Clarinha me ajudava a descarregar a feira quando encontrou um pacote de castanhas caramelizadas, de que ela tanto gosta. Foi então que soltou a pérola:
- Você é a M.M.U.I.!!!! M.M.U.I.!!! M.M.U.I.!!!
Eu, que já estou acostumada com seus acrósticos e mnemônicos, fiquei tentando traduzir o que seria a tal sigla, e arrisquei:
- Melhor Mãe do Universo Inteiro?
- Não, mãe, o universo não tem fim, ora!!! Melhor Mãe do Universo Infinito.
O título, embora tentador, não me caiu bem e dele não me apoderei, por absoluta consciência de que não me pertencia. Tenho para com elogios exagerados a mesma dificuldade de engolir comprimidos grandes e remédios amargos.
Noutro dia, porém, a conversa era com a Mariana, que além de ter os pés bem plantados no chão, tem também os mesmos elevados padrões de exigência, como a mãe dela. Não me lembro mais o que eu fiz para agradá-la, mas foi algo que a fez concluir:
- Mãe, você é a melhor mãe que eu pude ter.
Alguns segundos de silêncio depois, eu lhe respondi – Mari, eu sou de fato a melhor mãe que eu posso ser. E naquele elogio realista, sem exagero, sincero e justo, eu me encontrei. Foi o melhor elogio que já recebi na vida, porque era verdadeiro. Eu não apenas sou a melhor mãe que ela pôde ter, como sou a única.
Tenho plena consciência das minhas qualidades como mãe, mas elas não me impedem de reconhecer os meus inúmeros defeitos. Sou humana, tenho cá minhas limitações e, embora eu divulgue no blog apenas os meus ângulos fotogênicos, tenho reações que vivo tentando superar e contornar o tempo todo.
Quando estou estressada e não consigo deixar meus problemas do lado de fora, tenho uma tendência a explodir por bobagens. Um guarda-roupa desarrumado, uma tarefa mal feita, uma briga entre irmãs, uma resposta malcriada, enfim, nada que eu mesma não tenha feito na idade delas. O problema é que só percebo que elevei a voz quando minha garganta dá sinais de fadiga. Fico me sentindo a mosca do cocô do cavalo do bandido, por não ter conseguido controlar meus nervos. Respiro fundo, conto até 10 e recomeço, num volume mais baixo. Quem grita perde a razão, diz o senso comum.
Foi então que resolvi convidar a Rafaela Gonçalves, que é psicóloga infantil e tem um blog direcionado à orientação de pais, para conversar conosco sobre esse assunto, porque desconfio que não estou sozinha nesse barco e creio que o que a Rafaela tem a nos dizer pode nos ajudar a sermos as melhores mães e os melhores pais que pudermos ser.
Com a proximidade do dia dos pais, o texto abaixo não poderia ser mais propício. Leva-nos a uma reflexão sobre o nosso papel de educadores e formadores de personalidade. Com vocês, Rafaela Gonçalves, do Orientação aos Pais.
Como controlar a nossa agressividade ao aplicar um castigo nos filhos?
“Olá!! Meu nome é Rafaela, sou Psicóloga clínica e mantenho um blog de Orientação aos Pais no ar! Antes de falar sobre o tema, preciso agradecer a oportunidade de estar aqui no Feito a Mão! Acompanho desde o ano passado quando queria dar um ar mais personalizado ao grupo de terapia para crianças que tenho, e me surpreendi com tanta delicadeza e cuidado nas produções feitas pela Claudinha! E virei fã!
Agora, aqui estou eu, para conversar com vocês sobre um assunto delicado, sugerido pela própria Cláudia, mais que precisa ser discutido: Como controlar a agressividade ao aplicar um castigo?
Com as atribuições do dia a dia de trabalho, cuidados da casa, responsabilidades da família, etc. sobra bem pouco tempo para cultivar a paciência. Tenho percebido que, de um tempo pra cá, os pais têm terceirizado cada vez mais a educação para professores, familiares, e até nós, psicólogos. Acreditam muitas vezes que são incapazes de formar e educar pessoas. Recebo com frequência casos assim lá no consultório, e nesse momento preparo os pais a tomarem as rédeas da educação dos seus filhos, não é fácil, não é rápido, mas a satisfação de conseguirem não tem preço! Essa pequena introdução foi para encorajá-los a identificar onde está a verdadeira dificuldade, se na criança obedecer, ou se nos pais em aplicar as regras diárias.
Quando falamos em limites, obediência, estamos falando de regras. E antes da aplicação delas deve existir toda uma preparação, uma combinação de acordos entre os adultos. Depois de escolhidas e anunciadas para os pequenos, está na hora da aplicação! Lembrem-se que nenhuma criança obedece regras porque gostam, quando muito novinhas o fazem por amor incondicional aos pais; quando mais velhas, fazem à medida que acham coerentes (aqui cresce o desafio, ser coerente ao aplicar uma regra implica dizer se você, enquanto adulto, também o faz). Quando isso acontece é comum os adultos entrarem num jogo de medir forças de quem manda mais!
Quando entram nesse jogo, todos saem perdendo, regras foram feitas por adultos responsáveis e que sabem (ou estão se esforçando) o que é melhor para seus filhos. Na hora da aplicação de tais regras a dica mais preciosa é: tenha em mente a regra descumprida, não desfoque, seguros do que estão fazendo não têm motivos para descontrole. As crianças vão tentar a todo custo burlar tais normas, e cabe ao adulto manter a firmeza daquilo que acreditam.
E se não forem regras quebradas e sim estresses diários? Neste caso mudamos completamente o foco das crianças e passamos aos adultos. O que tem te tirado a paz quando o assunto é a educação dos filhos? O que tem te irritado? Saber disso é importante para começar um processo de mudança!
Todos temos frustrações suficientes para darmos doses extras aos filhos, se naquele momento está percebendo que a situação saiu do controle, está na hora de passar a bola para o companheiro, ou outro adulto responsável, isso não será um passo para trás, muito pelo contrário, continuar insistindo nesse descontrole só vai trazer a culpa horas depois, e quando isso acontece a autoestima vai lááá pra longe! Quando estiver com a cabeça mais fria, chame os filhos para uma conversa, explique o que tem te deixado nervosa (o) e achem soluções juntos para isso, se derem oportunidades das crianças opinarem talvez se surpreendam com as saídas simples que encontrarão!
Bom gente é importante lembrar que cada família é um universo único, cheio de valores adquiridos e tantos outros construídos. Não existe uma fórmula mágica, nem uma forma simples de fazer, mais todos nós podemos modificar um padrão de comportamento a partir de atitudes diferentes, afinal, resultados diferentes só acontece quando nós ousamos nos comportar diferente. Quando existe amor, não existem erros, existem tentativas de acertos, talvez com pequenos ajustes tudo possa funcionar de uma forma saudável para todos!
Vou ficando por aqui na expectativa de ter estimulado aos leitores promoverem mudanças!!
Bjos,
Rafaela Gonçalves
Psicóloga
CRP 15/2886”
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Obrigada, Rafa, por aceitar o meu convite. Fico muito honrada com sua presença e tenho certeza de que seu texto ajudou bastante a clarear os caminhos de quem, como eu, vive em busca de superar suas limitações, seja como mãe ou como pessoa, num sentido mais amplo.
Um grande abraço,
Claudinha