Parece que foi ontem que eu voltei da maternidade com um pacotinho no colo, de olhos pidões e cheirinho embriagante.
Nunca antes tinha visto uma coisinha tão indefesa e altamente cativante. Nenhum outro bebê, nem mesmo os de revista, me pareciam mais belos e perfeitos.
Talvez fossem os hormônios, que a natureza sabiamente altera para que possamos amar incondicionalmente esses seres e reconhecê-los em meio a uma multidão. Talvez fosse minha natureza fêmea, satisfeita de ter cumprido seu papel reprodutor. Talvez fosse simplesmente orgulho de ter sido instrumento divino e, de certa forma, co-autora na criação de outra vida. Mas o fato é que aquele foi o dia mais feliz da minha vida, até então.
Naquela época, por vários motivos, só coloquei babá ao final da minha licença maternidade. Quando me via comentar sobre a trabalheira de cuidar de um bebê recém-nascido sozinha, minha mãe geralmente me consolava dizendo que o pior estava por vir e que esse trabalho braçal, por incrível que parecesse, era o que havia de mais fácil na tarefa de educar uma criança. Mainha sempre teve esse jeito casca grossa de me fazer superar as adversidades da vida e não tenho dúvidas de que meu perfeccionismo se deve a isso.
Ela estava certíssima. Aliás, como costuma acontecer quase sempre.
Dez anos se passaram e hoje parece que escuto a vozinha da minha mãe dizendo: – Tá vendo? Era a isso a que eu me referia.
Algumas de vocês que acompanham o blog desde o início, ou que o leram desde o comecinho, escreveram-me perguntando sobre os preparativos da festinha da Clarinha. Pois é, se vocês estão estranhando e sentindo falta disso, imaginem ela! Mas este ano ela não fez por merecer.
Eu acredito que bater não é o melhor meio de se educar um filho. Cada cabeça, uma sentença, é verdade, mas eu herdei o jeitão casca grossa da minha mãe. Não sou de passar a mão e não relevo uma conduta errada, até que tenha total certeza do arrependimento e da promessa de mudança. Mesmo assim, não se muda o passado, é preciso mostrar que todas as nossas ações têm consequências.
Sou intensa em todas as minhas atitudes de mãe, inclusive na hora da punição. Mesmo que isso me deixe com o coração partido. Sim, porque por trás de toda mãe leoa há uma menininha interna que morre de vontade de se juntar àqueloutra que está fazendo birra e lhe dizer: – Eu também já passei por isso, o remédio é amargo, mas é para o seu bem. Você vai ver.
E embora a festa, do jeito que vocês estão acostumados, não vai pintar por aqui – não neste ano, não em março – a semana que passou foi recheada de pequenas comemorações, só para lembrar que continuamos amando-a muito, principalmente nessas horas. É importante que ela entenda que o castigo foi imposto em razão de uma conduta específica e não para simplesmente puni-la. E que a data de 02 de março sempre será um marco em nossas vidas.
Ontem à tarde, fizemos uma sessão fotográfica familiar e, à noite, visitamos o observatório para ver Marte, Júpiter e a Lua e jantamos em seu restaurante favorito. Foi uma forma interessante de passar o aniversário da minha pequena cientista!
A semana de pequenas celebrações começou com o almoço de domingo, quando fiz seu prato preferido, penne ao molho quatro queijos, e prossegue ainda hoje, quando ela passará a tarde em companhia dos avôs paternos.
Bem, vamos deixar de conversa. Esta receita vai especialmente para a aniversariante de ontem, a minha filha amada, que sabe ser doce e gentil como ninguém, quando quer, mas certamente vai servir para muitas outras pessoas igualmente apaixonadas por massas e molhos de queijos.
Penne aos quatro queijos
Usei uma massa importada que tinha vindo numa cesta que ganhamos no natal.
Para o molho, usei:
1 lata de creme de leite, com soro e tudo
3 partes iguais de queijo gruyère, parmesão e fundido
1/3 parte de queijo gorgonzola
O importante é usar medidas aproximadas. Não precisa ser muito exato, mas cuidado pra não abusar no gorgonzola. Use menos da metade da medida que usou para os outros queijos. Seu sabor é mais enjoativo.
Não tem mistério. Cozinhe o penne, em água e sal e, enquanto isso, rale os queijos no processador, ou ralador.
Em outra panela, leve ao fogo o creme de leite e os queijos e mexa até derreterem. Jogue por cima da massa escorrida e polvilhe queijo parmesão por cima. Fica divino se você usar o maçarico pra finalizar.
Desta vez, o molho ficou mais encorpado, pois usei mais queijo que o de costume. Se preferir um molho mais líquido, diminua as medidas de queijo ou acrescente leite. Vá provando aos pouquinhos e ajuste o sal se precisar, mas como os queijos já são salgados, duvido que precise.
Um excelente final de semana a todos!
Claudinha
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Este post deveria ter sido publicado ontem, mas a correria não deixou.




