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Molho aos quatro queijos, para minha Maria Clara


Parece que foi ontem que eu voltei da maternidade com um pacotinho no colo, de olhos pidões e cheirinho embriagante.

Nunca antes tinha visto uma coisinha tão indefesa e altamente cativante. Nenhum outro bebê, nem mesmo os de revista, me pareciam mais belos e perfeitos.

Talvez fossem os hormônios, que a natureza sabiamente altera para que possamos amar incondicionalmente esses seres e reconhecê-los em meio a uma multidão. Talvez fosse minha natureza fêmea, satisfeita de ter cumprido seu papel reprodutor. Talvez fosse simplesmente orgulho de ter sido instrumento divino e, de certa forma, co-autora na criação de outra vida. Mas o fato é que aquele foi o dia mais feliz da minha vida, até então.

Naquela época, por vários motivos, só coloquei babá ao final da minha licença maternidade. Quando me via comentar sobre a trabalheira de cuidar de um bebê recém-nascido sozinha, minha mãe geralmente me consolava dizendo que o pior estava por vir e que esse trabalho braçal, por incrível que parecesse, era o que havia de mais fácil na tarefa de educar uma criança. Mainha sempre teve esse jeito casca grossa de me fazer superar as adversidades da vida e não tenho dúvidas de que meu perfeccionismo se deve a isso.

Ela estava certíssima. Aliás, como costuma acontecer quase sempre.

Dez anos se passaram e hoje parece que escuto a vozinha da minha mãe dizendo: – Tá vendo? Era a isso a que eu me referia.

Algumas de vocês que acompanham o blog desde o início, ou que o leram desde o comecinho, escreveram-me perguntando sobre os preparativos da festinha da Clarinha. Pois é, se vocês estão estranhando e sentindo falta disso, imaginem ela! Mas este ano ela não fez por merecer.

Eu acredito que bater não é o melhor meio de se educar um filho. Cada cabeça, uma sentença, é verdade, mas eu herdei o jeitão casca grossa da minha mãe. Não sou de passar a mão e não relevo uma conduta errada, até que tenha total certeza do arrependimento e da promessa de mudança. Mesmo assim, não se muda o passado, é preciso mostrar que todas as nossas ações têm consequências.

Sou intensa em todas as minhas atitudes de mãe, inclusive na hora da punição. Mesmo que isso me deixe com o coração partido. Sim, porque por trás de toda mãe leoa há uma menininha interna que morre de vontade de se juntar àqueloutra que está fazendo birra e lhe dizer: – Eu também já passei por isso, o remédio é amargo, mas é para o seu bem. Você vai ver.

E embora a festa, do jeito que vocês estão acostumados, não vai pintar por aqui – não neste ano, não em março – a semana que passou foi recheada de pequenas comemorações, só para lembrar que continuamos amando-a muito, principalmente nessas horas. É importante que ela entenda que o castigo foi imposto em razão de uma conduta específica e não para simplesmente puni-la. E que a data de 02 de março sempre será um marco em nossas vidas.

Ontem à tarde, fizemos uma sessão fotográfica familiar e, à noite, visitamos o observatório para ver Marte, Júpiter e a Lua e jantamos em seu restaurante favorito. Foi uma forma interessante de passar o aniversário da minha pequena cientista!

A semana de pequenas celebrações começou com o almoço de domingo, quando fiz seu prato preferido, penne ao molho quatro queijos, e prossegue ainda hoje, quando ela passará a tarde em companhia dos avôs paternos.

Bem, vamos deixar de conversa. Esta receita vai especialmente para a aniversariante de ontem, a minha filha amada, que sabe ser doce e gentil como ninguém, quando quer, mas certamente vai servir para muitas outras pessoas igualmente apaixonadas por massas e molhos de queijos.

Molho aos quatro queijos

Penne aos quatro queijos

Usei uma massa importada que tinha vindo numa cesta que ganhamos no natal.

Para o molho, usei:

1 lata de creme de leite, com soro e tudo

3 partes iguais de queijo gruyère, parmesão e fundido

1/3 parte de queijo gorgonzola

O importante é usar medidas aproximadas. Não precisa ser muito exato, mas cuidado pra não abusar no gorgonzola. Use menos da metade da medida que usou para os outros queijos. Seu sabor é mais enjoativo.

Não tem mistério. Cozinhe o penne, em água e sal e, enquanto isso, rale os queijos no processador, ou ralador.

Em outra panela, leve ao fogo o creme de leite e os queijos e mexa até derreterem. Jogue por cima da massa escorrida e polvilhe queijo parmesão por cima. Fica divino se você usar o maçarico pra finalizar.

Desta vez, o molho ficou mais encorpado, pois usei mais queijo que o de costume. Se preferir um molho mais líquido, diminua as medidas de queijo ou acrescente leite. Vá provando aos pouquinhos e ajuste o sal se precisar, mas como os queijos já são salgados, duvido que precise.

Um excelente final de semana a todos!

Claudinha

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Este post deveria ter sido publicado ontem, mas a correria não deixou.

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    Como controlar a nossa agressividade ao aplicar um castigo nos filhos? Convidada especial: Rafaela Gonçalves


    Clarinha me ajudava a descarregar a feira quando encontrou um pacote de castanhas caramelizadas, de que ela tanto gosta. Foi então que soltou a pérola:

    - Você é a M.M.U.I.!!!! M.M.U.I.!!! M.M.U.I.!!!

    Eu, que já estou acostumada com seus acrósticos e mnemônicos, fiquei tentando traduzir o que seria a tal sigla, e arrisquei:

    - Melhor Mãe do Universo Inteiro?

    - Não, mãe, o universo não tem fim, ora!!! Melhor Mãe do Universo Infinito.

    O título, embora tentador, não me caiu bem e dele não me apoderei, por absoluta consciência de que não me pertencia. Tenho para com elogios exagerados a mesma dificuldade de engolir comprimidos grandes e remédios amargos.

    Noutro dia, porém, a conversa era com a Mariana, que além de ter os pés bem plantados no chão, tem também os mesmos elevados padrões de exigência, como a mãe dela. Não me lembro mais o que eu fiz para agradá-la, mas foi algo que a fez concluir:

    - Mãe, você é a melhor mãe que eu pude ter.

    Alguns segundos de silêncio depois, eu lhe respondi – Mari, eu sou de fato a melhor mãe que eu posso ser. E naquele elogio realista, sem exagero, sincero e justo, eu me encontrei. Foi o melhor elogio que já recebi na vida, porque era verdadeiro. Eu não apenas sou a melhor mãe que ela pôde ter, como sou a única.

    Tenho plena consciência das minhas qualidades como mãe, mas elas não me impedem de reconhecer os meus inúmeros defeitos. Sou humana, tenho cá minhas limitações e, embora eu divulgue no blog apenas os meus ângulos fotogênicos, tenho reações que vivo tentando superar e contornar o tempo todo.

    Quando estou estressada e não consigo deixar meus problemas do lado de fora, tenho uma tendência a explodir por bobagens. Um guarda-roupa desarrumado, uma tarefa mal feita, uma briga entre irmãs, uma resposta malcriada, enfim, nada que eu mesma não tenha feito na idade delas. O problema é que só percebo que elevei a voz quando minha garganta dá sinais de fadiga. Fico me sentindo a mosca do cocô do cavalo do bandido, por não ter conseguido controlar meus nervos. Respiro fundo, conto até 10 e recomeço, num volume mais baixo. Quem grita perde a razão, diz o senso comum.

    Foi então que resolvi convidar a Rafaela Gonçalves, que é psicóloga infantil e tem um blog direcionado à orientação de pais, para conversar conosco sobre esse assunto, porque desconfio que não estou sozinha nesse barco e creio que o que a Rafaela tem a nos dizer pode nos ajudar a sermos as melhores mães e os melhores pais que pudermos ser.

    Com a proximidade do dia dos pais, o texto abaixo não poderia ser mais propício. Leva-nos a uma reflexão sobre o nosso papel de educadores e formadores de personalidade. Com vocês, Rafaela Gonçalves, do Orientação aos Pais.

     

    castigo

    Como controlar a nossa agressividade ao aplicar um castigo nos filhos?

    “Olá!! Meu nome é Rafaela, sou Psicóloga clínica e mantenho um blog de Orientação aos Pais no ar! Antes de falar sobre o tema, preciso agradecer a oportunidade de estar aqui no Feito a Mão! Acompanho desde o ano passado quando queria dar um ar mais personalizado ao grupo de terapia para crianças que tenho, e me surpreendi com tanta delicadeza e cuidado nas produções feitas pela Claudinha! E virei fã!

    Agora, aqui estou eu, para conversar com vocês sobre um assunto delicado, sugerido pela própria Cláudia, mais que precisa ser discutido: Como controlar a agressividade ao aplicar um castigo?

    Com as atribuições do dia a dia de trabalho, cuidados da casa, responsabilidades da família, etc. sobra bem pouco tempo para cultivar a paciência. Tenho percebido que, de um tempo pra cá, os pais têm terceirizado cada vez mais a educação para professores, familiares, e até nós, psicólogos. Acreditam muitas vezes que são incapazes de formar e educar pessoas. Recebo com frequência casos assim lá no consultório, e nesse momento preparo os pais a tomarem as rédeas da educação dos seus filhos, não é fácil, não é rápido, mas a satisfação de conseguirem não tem preço! Essa pequena introdução foi para encorajá-los a identificar onde está a verdadeira dificuldade, se na criança obedecer, ou se nos pais em aplicar as regras diárias.

    Quando falamos em limites, obediência, estamos falando de regras. E antes da aplicação delas deve existir toda uma preparação, uma combinação de acordos entre os adultos. Depois de escolhidas e anunciadas para os pequenos, está na hora da aplicação! Lembrem-se que nenhuma criança obedece regras porque gostam, quando muito novinhas o fazem por amor incondicional aos pais; quando mais velhas, fazem à medida que acham coerentes (aqui cresce o desafio, ser coerente ao aplicar uma regra implica dizer se você, enquanto adulto, também o faz). Quando isso acontece é comum os adultos entrarem num jogo de medir forças de quem manda mais!

    Quando entram nesse jogo, todos saem perdendo, regras foram feitas por adultos responsáveis e que sabem (ou estão se esforçando) o que é melhor para seus filhos. Na hora da aplicação de tais regras a dica mais preciosa é: tenha em mente a regra descumprida, não desfoque, seguros do que estão fazendo não têm motivos para descontrole. As crianças vão tentar a todo custo burlar tais normas, e cabe ao adulto manter a firmeza daquilo que acreditam.

    E se não forem regras quebradas e sim estresses diários? Neste caso mudamos completamente o foco das crianças e passamos aos adultos. O que tem te tirado a paz quando o assunto é a educação dos filhos? O que tem te irritado? Saber disso é importante para começar um processo de mudança!

    Todos temos frustrações suficientes para darmos doses extras aos filhos, se naquele momento está percebendo que a situação saiu do controle, está na hora de passar a bola para o companheiro, ou outro adulto responsável, isso não será um passo para trás, muito pelo contrário, continuar insistindo nesse descontrole só vai trazer a culpa horas depois, e quando isso acontece a autoestima vai lááá pra longe! Quando estiver com a cabeça mais fria, chame os filhos para uma conversa, explique o que tem te deixado nervosa (o) e achem soluções juntos para isso, se derem oportunidades das crianças opinarem talvez se surpreendam com as saídas simples que encontrarão!

    Bom gente é importante lembrar que cada família é um universo único, cheio de valores adquiridos e tantos outros construídos. Não existe uma fórmula mágica, nem uma forma simples de fazer, mais todos nós podemos modificar um padrão de comportamento a partir de atitudes diferentes, afinal, resultados diferentes só acontece quando nós ousamos nos comportar diferente. Quando existe amor, não existem erros, existem tentativas de acertos, talvez com pequenos ajustes tudo possa funcionar de uma forma saudável para todos!

    Vou ficando por aqui na expectativa de ter estimulado aos leitores promoverem mudanças!!

    Bjos,

    Rafaela Gonçalves
    Psicóloga
    CRP 15/2886”

     

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    Obrigada, Rafa, por aceitar o meu convite. Fico muito honrada com sua presença e tenho certeza de que seu texto ajudou bastante a clarear os caminhos de quem, como eu, vive em busca de superar suas limitações, seja como mãe ou como pessoa, num sentido mais amplo.

    Um grande abraço,

    Claudinha

      posted by Feito a Mão in convidada especial,papo de mãe and have Comentários (26)

      Como criar filhos responsáveis?


      Estou de volta, pessoal. Cheguei de viagem na quarta-feira, por volta de onze da noite. Ontem foi dia de fazer feira pra reabastecer a geladeira, arrumar a casa, que estava com cheiro de guarda-chuva molhado, desfazer as malas e visitar meus pais, que já não via há mais de quinze dias.

      A viagem foi maravilhosa, pegamos um friozinho muito gostoso em Curitiba, visitamos vários parques, andamos muito pelo centro da cidade, comemos em bons restaurantes e ainda visitei uma blogueira muito querida. Farei um post específico assim que puder organizar as fotos, estou com tanta preguiça! Oficialmente estou de férias, mas me propus a colocar a casa em ordem nestes dias e a fazer um pequeno check-up – há quase dois anos não ia a nenhum médico além da minha endócrino! Então, essa etapa de férias será destinada a esse propósito.

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      Mudando de assunto, escolhi um tema reflexivo para a minha volta ao blog. Vou contar como e por que razão.

      Há algum tempo, a Clarinha vem me enchendo o juízo pedindo um cachorrinho. Piorou depois  da viagem, pois ela ficou encantada com a cadelinha da foto abaixo. Nada demais, é comum em sua idade. Acontece que eu não gosto de bichos, para dizer pouco. Na verdade, eu morro de medo de cachorros, gatos, passarinhos e companhia. Não gosto do cheiro, do barulho, da sujeira e menos ainda das obrigações que eles implicam. De modo que adotar um cãozinho iria me colocar numa situação complicada e somente por muito amor (de mãe) eu seria capaz de tal ato.

      pretinha

      Com a pretinha, da Helena Garcia, do Dia a dia corridinho

      No entanto, como é um desejo dela e não meu, é justo que a ela caibam os ônus de tal escolha. A todo direito corresponde um dever, não é assim?

      Como atribuir-lhe a responsabilidade pela vida de um ser, se ela ainda não é totalmente responsável por sua própria vida?

      Seria muito mais simples se nossos filhos viessem acompanhados de um manual, indicando a fase certa de fazer cada revisão e atualização de software. Assim, aos 2 anos seria hora de tirar as fraldas, aos três a criança deveria saber dar o laço do tênis, aos quatro deveria se vestir sozinha e escolher a própria roupa, aos cinco, limpar o bumbum e dormir desacompanhada, aos seis arrumar a mochila da escola e andar de bicicleta sem rodinhas, aos sete escovar os dentes sem supervisão,  aos oito lavar as roupas íntimas no chuveiro, e assim por diante…

      Mas crianças não são máquinas. Seus ritmos são diferentes. É preciso respeitarmos essas limitações e ao mesmo tempo superá-las sempre que a tarefa esteja ficando fácil demais. Mesmo que isso signifique mais trabalho para nós, pais. Se queremos filhos independentes não podemos lhes servir o almoço à mesa, já picado, amassado e misturado – quase pré-mastigado – sob risco de amputarmos-lhes as asas.

      Como forma de avaliar seu desenvolvimento, impus-lhe alguns obstáculos. Coisas simples, como ir à padaria na esquina, arrumar sua cama, retirar seus pratos da mesa, arrumar o quarto de brincar, ensinar tarefinhas à sua irmã caçula, lavar suas calcinhas, arrumar sua mochila, quando for dormir na casa da avó, e fazer suas tarefas sozinhas. Se, quando completar 10 anos, ela ainda desejar um cachorrinho e tiver demonstrado merecê-lo, voltaremos a conversar sobre o assunto.

      Não ouso querer ditar regras em assunto de tal natureza. Cada um sabe os filhos que tem e como lidar com eles. Mas revejo a todo instante a forma como estou lidando com a autonomia de minhas filhas. Não quero vê-las chegar à idade adulta e encarar uma liberdade que não fizeram por onde merecer.

      Quer um cachorrinho? Vai ter de lhe dar comida, banho e limpar suas sujeiras. Sem falar que, quando viajar, terá de encontrar quem irá tomar conta do bichinho. Topa? Se não, nada feito.

       

      “A cada novo minuto você tem a liberdade e a responsabilidade de escolher para onde quer seguir, mas é bom lembrar que tudo na vida tem seu preço.” – Zibia Gasparetto

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        E eu não posso fazer nada…


        Eu não vou começar este post dizendo: Eu sabia, eu avisei!!! Para não ficar conhecida como a mãe superprotetora que impede as filhas de crescer e aprender por conta própria… Mas que eu avisei, avisei… mas que eu sabia, sabia!!!

        Também, quem foi o louco que disse que handebol é esporte para menininhas? Ainda mais quando elas pesam menos de 24kg e são tão frágeis! Não, eu não sei quem foi, mas se eu o encontrasse agora coisa boa não faria.

        Eu sei que não dá pra criar os filhos numa redoma, que mais cedo ou mais tarde é preciso abrir a gaiola para os passarinhos alçarem voo solo. Mas tinha de voltar pra casa com a asinha machucada logo nas primeiras tentativas?

        Minha atleta está com o bracinho imobilizado. Logo o direito, imaginem!!! Não dá pra não sentir uma peninha danada da bichinha. E vou logo pedindo desculpas pelas numerosas alusões avícolas deste pequeno texto, porque quem está a escrever agora é a própria encarnação da galinha-mãe, que deseja manter sob suas asas seus pintinhos indefesos e contundidos, ainda que esta não seja necessariamente a vontade deles.

        Eu deveria estar grata por ela não ter quebrado nenhum osso. E estou, sério. Mas o que me incomoda mesmo é esta enorme sensação de impotência que sinto diante da especulação de todos acidentes que ainda podem lhe acontecer.

        O duro depois disso tudo é ouvir da sua boca a fatídica pergunta, dirigida ao ortopedista, logo após concluir o enfaixamento de seu braço:  - Doutor, quando é mesmo que eu poderei voltar a jogar? Bem se vê que suas preocupações são outras… 

        Benditos sejam os anos dourados da infância!

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          Quem sai aos seus não degenera…


          A primeira etapa acabou. Estou feliz que tenhamos segundo turno, mas tenho me sentido tão carregada e tensa que a qualquer momento sinto que posso explodir. O problema quando se trabalha sob pressão é que ela tem de ser aliviada com jeitinho, tal qual ocorre com uma panela sob um jato de água fria.

          Se algum desavisado abrir a tampa por descuido, o resultado pode ser catastrófico. Basta uma porta de geladeira mal fechada, uma palavra empregada na hora e sentido errados ou uma contrariedadezinha qualquer para dar origem à terceira grande guerra mundial.

          Nessas circunstâncias, minha alteração emocional quase sempre afeta quem está perto, como uma onda de tsunami. Vibro numa frequência mais acelerada que o normal e, se já sou conhecida por viver ligada no 220v, passo a funcionar na velocidade 5 do créu. Imaginem!

          Quando não estão ocupadas, minhas mãos suam. Isso pode ser um grande incômodo, quando se tem 15 anos e o rapaz que paqueramos está prestes a tocá-las pela primeira vez. Desde a infância, passei por vários médicos que chegaram a me prescrever até aplicações semestrais de botox (toxina botulínica) para manter as mãos enxutas. A outra opção seria uma “pequena” cirurgia no cérebro, que diminuiria a sudorese do meu corpo por completo (aí já é demais!). Bom, felizmente para mim, descobri um meio mais natural e menos invasivo de mantê-las secas.

          Detesto suar a camisa fazendo esportes aeróbicos e tenho um certo preconceito com as pessoas que frequentam academia. Admito que preciso de ajuda quanto a isso: na minha concepção, as enxergo quase sempre como pessoas fúteis, desocupadas, nem um pouco intelectualizadas e o pior é que não me sinto bem nesses ambientes, justamente por imaginar que estão pensando o mesmo quanto a mim.

          Eu sei, de perto ninguém é normal… Estou confessando a vocês uma neurose/preconceito/bloqueio com o qual venho tentando lutar há muito tempo. Seria bem mais fácil para mim se duas horas de corrida me deixassem cheia de endorfinas, exaurissem a maior parte de minha adrenalina e ainda, de quebra, me esculpissem magérrima como eu costumava ser antes da Mariana, de modo a caber novamente num jeans 36.

          Mas não é o que ocorre, minhas opções de manter o estresse sob controle limitam-se à terapia ocupacional, à acupuntura e a alguns exercícios de ioga, que mantêm a minha mente menos agitada. É o mais zen que posso me tornar.

          Para aliviar essa tensão à flor da pele, costumo direcionar minha ansiedade a atividades que me proporcionem um resultado concreto – palpável – como o artesanato, a culinária, o bordado e a costura. É a minha forma de aquietar a mente e descarregar minhas energias. Por isso, não minto quando digo que descanso carregando pedras.

          A correria deste período não me impediu de notar uma alteração no comportamento da minha caçula. De uns tempos para cá, ela deu para roer roupas e todo material, digamos assim, mastigável que lhe caía às mãos.

          À noite, para convencê-la a dormir em sua cama sozinha, costumamos deixar uma camiseta minha ou de Mário, com nosso cheiro, para lhe dar segurança. Acontece que a camiseta quase sempre acorda roída, como se tivesse sido alvo da rataria de Hamelin.

          Não é muito difícil deduzir que, carregando no DNA o gene de mãe culpada, interpretei tal comportamento “raivoso” como consequência da minha rotina de trabalho e do meu humor, ou melhor dizendo, mau-humor recente.

          Imediatamente veio à minha mente seu desmame: quando Maricota tinha 16 meses, precisei viajar a trabalho por quatro dias, durante os quais Mário a desmamou, brava e heroicamente. Claro!!! Isso só poderia ser raiva porque novamente ela deve estar se sentindo abandonada! Só podia ser. Que tipo de mãe sou eu??? Vesti o uniforme da mea-culpa e tentei lhe dar mais atenção em todas as atividades no período em que estivéssemos juntas.

          Mas… de nada adiantou. As roeduras continuaram, avançando para pés de Barbie, tampas de caneta, pontas de lápis, quinas de móveis e até pontas de almofadas e travesseiros.

          Antes que sua compulsão a deixasse sem ter o que vestir e destruísse por completo com a decoração daqui de casa, resolvemos consultar um especialista.

          A resposta me soou mais simples que o esperado. É impressionante como nós mães, histriônicas por natureza, temos essa capacidade de fazer tempestades em copos d´água e de assumir a responsabilidade por um derramamento de petróleo no mar do oriente médio ou pelos conflitos raciais na África do Sul.

          Desde agosto, interrompi as aulas de natação das meninas, devido às chuvas típicas dessa época do ano, já que a piscina é descoberta e não temos aquecedor solar. Ninguém merece nadar numa água gelada, debaixo de chuva, enquanto viroses e resfriados desfilam pelas carteiras escolares mais sorrateiros que santinhos dos políticos perambulam pelas ruas da cidade em dias de eleição.

          Segundo o psicólogo, a Mariana estaria sofrendo com energia acumulada. Bastaria retomar as aulas de natação ou fazer mais atividades ao ar livre para resolver o problema. Era só energia querendo sair!!!! Cada um a canaliza de um jeito. Eu suo nas mãos, a Maricota rói.

          Quem sai aos seus não degenera. Eu não poderia esperar que nascessem bananas na minha macieira, poderia?

            posted by Feito a Mão in papo de mãe and have Comentários (27)