Falta menos de um mês para a festinha da Mariana e vocês devem estar estranhando a falta de posts sobre o assunto. Em outros anos, nessa época, já havia pelos menos uns 6 ou 7 posts sobre o assunto.
Não é que eu esteja querendo fazer suspense, de modo algum, vocês já me conhecem o suficiente para saber que não sou disso. Acho uma bobagem tremenda pensar assim. Ainda mais quando se trata de um evento tão pequeno e íntimo.
Bem, a verdade é simplesmente que andei muito ocupada com o meu trabalho ultimamente e, apesar de já estar fazendo muitas coisinhas da festa, quase nada está concluído. E gosto de mostrar cada projeto do começo ao fim.
Finalmente acabei o convite. Para ser bem franca, este post não tem como finalidade principal ensinar um passo a passo, mas contar como nasceu a inspiração desse projeto e todos percalços que tive de enfrentar em sua execução.
Muitas vezes eu leio comentários de mães de primeira viagem, que se dizem sem jeito para artesanato, ou sem inspiração para criar. Quando a gente acompanha um blog de festas ou de artesanato, pode ficar com a ideia errada de que todas aqueles projetos nascem espontaneamente e são executados sem dificuldade alguma. O que nem sempre é verdade.
Fazer uma festinha a mão, sozinha, requer um bocado de trabalho, planejamento e organização. Nem sempre fazer tudo em casa vai sair mais barato que encomendar a um profissional especializado. Então, eu não recomendo que ninguém enverede por esse caminho se sua única motivação for fazer economia.
Muitas vezes, quando estamos desenvolvendo um projeto original – assim entendido como algo feito em primeira mão, não copiado de outro já pronto – estamos sujeitos a erros, desperdício de material, retrabalho, gasto de tempo para contornar os obstáculos pelo caminho, enfim, nem sempre as coisas saem como imaginávamos e é preciso ter disposição, paciência e persistência para conseguir chegar ao fim.
Com esse convite aconteceu exatamente isso. Vendo agora, já prontinho pode não parecer, mas foi o convite mais difícil e trabalhoso que eu já fiz.
A concepção do projeto nasceu da própria essência do brinquedo matrioska: uma bonequinha contendo outra e assim por diante. Eu queria que o convite expressasse essa ideia. Queria fugir daqueles tradicionais convites impressos em papel.
Após toda trabalheira e alguns custos não previstos, posso dizer que estou muito orgulhosa de mim mesma, mais pela perseverança que pelo resultado em si. Vocês vão entender do que estou falando quando acompanharem a odisseia abaixo.
1ª tentativa
Conversando com Clarinha e Mariana, minhas maiores fontes de inspiração, surgiu nossa primeira luz: uma matrioska de papel com bolsos, onde fossem colocadas as matrioskas menores.
Clarinha chegou a fazer um croqui do convite, vejam só como ela é jeitosa:
Eu até cheguei a reproduzir um protótipo, usando o mesmo kit digital que estou usando nesta festa, mas não me agradei do resultado.
Como as matrioskas do kit não tinham bolso, o bolso que eu improvisei nunca ficava bem cortado, o acabamento do verso da matrioska não ficou legal. Tentei fazer o convite em formato aberto, como um cartão, e também não gostei do resultado. A ideia era excelente, mas a execução não ficou a contento.
Fica a dica para as mais jeitosas e pacientes.
Desisti desse modelo e parti para o segundo.
2ª tentativa
Pensei em fazer um chaveiro com as matrioskas, impressas em papel couchê ou outro de gramatura mais alta.
Comprei um cordão de bolinhas de metal, usado em chaveiros, e várias trancas individuais, como esta que aparece abaixo. Minha ideia era prender as cinco matrioskas de tamanhos diferentes, contendo no verso de cada uma um trecho do texto do convite.
Na minha pressa de concluir o projeto, imprimi as matrioskas em papel linho, gramatura 180g/m², na minha impressora caseira, jato de tinta. Cortei todas, antes mesmo de fazer um teste para ver se dava certo. Cheguei a ficar com calo no polegar direito!
Só depois fui quebrar a cabeça para ver como faria o texto no verso de cada uma.
Cada matrioska deveria conter uma informação:
A maior, avisaria da festinha para comemorar o 7º aniversário da Mariana; a segunda, informaria o lugar; a terceira, a data e a hora; a quarta indicaria nossos telefones (já que a festinha será apenas para crianças) e a última se despediria carinhosamente.
Imprimi o texto num papel autocolante, recortei e tentei unir as duas peças, depois de cortadas. O acabamento não ficou bom, para variar.
Novamente, meu erro foi na execução. O que me leva a concluir que desenvolver um projeto sob forte estresse não é uma boa. Eu estava com muito trabalho, poucas horas livres e pouca paciência para coisas melindrosas. Dizem que a criatividade nasce do ócio. Eu não tenho a menor dúvida.
Acabei desistindo dessa ideia também, com uma peninha danada!
3ª tentativa
A terceira alternativa surgiu quando vi o convite que a Katinha, do Casos e Coisas da Bonfa fez para o aniversário dela. O convite ficou fantástico e fiquei morrendo de vontade de adaptar o projeto ao tema da festinha da Maricota.
Katinha gentilmente me cedeu o modelo do envelope e eu me pus a quebrar a cabeça, para fazer o convite usando matrioskas.
Só que a graça e o charme desse modelo estão justamente na composição do visual da boneca, que muda de traje à medida em que o convite é puxado.
Como as matrioskas mudariam de tamanho, em ordem decrescente, eu não consegui o mesmo efeito. A janela do envelope teve de ficar maior e as matrioskas iam aparecendo, sem conexão alguma com a parte externa, como acontecia com o convite da Katinha.
Até que ficou bonito, mas não teve o impacto visual que eu buscava. Usei uma frase bacana, que pretendo usar num porta-retrato, na mesa da decoração: Menininhas são lindas do lado de fora e mais lindas ainda do lado de dentro. Vi uma frase similar numa festa dum site estrangeiro, só que em inglês. As faixas coloridas contendo qualidades infantis iam provando o que eu queria dizer.
Era para ser uma surpresa, cada matrioska desvendando uma qualidade específica, mas eu – mais uma vez – não consegui executar a ideia que estava na minha cabeça.
Tentei fazer o convite num formato de circular, com vários campos vasados, um para aparecer a matrioska e outro para a qualidade (sinceridade, pureza, alegria, etc.). Mas não fui muito longe.
4ª tentativa
Já desesperada, sem conseguir executar nenhuma das ideias mirabolantes que eu pretendia, resolvi apelar ao bom e velho tradicional convite impresso.
Estava com a arte pronta para levar à gráfica, para que o acabamento ficasse melhor, já que o convite seria tão simplório, quando tive um estalo de inspiração!
A essas alturas, a fase complicada do meu trabalho já havia passado, minha rotina estava mais ou menos normalizada e meus neurônios começavam a funcionar com mais calma e coerência. Foi então que voltei à minha segunda opção de convite. Achei que tinha descoberto um jeito de fazer dar certo.
5ª tentativa
O que me desagradou na segunda opção de convite foi a execução. Ou seja, a ideia era ótima, mas eu precisava encontrar um jeito de executá-la melhor.
Concluí que eu tinha de fazer a impressão frente e verso, para não ter que imprimir em dois papéis diferentes e recortar tudo depois de colado.
Olha a complicação! Como eu havia disposto as matrioskas em diversas posições, para aproveitar ao máximo a área de impressão do papel, o texto deveria ser escrito de frente, de cabeça pra baixo, de um lado, de outro. Como fazer isso? Como fazer coincidir perfeitamente o texto do verso com a impressão da frente?
Coloquei o máximo de matrioskas num arquivo do tamanho de uma folha de papel A4. Couberam 10. O suficiente para fazer 2 convites. Cada matrioska seguinte foi redimensionada na escala de 85% da anterior.
Depois do arquivo feito, criei o texto do convite, sobre a camada das matrioskas (numa camada adicional) usando o photoshop, já que no word isso seria impossível.
Eu fiz cada trecho do texto em separado, depois girei quando necessário (vejam que algumas bonecas estão de cabeça pra baixo ou na lateral) para que ele casasse com a bonequinha correspondente. Não podia ficar uma só letrinha fora do campo.
Depois do texto pronto e ajustado, espelhei a camada das matrioskas, para que ela ficasse invertida horizontalmente, já que a frente deveria corresponder ao verso do papel, deu pra entender?
Fiz um teste na minha impressora. Imprimi os dois arquivos, separadamente. Primeiro a frente, virei o papel, coloquei de volta na impressora e imprimi o verso em seguida.
Voilá! Consegui o efeito que buscava!
Salvei os dois arquivos (frente e verso) num pen drive e fui à gráfica, pois verifiquei que a impressão a laser ficou muito mais vívida que a impressão a jato de tinta da minha impressora caseira.
Usei as fontes: Wendy LP Std Medium e Jokerman.
Vejam como ficou a impressão do lado do texto:
No lado oposto, estavam as matrioskas, numa sincronia perfeita!
Depois disso, pus-me a cortar – de novo – quase duzentas matrioskas. Paguei todos os meus pecados, podem crer!
E quando pensei que meus problemas haviam terminado, tive outro contratempo. Cada matrioska deveria ser furada para que o cordão passasse por elas. Para que o furo fosse feito sem estragar as bonequinhas, pensei em usar ilhoses de scrap.
Esses ilhoses são carinhos, pois são feitos especialmente para o uso em papel. Eu bem que tentei comprar ilhoses de costura comum, mas são muito duros para envergar em casa, sem uso de uma prensa.
Pela internet, comprei ilhoses do tamanho mini. Eu os testei no cordão antes de aplicá-los e parecia que tudo estava bem. Só que não considerei que depois de amassados seu diâmetro diminuiria. Testei em várias bonequinhas e nada. Depois de aplicados os ilhoses, o cordão não entrava!
Tive de encomendar outros ilhoses de tamanho médio às pressas. Graças a Deus, a loja entregou em menos de 76 horas e pude concluir meus convites no feriado do dia 12, enquanto as meninas se entretinham com seus presentes.
Por sinal, deixo a dica dessa loja maravilhosa que já utilizei unas 3 vezes, todas sem problemas: Atacado Beija Flor. (Não estou ganhando nada com a propaganda, ok?)
Vejam a diferença do tamanho dos novos ilhoses:
Cortei o cordão em pedaços de 10 cm, e apliquei a fechadura que comprei em lojas de artigos para bijuteria, que mostrei logo mais acima.
Para aplicar os ilhoses, acabei usando um alicate especializado. Tinha comprado também estas ferramentas que aparecem na foto abaixo, mas como fiz a maior parte do trabalho à noite, não quis incomodar meus vizinhos, com o barulho de marteladas.
O resultado me deixou satisfeita. O corte das bonequinhas ficou bom, a impressão ficou vívida, o texto ficou ajustado à silhueta de cada bonequinha, os furos foram feitos sem estrago, os ilhoses foram bem aplicados e o cordão pôde correr frouxo por eles.
Cada convite seguirá com um lacinho de fita, onde será colada uma etiqueta com o nome de cada convidado e uma matrioska minúscula na ponta. Ainda não me decidi se o laço será dado diretamente no cordão ou num saquinho plástico, no qual o convite seguirá dentro. O que vocês acham?
A tranca do cordão deu um acabamento mais profissional à peça, na minha humilde opinião.
O que aprendi com isso tudo?
É preciso ter paciência e esperar que as coisas se arrumem. O que é nosso está guardado, não adianta tentar fazer tudo do nosso jeito, quando a hora não é adequada. No devido momento, tudo se resolve e pode sair melhor que o esperado. Muitas vezes, os contratempos são necessários para nos fazer abrir a mente para novas opções.
Posso aplicar essa pequena lição a qualquer coisa nessa vida. Especialmente na fase que estou vivendo, parece que recebi um recado divino por meio dessa experiência.
É que eu fico procurando tirar pequenas lições de tudo o que me acontece, porque encaro até as coisas mais banais como um desafio que me fará evoluir. Deus nos fala a todo instante, de todo jeito e forma, basta estarmos atentos.
Eu desejo a todos uma excelente semana, cheia de graças e realizações!
Cheiro grande,
Claudinha
PS: Meus parabéns a todos os professores que passarem por aqui hoje. Estou, neste momento, assando biscoitos para presentear os mestres das minhas filhotas, a quem tenho muito a agradecer. Os presentinhos que bolei mostrarei noutro post. Sabe como é, ou assovio ou chupo cana…