Archive for the 'papo de mãe' Category

Orgulho da mamãe


Ao ler a poesia que minha filha escreveu para um trabalho de escola, concluo que nossa postura ao longo desses dez anos de sua vida deve estar sendo correta. Vocês não imaginam o quanto isso me dá um certo alívio: ver que ela está crescendo, não apenas por fora, e que está encarando o mundo de acordo com os princípios que temos lhe transmitido.

Impossível não me orgulhar e me emocionar ao ler o texto abaixo. Mais impossível ainda é não sentir um imenso desejo de compartilhá-lo com o mundo todo.  Imagem (17)

Igualdade entre todos

(Mª Clara Ramalho)

Seja moreno, seja branco, seja amarelo ou até azul,

Tenha olho puxado, tenha olho gordo ou até zarolho,

Somos todos iguais.

 

Seja rico ou pobre,

Seja evangélico, católico, budista ou até ateu,

Somos todos iguais.

 

Fale inglês, japonês, português, croata ou até dinamarquês…

Seja pequeno, médio, grande ou até do tamanho do Empire State,

Somos todos iguais.

 

Seja loiro, moreno, careca ou cabeludo, tenha até cabelo roxo!

Seja homem ou mulher,

Somos todos iguais.

 

O que importa é ser amado.

O que importa é ser aceito.

Somos todos iguais por dentro.

Então, diga não ao preconceito.

 

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Notaram a moça de burca no desenho? Fala se não é para ficar orgulhosa de uma coisa dessas?

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Gente, hoje estou embarcando numa pequena viagem: vou ali confraternizar com pessoas queridas e participar de um evento muito especial e volto já . Conto tudo depois, pra não estragar a surpresa.

Tenho ainda muita coisa pra escrever e postar sobre a festinha da Mariana e sobre umas receitinhas maravilhosas que andei testando. Além das experiências da nossa Confraria das Panelas, que finalmente saiu do mundo dos planos!

Falta tempo para organizar tudo isso. Tem acontecido tanta coisa nova em minha vida e tudo ao mesmo tempo! O bom é que dentro em breve essa agitação toda estará repercutindo aqui no blog, com posts cheinhos de novidades.

Tenham todos um final de semana abençoado,

Claudinha.

    posted by Feito a Mão in conversa fiada,papo de mãe and have Comentários (36)

    Você tem fome de quê?


    Quem não me vê desde fevereiro toma um susto e, imediatamente, me pergunta como eu fiz para emagrecer, naturalmente esperando que eu indique uma fórmula mágica ou o nome de alguma nutricionista milagrosa.

    Quase sempre percebo que minha resposta é decepcionante: não tem segredo. Fechei a boca, comecei uma reeducação alimentar séria e passei a praticar exercício físico 4 vezes por semana, com obediência.

    A gente tende a achar a grama do vizinho mais verde, esquecendo-se de perguntar quantos quilos de adubo, litros de uréia ou tempo de jardinagem ele dedicou até chegar àquele resultado. É sempre mais fácil culpar a ineficiência de nosso jardineiro ou a origem duvidosa da terra que usamos em nosso jardim que reconhecer que estamos sendo desleixados. Estamos sempre à procura de um atalho, um caminho mais fácil que nos leve ao nosso objetivo em tempo recorde, sem muito sacrifício.

    Já reparou como todo mundo que está acima do peso tem uma desculpa na ponta da língua pra se justificar? “Meu metabolismo é lento”, “Tive duas gravidezes”, “Já passei dos 30”, “Tenho distúrbios hormonais”, “Não tenho tempo pra exercícios”. Você nunca ouve um sincero: “Eu engordo porque como muito e sou sedentário”.

    Eu mesma me escondi por trás dessas desculpas durante muito tempo. Elas de fato eram verdade: eu já passei dos 30, tenho distúrbios da tireóide, meu metabolismo é lento e já engravidei duas vezes. Mas e daí? Será que eu não estava agravando a situação com meu sedentarismo e minha alimentação inadequada? Eu vinha fazendo a parte que dependia só de mim?

    Para a idade, não tem remédio. Não posso querer, aos 38, ter o peso e o corpinho que tinha aos 20 anos. Mas para tireóide, há hormônios. Para metabolismo lento, há atividade física e dieta específica. E, para compulsão alimentar, há um negócio chamado vergonha na cara!

    Muitas vezes o que a gente tá precisando é de uma psicóloga e não de uma nutricionista para resolver o problema da ansiedade, que nos conduz à compulsão. Identificar qual engrenagem está desregulada é imprescindível para controlar a compulsão alimentar. A gente não come demais à toa.

    O que leva alguém a comer? Fome, vocês poderiam responder. Afinal, é um instinto natural de preservação: comer quando se tem fome; sentir fome, quando se precisa de alimento. Ah, se fosse simples assim!

    O ser humano é um bichinho complexo. Desde pequenos, somos induzidos a confundir alimento com carinho. Basta chorar e lá vem o peito materno nos consolar. Quando crescemos, nos ensinam que comer e raspar o prato é uma forma de agradar as pessoas que amamos: “come, come, come que a mamãe fica contente”. Quando ficamos adultos, comer em grupo passa a ser um ritual utilizado para comemorar eventos especiais e quem não participa dessas ocasiões acaba virando um pária, que ninguém convida para mais nada.

    Há muito tempo, comer deixou de ser um ato suficiente apenas à nossa subsistência e passou a ser a fonte de muitos de nossos problemas. Não é uma incongruência que o país do Fome Zero seja também o país com taxa de 15,8% de obesidade?

    Um belo dia, me vi numa foto, ao lado das minhas irmãs, e tomei um susto! Foi um santo remédio. Um tapa na cara que me fez acordar e enxergar minha verdadeira situação.

    Sabe quando a imagem real não corresponde à imagem que fazemos de nós mesmos? Eu não me via daquele jeito, mas eu ESTAVA assim, não dava mais para negar.

    Como cheguei àquele ponto, eu não sei exatamente, mas posso dizer que foi o resultado da complacência reiterada durante anos a fio, depois que me tornei mãe. Não bastasse compensar minha ansiedade na comida, eu estava relegando totalmente a atividade física a um nível insignificante no meu dia a dia.

    Revendo minha vida deste ponto em que estou, concluo que desde que as meninas nasceram foram poucas as épocas em que mantive a atividade física como parte fixa em minha rotina. Desde que nasceu a minha caçula, então, foi o caos. Eu sentia uma leve culpa por me ausentar para cuidar de mim. Imaginava que elas sentiriam minha falta, que eu era imprescindível naquele momento, que algo terrível lhes poderia acontecer. Que eu já me ausentava 8h por dia por causa do trabalho, não teria o direito de sumir por mais tempo. Some-se a isso o gosto pelas panelas e um apetite imensurável e você encontrará o caminho que estava me guiando à obesidade.

    Sabe como eu consegui mudar o meu ciclo de sedentarismo? Apertando minha agenda. Eu costumo dizer que encontramos tempo para fazer tudo o que gostamos e desculpas, para deixar de fazer todo o resto.

    Vivo levando minhas filhas pra cima e pra baixo: aulas de inglês, catequese, natação, balé, o diabo a quatro. E se eu tirasse proveito da minha função de mãetorista e começasse a fazer algo por mim, nesses intervalos? Caminhar já seria um bom começo, mas encaixar uma aula de hidroginástica seria melhor ainda. E Pilates, que tal? Dá pra encaixar Pilates nos horários da aula de inglês? Tanto melhor!

    E fez-se a luz!

    Eis que hoje eu já não sou mais sedentária. Incorporei, SEM CULPA, a atividade física de forma definitiva na minha vida e estou a dois passos do paraíso. Falta pouquinho, mas eu chego lá. O mais difícil eu já fiz: parei com as desculpas e assumi a inteira responsabilidade pelo meu corpo, minha saúde e meu futuro. Nunca é tarde.

    Um final de semana iluminado a todos!

    Claudinha

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    Fonte da imagem: aqui.

      posted by Feito a Mão in conversa fiada,papo de mãe,saúde and have Comentários (43)

      Molho aos quatro queijos, para minha Maria Clara


      Parece que foi ontem que eu voltei da maternidade com um pacotinho no colo, de olhos pidões e cheirinho embriagante.

      Nunca antes tinha visto uma coisinha tão indefesa e altamente cativante. Nenhum outro bebê, nem mesmo os de revista, me pareciam mais belos e perfeitos.

      Talvez fossem os hormônios, que a natureza sabiamente altera para que possamos amar incondicionalmente esses seres e reconhecê-los em meio a uma multidão. Talvez fosse minha natureza fêmea, satisfeita de ter cumprido seu papel reprodutor. Talvez fosse simplesmente orgulho de ter sido instrumento divino e, de certa forma, co-autora na criação de outra vida. Mas o fato é que aquele foi o dia mais feliz da minha vida, até então.

      Naquela época, por vários motivos, só coloquei babá ao final da minha licença maternidade. Quando me via comentar sobre a trabalheira de cuidar de um bebê recém-nascido sozinha, minha mãe geralmente me consolava dizendo que o pior estava por vir e que esse trabalho braçal, por incrível que parecesse, era o que havia de mais fácil na tarefa de educar uma criança. Mainha sempre teve esse jeito casca grossa de me fazer superar as adversidades da vida e não tenho dúvidas de que meu perfeccionismo se deve a isso.

      Ela estava certíssima. Aliás, como costuma acontecer quase sempre.

      Dez anos se passaram e hoje parece que escuto a vozinha da minha mãe dizendo: – Tá vendo? Era a isso a que eu me referia.

      Algumas de vocês que acompanham o blog desde o início, ou que o leram desde o comecinho, escreveram-me perguntando sobre os preparativos da festinha da Clarinha. Pois é, se vocês estão estranhando e sentindo falta disso, imaginem ela! Mas este ano ela não fez por merecer.

      Eu acredito que bater não é o melhor meio de se educar um filho. Cada cabeça, uma sentença, é verdade, mas eu herdei o jeitão casca grossa da minha mãe. Não sou de passar a mão e não relevo uma conduta errada, até que tenha total certeza do arrependimento e da promessa de mudança. Mesmo assim, não se muda o passado, é preciso mostrar que todas as nossas ações têm consequências.

      Sou intensa em todas as minhas atitudes de mãe, inclusive na hora da punição. Mesmo que isso me deixe com o coração partido. Sim, porque por trás de toda mãe leoa há uma menininha interna que morre de vontade de se juntar àqueloutra que está fazendo birra e lhe dizer: – Eu também já passei por isso, o remédio é amargo, mas é para o seu bem. Você vai ver.

      E embora a festa, do jeito que vocês estão acostumados, não vai pintar por aqui – não neste ano, não em março – a semana que passou foi recheada de pequenas comemorações, só para lembrar que continuamos amando-a muito, principalmente nessas horas. É importante que ela entenda que o castigo foi imposto em razão de uma conduta específica e não para simplesmente puni-la. E que a data de 02 de março sempre será um marco em nossas vidas.

      Ontem à tarde, fizemos uma sessão fotográfica familiar e, à noite, visitamos o observatório para ver Marte, Júpiter e a Lua e jantamos em seu restaurante favorito. Foi uma forma interessante de passar o aniversário da minha pequena cientista!

      A semana de pequenas celebrações começou com o almoço de domingo, quando fiz seu prato preferido, penne ao molho quatro queijos, e prossegue ainda hoje, quando ela passará a tarde em companhia dos avôs paternos.

      Bem, vamos deixar de conversa. Esta receita vai especialmente para a aniversariante de ontem, a minha filha amada, que sabe ser doce e gentil como ninguém, quando quer, mas certamente vai servir para muitas outras pessoas igualmente apaixonadas por massas e molhos de queijos.

      Molho aos quatro queijos

      Penne aos quatro queijos

      Usei uma massa importada que tinha vindo numa cesta que ganhamos no natal.

      Para o molho, usei:

      1 lata de creme de leite, com soro e tudo

      3 partes iguais de queijo gruyère, parmesão e fundido

      1/3 parte de queijo gorgonzola

      O importante é usar medidas aproximadas. Não precisa ser muito exato, mas cuidado pra não abusar no gorgonzola. Use menos da metade da medida que usou para os outros queijos. Seu sabor é mais enjoativo.

      Não tem mistério. Cozinhe o penne, em água e sal e, enquanto isso, rale os queijos no processador, ou ralador.

      Em outra panela, leve ao fogo o creme de leite e os queijos e mexa até derreterem. Jogue por cima da massa escorrida e polvilhe queijo parmesão por cima. Fica divino se você usar o maçarico pra finalizar.

      Desta vez, o molho ficou mais encorpado, pois usei mais queijo que o de costume. Se preferir um molho mais líquido, diminua as medidas de queijo ou acrescente leite. Vá provando aos pouquinhos e ajuste o sal se precisar, mas como os queijos já são salgados, duvido que precise.

      Um excelente final de semana a todos!

      Claudinha

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      Este post deveria ter sido publicado ontem, mas a correria não deixou.

        posted by Feito a Mão in culinária,papo de mãe and have Comentários (39)

        Como controlar a nossa agressividade ao aplicar um castigo nos filhos? Convidada especial: Rafaela Gonçalves


        Clarinha me ajudava a descarregar a feira quando encontrou um pacote de castanhas caramelizadas, de que ela tanto gosta. Foi então que soltou a pérola:

        - Você é a M.M.U.I.!!!! M.M.U.I.!!! M.M.U.I.!!!

        Eu, que já estou acostumada com seus acrósticos e mnemônicos, fiquei tentando traduzir o que seria a tal sigla, e arrisquei:

        - Melhor Mãe do Universo Inteiro?

        - Não, mãe, o universo não tem fim, ora!!! Melhor Mãe do Universo Infinito.

        O título, embora tentador, não me caiu bem e dele não me apoderei, por absoluta consciência de que não me pertencia. Tenho para com elogios exagerados a mesma dificuldade de engolir comprimidos grandes e remédios amargos.

        Noutro dia, porém, a conversa era com a Mariana, que além de ter os pés bem plantados no chão, tem também os mesmos elevados padrões de exigência, como a mãe dela. Não me lembro mais o que eu fiz para agradá-la, mas foi algo que a fez concluir:

        - Mãe, você é a melhor mãe que eu pude ter.

        Alguns segundos de silêncio depois, eu lhe respondi – Mari, eu sou de fato a melhor mãe que eu posso ser. E naquele elogio realista, sem exagero, sincero e justo, eu me encontrei. Foi o melhor elogio que já recebi na vida, porque era verdadeiro. Eu não apenas sou a melhor mãe que ela pôde ter, como sou a única.

        Tenho plena consciência das minhas qualidades como mãe, mas elas não me impedem de reconhecer os meus inúmeros defeitos. Sou humana, tenho cá minhas limitações e, embora eu divulgue no blog apenas os meus ângulos fotogênicos, tenho reações que vivo tentando superar e contornar o tempo todo.

        Quando estou estressada e não consigo deixar meus problemas do lado de fora, tenho uma tendência a explodir por bobagens. Um guarda-roupa desarrumado, uma tarefa mal feita, uma briga entre irmãs, uma resposta malcriada, enfim, nada que eu mesma não tenha feito na idade delas. O problema é que só percebo que elevei a voz quando minha garganta dá sinais de fadiga. Fico me sentindo a mosca do cocô do cavalo do bandido, por não ter conseguido controlar meus nervos. Respiro fundo, conto até 10 e recomeço, num volume mais baixo. Quem grita perde a razão, diz o senso comum.

        Foi então que resolvi convidar a Rafaela Gonçalves, que é psicóloga infantil e tem um blog direcionado à orientação de pais, para conversar conosco sobre esse assunto, porque desconfio que não estou sozinha nesse barco e creio que o que a Rafaela tem a nos dizer pode nos ajudar a sermos as melhores mães e os melhores pais que pudermos ser.

        Com a proximidade do dia dos pais, o texto abaixo não poderia ser mais propício. Leva-nos a uma reflexão sobre o nosso papel de educadores e formadores de personalidade. Com vocês, Rafaela Gonçalves, do Orientação aos Pais.

         

        castigo

        Como controlar a nossa agressividade ao aplicar um castigo nos filhos?

        “Olá!! Meu nome é Rafaela, sou Psicóloga clínica e mantenho um blog de Orientação aos Pais no ar! Antes de falar sobre o tema, preciso agradecer a oportunidade de estar aqui no Feito a Mão! Acompanho desde o ano passado quando queria dar um ar mais personalizado ao grupo de terapia para crianças que tenho, e me surpreendi com tanta delicadeza e cuidado nas produções feitas pela Claudinha! E virei fã!

        Agora, aqui estou eu, para conversar com vocês sobre um assunto delicado, sugerido pela própria Cláudia, mais que precisa ser discutido: Como controlar a agressividade ao aplicar um castigo?

        Com as atribuições do dia a dia de trabalho, cuidados da casa, responsabilidades da família, etc. sobra bem pouco tempo para cultivar a paciência. Tenho percebido que, de um tempo pra cá, os pais têm terceirizado cada vez mais a educação para professores, familiares, e até nós, psicólogos. Acreditam muitas vezes que são incapazes de formar e educar pessoas. Recebo com frequência casos assim lá no consultório, e nesse momento preparo os pais a tomarem as rédeas da educação dos seus filhos, não é fácil, não é rápido, mas a satisfação de conseguirem não tem preço! Essa pequena introdução foi para encorajá-los a identificar onde está a verdadeira dificuldade, se na criança obedecer, ou se nos pais em aplicar as regras diárias.

        Quando falamos em limites, obediência, estamos falando de regras. E antes da aplicação delas deve existir toda uma preparação, uma combinação de acordos entre os adultos. Depois de escolhidas e anunciadas para os pequenos, está na hora da aplicação! Lembrem-se que nenhuma criança obedece regras porque gostam, quando muito novinhas o fazem por amor incondicional aos pais; quando mais velhas, fazem à medida que acham coerentes (aqui cresce o desafio, ser coerente ao aplicar uma regra implica dizer se você, enquanto adulto, também o faz). Quando isso acontece é comum os adultos entrarem num jogo de medir forças de quem manda mais!

        Quando entram nesse jogo, todos saem perdendo, regras foram feitas por adultos responsáveis e que sabem (ou estão se esforçando) o que é melhor para seus filhos. Na hora da aplicação de tais regras a dica mais preciosa é: tenha em mente a regra descumprida, não desfoque, seguros do que estão fazendo não têm motivos para descontrole. As crianças vão tentar a todo custo burlar tais normas, e cabe ao adulto manter a firmeza daquilo que acreditam.

        E se não forem regras quebradas e sim estresses diários? Neste caso mudamos completamente o foco das crianças e passamos aos adultos. O que tem te tirado a paz quando o assunto é a educação dos filhos? O que tem te irritado? Saber disso é importante para começar um processo de mudança!

        Todos temos frustrações suficientes para darmos doses extras aos filhos, se naquele momento está percebendo que a situação saiu do controle, está na hora de passar a bola para o companheiro, ou outro adulto responsável, isso não será um passo para trás, muito pelo contrário, continuar insistindo nesse descontrole só vai trazer a culpa horas depois, e quando isso acontece a autoestima vai lááá pra longe! Quando estiver com a cabeça mais fria, chame os filhos para uma conversa, explique o que tem te deixado nervosa (o) e achem soluções juntos para isso, se derem oportunidades das crianças opinarem talvez se surpreendam com as saídas simples que encontrarão!

        Bom gente é importante lembrar que cada família é um universo único, cheio de valores adquiridos e tantos outros construídos. Não existe uma fórmula mágica, nem uma forma simples de fazer, mais todos nós podemos modificar um padrão de comportamento a partir de atitudes diferentes, afinal, resultados diferentes só acontece quando nós ousamos nos comportar diferente. Quando existe amor, não existem erros, existem tentativas de acertos, talvez com pequenos ajustes tudo possa funcionar de uma forma saudável para todos!

        Vou ficando por aqui na expectativa de ter estimulado aos leitores promoverem mudanças!!

        Bjos,

        Rafaela Gonçalves
        Psicóloga
        CRP 15/2886”

         

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        Obrigada, Rafa, por aceitar o meu convite. Fico muito honrada com sua presença e tenho certeza de que seu texto ajudou bastante a clarear os caminhos de quem, como eu, vive em busca de superar suas limitações, seja como mãe ou como pessoa, num sentido mais amplo.

        Um grande abraço,

        Claudinha

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          Como criar filhos responsáveis?


          Estou de volta, pessoal. Cheguei de viagem na quarta-feira, por volta de onze da noite. Ontem foi dia de fazer feira pra reabastecer a geladeira, arrumar a casa, que estava com cheiro de guarda-chuva molhado, desfazer as malas e visitar meus pais, que já não via há mais de quinze dias.

          A viagem foi maravilhosa, pegamos um friozinho muito gostoso em Curitiba, visitamos vários parques, andamos muito pelo centro da cidade, comemos em bons restaurantes e ainda visitei uma blogueira muito querida. Farei um post específico assim que puder organizar as fotos, estou com tanta preguiça! Oficialmente estou de férias, mas me propus a colocar a casa em ordem nestes dias e a fazer um pequeno check-up – há quase dois anos não ia a nenhum médico além da minha endócrino! Então, essa etapa de férias será destinada a esse propósito.

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          Mudando de assunto, escolhi um tema reflexivo para a minha volta ao blog. Vou contar como e por que razão.

          Há algum tempo, a Clarinha vem me enchendo o juízo pedindo um cachorrinho. Piorou depois  da viagem, pois ela ficou encantada com a cadelinha da foto abaixo. Nada demais, é comum em sua idade. Acontece que eu não gosto de bichos, para dizer pouco. Na verdade, eu morro de medo de cachorros, gatos, passarinhos e companhia. Não gosto do cheiro, do barulho, da sujeira e menos ainda das obrigações que eles implicam. De modo que adotar um cãozinho iria me colocar numa situação complicada e somente por muito amor (de mãe) eu seria capaz de tal ato.

          pretinha

          Com a pretinha, da Helena Garcia, do Dia a dia corridinho

          No entanto, como é um desejo dela e não meu, é justo que a ela caibam os ônus de tal escolha. A todo direito corresponde um dever, não é assim?

          Como atribuir-lhe a responsabilidade pela vida de um ser, se ela ainda não é totalmente responsável por sua própria vida?

          Seria muito mais simples se nossos filhos viessem acompanhados de um manual, indicando a fase certa de fazer cada revisão e atualização de software. Assim, aos 2 anos seria hora de tirar as fraldas, aos três a criança deveria saber dar o laço do tênis, aos quatro deveria se vestir sozinha e escolher a própria roupa, aos cinco, limpar o bumbum e dormir desacompanhada, aos seis arrumar a mochila da escola e andar de bicicleta sem rodinhas, aos sete escovar os dentes sem supervisão,  aos oito lavar as roupas íntimas no chuveiro, e assim por diante…

          Mas crianças não são máquinas. Seus ritmos são diferentes. É preciso respeitarmos essas limitações e ao mesmo tempo superá-las sempre que a tarefa esteja ficando fácil demais. Mesmo que isso signifique mais trabalho para nós, pais. Se queremos filhos independentes não podemos lhes servir o almoço à mesa, já picado, amassado e misturado – quase pré-mastigado – sob risco de amputarmos-lhes as asas.

          Como forma de avaliar seu desenvolvimento, impus-lhe alguns obstáculos. Coisas simples, como ir à padaria na esquina, arrumar sua cama, retirar seus pratos da mesa, arrumar o quarto de brincar, ensinar tarefinhas à sua irmã caçula, lavar suas calcinhas, arrumar sua mochila, quando for dormir na casa da avó, e fazer suas tarefas sozinhas. Se, quando completar 10 anos, ela ainda desejar um cachorrinho e tiver demonstrado merecê-lo, voltaremos a conversar sobre o assunto.

          Não ouso querer ditar regras em assunto de tal natureza. Cada um sabe os filhos que tem e como lidar com eles. Mas revejo a todo instante a forma como estou lidando com a autonomia de minhas filhas. Não quero vê-las chegar à idade adulta e encarar uma liberdade que não fizeram por onde merecer.

          Quer um cachorrinho? Vai ter de lhe dar comida, banho e limpar suas sujeiras. Sem falar que, quando viajar, terá de encontrar quem irá tomar conta do bichinho. Topa? Se não, nada feito.

           

          “A cada novo minuto você tem a liberdade e a responsabilidade de escolher para onde quer seguir, mas é bom lembrar que tudo na vida tem seu preço.” – Zibia Gasparetto

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