Archive for the 'saúde' Category

Café com as amigas


Eu amo meu trabalho, por isso não gosto de reclamar quando as coisas estão complicadas. Sou da opinião que só tem problemas de trabalho quem tem trabalho. Então, é dar graças a Deus por não estar desempregada, arregaçar as mangas e respirar fundo, que todo sufoco é passageiro.

Só que tem horas que não consigo ser tão evoluída. Deixo-me contagiar pelo estresse, fico amuada, com enxaqueca, com insônia, bloqueada. Quando isso acontece, o melhor remédio é tentar descontrair nas poucas horas vagas que me restam.

Desde que voltei do chá das flores, que a Katinha fez em sua casa, voltei diferente. Era perceptível a mudança. Estava mais leve, mais alegre, mais satisfeita. Naquela ocasião, uma pessoa a quem estimo me disse para registrar a sensação e não esquecê-la, quando a roda gigante da vida girasse. Sim, porque, na vida, uma das certezas que podemos ter é que se numa hora estamos por cima, na seguinte estaremos por baixo. É preciso não esquecer que nada é eterno.

Eu tenho gostado muito de fazer pilates. Me encontrei fazendo isso. Até já fiz um post falando sobre os benefícios que percebi em minha vida depois que comecei a praticá-lo. Mas não é apenas o exercício que me faz bem.

O grupo do Pilates, ou melhor, os grupos – já que faço em dois horários diferentes – são muito bons. A maioria das garotas eu já conhecia de outras épocas e locais.

A Marlete, por exemplo, é casada com um primo meu. A Alice trabalha comigo. A Pollyana foi minha colega nos tempos de Crisma, na Igreja São Pedro, e fizemos faculdade juntas. A Simone também foi nossa contemporânea nos bancos de Direito da UFAL. A Andréia é mãe de uma coleguinha de escola da Clarinha e esposa de um colega de faculdade de Mário. A Cida é irmã de uma ex-colega de trabalho de Mário e a Daíse é a nossa instrutora querida.

Não foi difícil me sentir à vontade e íntima em meio a um grupo tão seleto como este. Bem que dizem que Maceió é um ovo!

Pois bem. Basta somar um mais um. Estava eu tão cansada com o excesso de trabalho e de responsabilidades, tão saudosa da experiência que tive no chá das flores que sugeri uma confraternização de final de ano com as amigas do Pilates.

meninas
Sentadas, da esquerda para a direita, Simone, Cida, Andréia e Marlete.
Atrás, em pé, Alice, Pollyana e Daíse.

 

eu e as meninas
Agora, a mesma foto, comigo, sem Andréia

 

Quer motivo melhor para reunir algumas amigas e fazer uma tarde de terapia de grupo? A ideia germinou rapidamente. Ofereci minha casa e dividimos o cardápio. Farei um post sobre os detalhes em seguida.

Por enquanto, gostaria de compartilhar um texto magnífico que recebi por e-mail de uma amiga querida, tudo a ver com esse momento que estou vivendo. Não sei se a autoria está corretamente creditada, nem se o conteúdo é autêntico, mas a mensagem é muito especial.

CAFÉ COM AMIGAS
Palestra de Chefe de Psiquiatria da Universidade Stanford

*A Relação entre o Corpo e a Alma, Stress e Desconforto Físico *

No final de uma palestra o palestrante apontou, entre outras coisas, que os estudos mostram que uma das melhores coisas que um homem pode fazer por sua saúde é se casar com uma mulher. O casamento aumenta a longevidade e o bem-estar pessoal do homem.

E sobre a mulher? O palestrante apontou dado surpreendente – a mulher, por sua saúde, precisa cultivar seus relacionamentos com suas amigas!

No início, essa declaração provocou risos na plateia, mas o professor falou muito a sério. Estudos realizados mostram que as mulheres se conectam de maneira diferente dos homens e fornecem outros sistemas de apoio que as ajudam a lidar com experiências estressantes e difíceis em suas vidas. “Tempo de Amigas” é muito significativo no nível fisiológico, ajuda a produzir mais serotonina (um neurotransmissor) que auxilia no combate à depressão e cria um sentimento geral de bem-estar e um sentimento positivo.

As mulheres tendem a compartilhar seus sentimentos, enquanto os homens geralmente se conectam em torno de tarefas. Eles raramente se sentam com um amigo falando sobre como se sentem sobre algo, ou como está sua vida pessoal. Trabalho? Sim! Esportes? Sim!, Carros? Sim! Mas os seus sentimentos? Apenas raramente. As mulheres fazem isso o tempo todo. Elas compartilham sentimentos e emoções das profundezas de suas almas com suas amigas, e parece que isso realmente contribui para a sua própria saúde.

O conferencista acrescentou, sublinhando que o tempo gasto com amigas é tão importante para a saúde das mulheres como correr ou trabalhar no ginásio. De fato, há uma tendência a se pensar que é quando nos envolvemos com alguma atividade física que estamos fazendo algo de bom para o nosso corpo, enquanto que quando falamos com as nossas amigas, nós “desperdiçamos” o tempo em vez de fazer algo mais produtivo. Então, provavelmente, isso não é verdade.  Na verdade, o orador salientou que não criar e manter relacionamentos de qualidade com outras pessoas prejudica a nossa saúde física, “pelo menos, como o fumo!”

Portanto, cada vez que nós (as mulheres, é claro) sentamos para conversar com uma amiga, é importante congratular-nos de que estamos fazendo algo benéfico para a nossa saúde. Na verdade, nós somos sortudas!

Nossa amizade é muito essencial para nossa saúde!

*Tim-Tim ao café com as minhas amigas!*

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Uma ótimo final de semana a todos!

Claudinha

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    Bolo de maçã com aveia


    bolo de aveia com maçã

    Por mais cuidado que eu tenha com alimentação das crianças, o fator genético falou mais alto. Clarinha, apesar de seus 32kg, no auge de seus quase 11 anos, está com 279 de LDL!

    Como montar uma dieta de baixo colesterol para alguém que já é tão franzino? Cortar tudo o que aumenta o colesterol é também cortar quase tudo o que engorda. O que, para ela, não é uma boa ideia.

    Além do fator hereditário (a família de meu marido tem casos registrados de LDL acima de 1.000!), Clarinha está fazendo reposição hormonal para crescimento. Os hormônios interferem na produção do colesterol.

    A menina já pratica handebol, natação e educação física. Então, quanto à atividade física, não há o que inventar mais. Já quanto à alimentação… Somos o que comemos, não é verdade?

    Enquanto aguardo a consulta que marquei com uma nutróloga, andei pesquisando sobre alimentos que baixam o colesterol, seja porque evitam que ele seja absorvido, seja porque evitam que ele oxide, seja porque aumentam os níveis do HDL (colesterol bom).

    Resolvi inventar receitinhas que contenham tais ingredientes para que ela os coma, sem muito sacrifício. Foi então que nasceu esse bolo de maçã com aveia.

    A receita foi adaptada daquele bolo de banana sem lactose, lembram?

    Como a maçã tem mais água que a banana, reduzi a quantidade de óleo original e troquei metade da farinha de rosca por aveia, que tem a característica de absorver umidade em qualquer receita. Por isso os pães que levam aveia são, geralmente, mais secos.

    Além disso, troquei o óleo comum por óleo de canola e acrescentei canela e noz moscada. Vamos à receita final?

    Bolo de maçã com aveia – para baixar  colesterol

    Ingredientes:

    2 maçãs com casca, picadas, sem sementes*

    150 ml de óleo de canola ou girassol**

    2 xícaras (chá) de açúcar demerara ou mascavo

    4 ovos grandes inteiros

    1 1/2 xícara (chá) de farinha de rosca

    1 1/2 xícara (chá) de aveia em flocos***

    1 colher de sopa de fermento

    1 colher (chá) rasa de canela

    1/2 colher (café) de noz moscada ralada

     

    Bolo de maçã e aveia

    Modo de fazer:

    Bata bem os 4 primeiros ingredientes no liquidificador. Depois misture a farinha de rosca com a aveia e, por último, o fermento, numa tigela à parte.

    Leve ao forno médio, preaquecido, em forma untada e polvilhada com farinha de rosca, por 30 a 40 minutos.

    Depois de assado, polvilhe açúcar refinado e canela.

    Se quiser, pode acrescentar fatias de maçã na massa.

    bolo de maçã com aveia

    Este bolo fica muito saboroso! Quase que as meninas não me deixaram congelar as fatias individuais, como fiz aqui. Fica úmido, macio e delicado. Lembra a textura de um bolo de cenoura.

    Congelei a metade do bolo em fatias individuais, para assegurar alguns lanches nutritivos. A outra metade voou rapidinho em menos de 24 horas. Considerando que não era um bolo de chocolate, foi um recorde aqui em casa!

    Se inventar ou descobrir outras receitas legais e funcionais como esta, volto aqui pra compartilhar com vocês. E se vocês tiverem outras dicas legais de pratos nutritivos e “atrativos” para crianças, por favor, eu agradeço muito se as dividirem comigo!

    Não é fácil convencer crianças maiores a reeducarem seu paladar. Quem tiver seus filhos, acostume-os desde bebês a comer corretamente. Depois que eles conhecem arroz, macarrão  e pão branco, fica tão difícil fazê-los gostar dos integrais!

    Um cheiro enorme,

    Claudinha

    ___

    *Maçã é rica em fibras solúveis e contém altas doses de flavonoides e antioxidantes que reduzem o colesterol no sangue.

    **Óleos vegetais de canola e girassol são ricos em fitoesteróis, substâncias que barram a absorção de gordura da dieta, o que favorece a redução do colesterol.

    ***Aveia contém uma fibra que auxilia na redução do colesterol LDL. Consumir 3g dessa fibra pode reduzir em até 20% o colesterol total.

    Dados retirados do Portal IG. Para saber mais, leia este artigo sobre 20 alimentos que diminuem o colesterol.

      posted by Feito a Mão in culinária,educando filhos,saúde and have Comentários (22)

      Mudando de vida – Qual é o seu barato?


      pilates

      Em mais de uma ocasião eu falei a vocês sobre a minha dificuldade de fazer exercícios em academia. Era uma resistência muito forte, que só consegui superar, com ajuda de uma personal trainer, em dezembro de 2010 e janeiro de 2011.

      Essa pessoa foi um anjo de luz que apareceu em minha vida. Um ser iluminado, que me fez ver que os benefícios de uma vida saudável não se resumem à estética. Ao contrário, ficar bem e me sentir bem comigo mesma era o melhor presente que eu poderia dar às minhas filhas. Pois com saúde eu ficaria ao lado delas por muito mais tempo, com mais disposição e qualidade de vida.

      Quis o destino que nosso encontro fosse efêmero. Ela montou sua própria academia, que ficou contramão para mim, e eu procurei uma substituta. Com a segunda profissional eu não senti a mesma empatia e admiração e as nossas conversas estavam longe de me incentivar a levar uma vida mais leve, em todos os sentidos.

      Distendi o trapézio e outros músculos que nem sentia que tinha, provavelmente por não ter sido orientada devidamente, e resolvi parar com a musculação, ficando novamente sedentária.

      Se era para interromper, por que o destino me fez tomar gosto pela atividade física? Eu senti muita vontade de voltar a me mexer. Menos de um ano parada e o corpo já sentia os efeitos. Engordei, fiquei mais flácida, mais cansada, sem resistência.

      A cada volta de viagem, me aparecia um sintoma diferente. Uma tendinite na perna, uma fascite plantar e a labirintite de todos os dias. O ritmo de caminhadas excessivas que geralmente adoto quando estou viajando me fazia voltar quebrada para casa. Eu brincava dizendo que precisaria de férias para descansar das minhas férias.

      Foi quando em novembro do ano passado, eu conheci o Pilates. Comecei sem muita pretensão, 2 vezes por semana. Aumentei para 3 e hoje faço 4 vezes por semana. Nunca pensei que pudesse dizer isso a respeito de alguma atividade física, mas encontrei o meu barato. A sementinha que minha primeira personal plantou encontrou solo fértil para germinar. Não gostei apenas do exercício em si, mas de todo o ambiente, da atmosfera relaxante, da instrutora cuidadosa, dos meus colegas de turma, enfim: como disse um dia a Kátia Najara, do Pitéu, encontrei Jesus no Pilates!

      O pilates me deixou mais centrada, mais focada nas minhas atividades, deu-me uma consciência corporal até então desconhecida, tonificou meus músculos, alongou minha silhueta, deu-me mais flexibilidade corporal, mental e emocional. Sua respiração me ajudou a diminuir a ansiedade e, ainda que ele não seja considerado um exercício aeróbico, não tenho a menor dúvida de que me ajudou a emagrecer por causa disso tudo.

      É um método de condicionamento físico e mental que trabalha o corpo e a mente de forma global, onde a respiração é sempre coordenada com o movimento. Seu fundador,  o alemão Joseph H. Pilates, sofreu influência do Yoga, das artes marciais e da meditação. Por isso, os exercícios priorizam a intensidade, não a velocidade ou repetição.

      Os profissionais de educação física geralmente torcem o nariz para o Pilates, porque seu fundador não tinha formação acadêmica. Mas eu não me importo nem um pouco com isso. Com toda a formação acadêmica do mundo, os professores de musculação não conseguiram me motivar e condicionar meu físico tanto quanto o Pilates tem feito.

      Sem falso exagero, eu sou outra depois dele. Não falo isso apenas porque meu corpo ficou diferente. Esse não era o meu objetivo principal, mas foi um efeito colateral maravilhoso.

      Estou mais disposta, mais alongada, mais consciente do meu corpo. Duvido que agora eu engorde sem perceber! É como se minhas células tivessem acordado de um longo período de hibernação.

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      Neste ano, fizemos duas viagens grandes e uma menor. De nenhuma delas eu voltei  com consequências. Nem com labirintite! E olha que pegamos vários voos demorados, com muitas conexões e escalas e batemos muita perna!

      O Pilates trabalha o equilíbrio e  corrige a má postura, minha escoliose está quase imperceptível. E é tudo feito num ambiente climatizado, devagar, sem suar a camisa, com musiquinha agradável e relaxante. Tão diferente do ambiente opressor das academias!

      Eu resolvi vir aqui contar sobre essa minha paixão, não para fazer propaganda do Pilates, de jeito nenhum. Este post não é publicitário. Só quis mostrar que o que é nosso está guardado. Se você ainda não se encontrou numa atividade, pode apenas não ter encontrado a atividade certa para você. Continue procurando.  fotoX

      Agora que minha musculatura está fortalecida, posso até cogitar começar a correr ou fazer tênis. Nunca que isso me passaria pela cabeça antes! Só sei que, sedentária, nunca mais!

      Um excelente final de semana a todos!

      Cheiro,

      Claudinha

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        Você tem fome de quê?


        Quem não me vê desde fevereiro toma um susto e, imediatamente, me pergunta como eu fiz para emagrecer, naturalmente esperando que eu indique uma fórmula mágica ou o nome de alguma nutricionista milagrosa.

        Quase sempre percebo que minha resposta é decepcionante: não tem segredo. Fechei a boca, comecei uma reeducação alimentar séria e passei a praticar exercício físico 4 vezes por semana, com obediência.

        A gente tende a achar a grama do vizinho mais verde, esquecendo-se de perguntar quantos quilos de adubo, litros de uréia ou tempo de jardinagem ele dedicou até chegar àquele resultado. É sempre mais fácil culpar a ineficiência de nosso jardineiro ou a origem duvidosa da terra que usamos em nosso jardim que reconhecer que estamos sendo desleixados. Estamos sempre à procura de um atalho, um caminho mais fácil que nos leve ao nosso objetivo em tempo recorde, sem muito sacrifício.

        Já reparou como todo mundo que está acima do peso tem uma desculpa na ponta da língua pra se justificar? “Meu metabolismo é lento”, “Tive duas gravidezes”, “Já passei dos 30”, “Tenho distúrbios hormonais”, “Não tenho tempo pra exercícios”. Você nunca ouve um sincero: “Eu engordo porque como muito e sou sedentário”.

        Eu mesma me escondi por trás dessas desculpas durante muito tempo. Elas de fato eram verdade: eu já passei dos 30, tenho distúrbios da tireóide, meu metabolismo é lento e já engravidei duas vezes. Mas e daí? Será que eu não estava agravando a situação com meu sedentarismo e minha alimentação inadequada? Eu vinha fazendo a parte que dependia só de mim?

        Para a idade, não tem remédio. Não posso querer, aos 38, ter o peso e o corpinho que tinha aos 20 anos. Mas para tireóide, há hormônios. Para metabolismo lento, há atividade física e dieta específica. E, para compulsão alimentar, há um negócio chamado vergonha na cara!

        Muitas vezes o que a gente tá precisando é de uma psicóloga e não de uma nutricionista para resolver o problema da ansiedade, que nos conduz à compulsão. Identificar qual engrenagem está desregulada é imprescindível para controlar a compulsão alimentar. A gente não come demais à toa.

        O que leva alguém a comer? Fome, vocês poderiam responder. Afinal, é um instinto natural de preservação: comer quando se tem fome; sentir fome, quando se precisa de alimento. Ah, se fosse simples assim!

        O ser humano é um bichinho complexo. Desde pequenos, somos induzidos a confundir alimento com carinho. Basta chorar e lá vem o peito materno nos consolar. Quando crescemos, nos ensinam que comer e raspar o prato é uma forma de agradar as pessoas que amamos: “come, come, come que a mamãe fica contente”. Quando ficamos adultos, comer em grupo passa a ser um ritual utilizado para comemorar eventos especiais e quem não participa dessas ocasiões acaba virando um pária, que ninguém convida para mais nada.

        Há muito tempo, comer deixou de ser um ato suficiente apenas à nossa subsistência e passou a ser a fonte de muitos de nossos problemas. Não é uma incongruência que o país do Fome Zero seja também o país com taxa de 15,8% de obesidade?

        Um belo dia, me vi numa foto, ao lado das minhas irmãs, e tomei um susto! Foi um santo remédio. Um tapa na cara que me fez acordar e enxergar minha verdadeira situação.

        Sabe quando a imagem real não corresponde à imagem que fazemos de nós mesmos? Eu não me via daquele jeito, mas eu ESTAVA assim, não dava mais para negar.

        Como cheguei àquele ponto, eu não sei exatamente, mas posso dizer que foi o resultado da complacência reiterada durante anos a fio, depois que me tornei mãe. Não bastasse compensar minha ansiedade na comida, eu estava relegando totalmente a atividade física a um nível insignificante no meu dia a dia.

        Revendo minha vida deste ponto em que estou, concluo que desde que as meninas nasceram foram poucas as épocas em que mantive a atividade física como parte fixa em minha rotina. Desde que nasceu a minha caçula, então, foi o caos. Eu sentia uma leve culpa por me ausentar para cuidar de mim. Imaginava que elas sentiriam minha falta, que eu era imprescindível naquele momento, que algo terrível lhes poderia acontecer. Que eu já me ausentava 8h por dia por causa do trabalho, não teria o direito de sumir por mais tempo. Some-se a isso o gosto pelas panelas e um apetite imensurável e você encontrará o caminho que estava me guiando à obesidade.

        Sabe como eu consegui mudar o meu ciclo de sedentarismo? Apertando minha agenda. Eu costumo dizer que encontramos tempo para fazer tudo o que gostamos e desculpas, para deixar de fazer todo o resto.

        Vivo levando minhas filhas pra cima e pra baixo: aulas de inglês, catequese, natação, balé, o diabo a quatro. E se eu tirasse proveito da minha função de mãetorista e começasse a fazer algo por mim, nesses intervalos? Caminhar já seria um bom começo, mas encaixar uma aula de hidroginástica seria melhor ainda. E Pilates, que tal? Dá pra encaixar Pilates nos horários da aula de inglês? Tanto melhor!

        E fez-se a luz!

        Eis que hoje eu já não sou mais sedentária. Incorporei, SEM CULPA, a atividade física de forma definitiva na minha vida e estou a dois passos do paraíso. Falta pouquinho, mas eu chego lá. O mais difícil eu já fiz: parei com as desculpas e assumi a inteira responsabilidade pelo meu corpo, minha saúde e meu futuro. Nunca é tarde.

        Um final de semana iluminado a todos!

        Claudinha

        ___

         

        Fonte da imagem: aqui.

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          Moussaka vegetariana com cogumelos– Descobrindo novos sabores e incrementando o cardápio da dieta


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          Num processo de reeducação alimentar, tão difícil quanto reaprender a comer é reaprender a cozinhar.

          Quando decidi fazer dieta, fugi da cozinha como o diabo da cruz. Era muita tentação! Estava tão acostumada a fazer gordelícias que não conseguia pensar em algo saboroso que não fosse proporcionalmente calórico. Sabe aquela história de que tudo o que é bom é ilegal, imoral ou engorda? Pois então… era assim que eu pensava.

          Tal qual um alcoólatra que evita tomar o primeiro gole, evitei também me meter na cozinha, pois toda vez que lá entrava, o ponteiro da balança sofria as consequências.

          Por isso as receitinhas por aqui diminuíram na mesma razão em que diminuíram também as visitas que eu fazia aos meus blogs de culinária favoritos. Conversando com uma amiga que também está de dieta, lastimei o quanto era difícil emagrecer, gostando tanto de comer e de cozinhar como eu. Foi então que ela me respondeu o óbvio: use isso a seu favor! Descubra uma forma mais saudável de cozinhar, explore outros ingredientes, invente receitas lights saborosas! No começo isso me pareceu impossível, mas pouco a pouco a ideia foi se tornando mais atraente.

          Quando se precisa eliminar muita massa corporal, o prazo estipulado não pode ser muito curto. Afinal, os quilinhos não se acumularam de um dia pro outro, não é mesmo? É preciso emagrecer devagar e corretamente, aumentando músculos e queimando gordura com atividade física. Um processo que envolve determinação, reeducação alimentar, mudança de paradigmas e muita perseverança.

          Desconfie dessas dietas mirabolantes que prometem maravilhas como emagrecer 5kg em uma semana ou 10kg em um mês. Nesse pacote, além da gordura, é claro, acaba-se perdendo muita água e massa magra.

          Como eu tinha (e ainda tenho) um longo percurso pela frente, era preciso manter a disciplina, sem contudo deixar a dieta monótona. Comer light não significa necessariamente comer mal. Pelo contrário!

          Só depois dos primeiros 4 meses e 7 quilos a menos, foi que reencontrei o prazer de cozinhar. Fui apresentada a novos ingredientes, fiz substituições mais nutritivas e passei a me preocupar mais com a qualidade dos alimentos ao invés de apenas ficar contabilizando suas calorias.

          Se eu conseguir mudar definitivamente meu jeito de me alimentar, mesmo perdendo pouquinho a cada mês, terei mais chances de me conservar no peso ideal, depois de alcançar minha meta. Não quero sofrer o efeito sanfona. Meu raciocínio é o seguinte: a dieta não deve parecer um sacrifício, um suplício, mas um período de aprendizado, de exploração, de descoberta de novos sabores ou de novas combinações.

          Quer ver algumas substituições sadias que andei fazendo? Grãos refinados por integrais, frituras por assados, barrinhas de cerais industrializadas por granola caseira, sanduíches e bolos por frutas da estação, doces por frutas secas. Além disso, reduzi a carne vermelha e aumentei a ingestão de legumes e verduras. Sem falar que passei a me alimentar em intervalos menores.

          Virei amante do shimeji, da chia, da linhaça, da quinoa, da farinha de maracujá, do gergelim, do gengibre, dos chás termogênicos e de muitos outros alimentos naturais que são deliciosos e que podem nos ajudar no processo de eliminação de peso e reeducação alimentar.

          Foi numa tentativa de melhorar a qualidade do que eu punha na boca, que nasceu este prato. Marta, a mesma amiga que me deu o “chacoalhão” acima, deu-me também esta receita de moussaka, feita por sua filha, Tássia, que é ovo lacto vegetariana e entende muito de cozinha, assim quanto a mãe.

          Eu ando meio desobediente e mexi na receita de Tássia. Troquei a lentilha por 2 bandejas de cogumelos, e o vinagre por 1 colher de sopa de shoyu, além de outras besteirinhas que destaquei abaixo, em rosa.

          Eu já gostava de shimeji,  assim de graça, só pelo sabor marcante que ele tem, mas depois que descobri seus superpoderes numa matéria da Boa Forma, ele passou a ser o meu queridinho da vez. Já fiz omelete de shimeji, macarrão integral com molho de shimeji, shimeji refogado para acompanhar torradinhas e agora, essa deliciosa Moussaka de shimeji e cogumelo Portobello.

          Abre parênteses – Moussaka é um prato típico da região dos Balcãs, que mistura berinjela e carne de cordeiro, temperada com canela. Uma espécie de lasanha de berinjela. A mais famosa é a moussaka grega.

          Pode parecer estranho temperar carne vermelha com canela, mas seu gostinho inusitado dá um toque exótico e suave ao prato. Sendo que a  moussaka que vou mostrar é uma variação vegetariana. Veja bem: troquei o recheio, mas não o tempero! Para mim, a canela é o ingrediente característico da moussaka, sua própria essência.

          Vamos deixar de lero lero que emagreci uns 100 gramas só de digitar esse conversê todinho e você já deve estar ficando com fome de tanto revirar os olhos e rolar o mouse de cima abaixo nessa tela! Eu e esse meu notável poder de síntese, meus Deus!

          Moussaka de cogumelos

          1 berinjela grande em fatias finas
          3 batatas inglesas em fatias finas
          2 colheres de sopa de azeite
          1 cebola fatiada
          3 dentes de alho moído
          1 colher de sopa de vinagre (troquei por 1 colher de sopa de shoyu)
          3 tomates pelados (do tipo italiano – ideal para molho)
          1 xícara lentilha cozida com água e sal (troquei por 1 bandeja de shimeji e 1 de cogumelo Portobello – 200g de cada)
          1 colher de chá de orégano
          1 colher de chá de canela
          sal, noz moscada e pimenta do reino a gosto
          1 xícara de queijo feta ralado (se não achar esse queijo, ponha coalho do tipo bem sequinho, que vem num espeto)

          Molho branco:
          2 colheres de sopa de manteiga
          2 colheres de sopa de farinha de trigo
          1 1/2 xícara de leite (usei 3 1/2 xícaras de leite desnatado)
          pimenta do reino, noz moscada e sal a gosto
          1 ovo batido
          queijo parmesão para gratinar

           

          Preparo:
          1 – Coloque a berinjela na água e sal por 30 minutos. Depois escorra a água e seque-a com papel toalha. Coloque a berinjela com a batata num pirex untado. Tempere com azeite e sal e leve ao forno quente até ficar bem assada, mais ou menos 30-40 minutos. De vez em quando abra o forno e passe uma espátula para não grudar. 

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          2 – Recheio – Ponha azeite, a cebola e o alho para refogar. Depois coloque o vinagre e deixe reduzir. Acrescente o orégano, o tomate, a canela, a noz moscada e a lentilha cozida. Deixe cozinhar por aproximadamente 15 minutos.
          Como eu troquei a lentilha por cogumelos, fiz assim: cozinhei os cogumelos lavados no vapor, por uns 10 minutos. Refoguei a cebola e o alho no azeite. Depois coloquei o shoyu e deixei reduzir. Acrescentei o orégano, os tomates picados, já sem pele e sementes – aproveitei a água dos cogumelos pra aferventar os tomates -  a canela e a noz moscada.

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          Depois que estava tudo bem apurado, inseri os cogumelos, mexendo com cuidado, para não machucá-los. Pense no cheiro que incensa a cozinha nessa hora! Aroma dos deuses! Ó que lindo:

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          3 – Molho branco – faça um molho branco dourando a manteiga, acrescente a farinha e vá colocando o leite aos poucos até engrossar. Ajuste o sal e tempere com noz moscada. Tire do fogo e deixe esfriar por 5 minutos. Acrescente o ovo batido (clara e gema).
          Eu voltei ao fogo, depois que o ovo foi misturado, para terminar de cozinhá-lo, já que uma das travessas que eu estava fazendo pela manhã só seria gratinada à noite, no jantar. 

          molho branco

           

          Montagem:
          Num pirex fundo untado, coloque a metade da mistura de berinjela com batata. Por cima jogue a lentilha (no meu caso, o cogumelo). Forre com o queijo coalho ralado (eu passei o meu no processador). 

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          Jogue a outra camada da berinjela com batata. Cubra com papel alumínio e ponha no forno quente por 15 minutos.
          Como eu estava apressada, pulei esta etapa. Martinha, que provou a marmitinha que levei para o trabalho, disse que se eu tivesse seguido esse passo, minha berinjela teria ficado crocante ao invés de macia, como ficou. Para mim, não fez muita diferença, pois a achei muito saborosa. Mas fique ligado, se preferir a textura parecida com chips, respeite esta etapa!

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          Por fim, retire o pirex do forno, coloque o molho branco por cima da camada de berinjelas e batatas e espalhe o parmesão ralado e algum queijo coalho que eventualmente tenha sobrado. Asse descoberto por aproximadamente 25 minutos em forno quente.

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          Quando retirar do forno, pode passar o maçarico pra acentuar o gosto do queijo gratinado. Depois, é comer de joelhos. Vai por mim.

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          Vejam a montagem da moussaka neste pirex transparente:

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          Minha intolerância à lactose está sendo contornada à base de lactase sintética, antes que me perguntem.

          Ah, ficaram curiosos pra saber os superpoderes do shimeji?*

          1: ativa o botão da saciedade e diminui a fome
          2: garante tanta proteína quanto a da carne vermelha (e engorda menos, pois tem menos gordura!)
          3: aumenta a defesa do organismo e previne a gripe e o câncer
          4: afina o sangue e afasta o mau colesterol

           

          *Fonte: Boa Forma

          A única contraindicação que encontrei é o mal que ele pode causar ao seu bolso. Aqui em Maceió, o quilo de shimeji chega a custar 70 reais!

          Um excelente final de semana a todos!

           

          Claudinha

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