antes do embarque.

          eu Eu, flagrada por Mário, numa pausa estratégica para descansar as pernas, planejando o próximo passeio e degustando uma Paulaner

          Encadernei minhas anotações num livrinho que mantive comigo durante todo o tempo. Brincava dizendo que ele era o meu “cobertorzinho de segurança”, pois não o largava por nada. E, sem dúvidas, ele ajudou bastante.

          guia

          Então, preparem-se, pois nos próximos dias publicarei meus roteiros de viagem, no mais autêntico estilo “feito a pé”, como disse meu amigo Beto.

           

          Cláudia Ramalho

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