Na quarta-feria passada, aconteceu o segundo encontro da nossa Confraria das Panelas. Dessa vez, foi aqui em casa.
Uma das acepções do verbete confraria diz respeito a um grupo de pessoas que exercem a mesma profissão ou têm as mesmas ideias ou sentimentos. No nosso caso, o interesse em comum é a cozinha.
Somos três colegas de trabalho que, em ocasiões diversas, fomos descobrindo afinidades que giravam em torno do fogão. Receita vai, receita vem, decidimos colocar em prática um velho sonho: cozinhar em conjunto, ao menos uma vez por mês, testando receitas interessantes que houvéssemos aprendido em alguns dos cursos de gastronomia que fizemos, em livros de receita ou sites de culinária.
Nosso primeiro encontro foi um test drive, sem muito espaço para invencionices. Estávamos temerosas de ousar logo na primeira vez e nos limitamos a obedecer às receitas previamente testadas e aprovadas.
O segundo, por sua vez, já ousou um pouco mais. Testamos novas receitas, alteramos a apresentação sugerida para as entradas, substituímos ingredientes do prato principal e incluímos uma receita original na sobremesa.
O próximo encontro, espero, deixará ainda mais brechas para nossa imaginação e criatividade, pois não basta repetir uma receita pura e simplesmente, sem dar à nossa interpretação. Pelo menos, esse é meu pensamento.
E ficamos assim, brincando de fazer coisa séria. Sem pretensão alguma de nos profissionalizar, apenas querendo aperfeiçoar nossas apresentações, aguçar nossos paladares e trocar ideias na eleição dos temperos, das ervas, na observação do tempo ideal de cozimento, na troca de experiência que geralmente ocorre quando amigas se reúnem em torno de um hobby em comum.
À medida em que vamos nos conhecendo mutualmente, mergulhamos também em nosso interior, a partir das críticas externas. Passamos a nos observar e perceber pelos olhos das outras. Vamos nos medindo e comparando e, aos poucos, vamos nos atribuindo rótulos: a mais perfeccionista, a mais detalhista, a mais desenrolada, a mais pragmática, a mais desencanada, a mais tensa, a mais zen. Quer conhecer de verdade uma pessoa? Basta observar sua relação com a comida. Observar sua relação com as panelas, então, é quase como tirar um raio X de sua alma. Toda cozinheira é metade carne, metade sentimento.
Assim, vamos nos compensando umas às outras, porque ninguém aparece em nossas vidas por acaso. Ao contrário do que se diz por aí, panela em que muita gente mete a mão não desanda, rende comida com ricas histórias de vida!
A lembrancinha
Para presentear minhas convidadas, resolvi criar um avental personalizado para identificar nosso grupo. Fiz isso no dia seguinte ao nosso primeiro encontro.
Usei as imagens do kit Cooking, da My Grafico, que continha duas cozinheiras em ação.
Como eu não estava usando o kit para fins comerciais, gerei uma segunda personagem, a partir das duas primeiras, para representar a Martinha, com cabelos curtos e avermelhados.
Com a arte pronta, fiz uma rápida pesquisa de preços na internet até chegar ao site: eCamisetas. Foi lá que mandei imprimir a arte nos aventais.
Embalei os aventais em papel celofane nacarado e dei lacinhos com fita de nylon, lembrando bombons. A lembrancinha fez sucesso!
A arrumação da mesa
Não tive muito tempo de caprichar nesse dia: minha faxineira tinha faltado e eu tinha ido acompanhar minha mãe numa operação de catarata pela manhã. Saí do trabalho meia hora mais cedo e ainda consegui arrumar a mesa antes das meninas chegaram.
Algumas velas, um jogo americano bonito e um porta guardanapo elegante fizeram bonito na fita. Sem flores, nem arranjos.
O cardápio
Escolhemos um cardápio regional, à base de frutos do mar, com entradas e sobremesas leves, à base de frutas.
Com a experiência ganha no primeiro encontro, optamos por pratos mais práticos. Era dia de semana, havíamos saído direto do trabalho e estávamos famintas. Por isso optamos por pelo menos uma entrada que não precisasse ir ao fogo.
Primeira Entrada: Carpaccio de laranja, perfumado com balsâmico e gengibre
Retiramos essa receita do site do Chef Wanderson Medeiros (WGourmet) que comanda a cozinha do restaurante Picuí, aqui em Maceió.
Ingredientes:
1 laranja pêra por pessoa
1 raiz de gengibre fresco
1 colher de chá de açúcar (rasa)
1 colher de chá de vinagre balsâmico
Modo de Preparo:
Descasque as laranjas, corte em fatias finas e arrume em um prato de sobremesa. Polvilhe com o açúcar e rale um pouquinho de gengibre, descascado, por cima das fatias de laranja. Pingue o vinagre balsâmico por cima de maneira uniforme e sirva.
Eu posso confessar que não levava muita fé na combinação, mas adorei! O balsâmico, em pequenas doses, combinado com o gengibre faz milagres: muda o sabor da laranja de um jeito bem criativo.
Segunda Entrada: Mini hambúrguer de camarão com emulsão de rúcula
Esta entrada foi adaptada de uma receita ensinada num dos cursos do Chef Jonatas Moreira. Mudamos apenas a apresentação, para substituir o pãozinho por cama de abobrinhas com broto de bambu. Eu adorei o resultado estético desse prato e o sabor também ficou fantástico!
A vedete desse prato é a emulsão de rúcula, que nada mais é que uma maionese caseira temperada com rúcula. Dá para usá-la depois em tudo: no sanduíche, em batatas, sobre saladas, enfim é um molho delicioso e bem versátil.
Ingredientes:
Para o mini hambúrguer:
Camarões limpos, sem casca
Cebolinha picada
Sal
Para a emulsão de balsâmico:
4 ovos
2 colheres de chá de mostarda Dijon
Óleo de girassol e azeite de oliva (o quanto baste para dar cremosidade à maionese)
1 xícara de rúcula picada
Sal a gosto
Modo de fazer:
Mini hambúrgueres
Pique os camarões e misture a cebolinha picada. Coloque em forminhas redondas ou modele-os com as mãos em formato de hambúrgueres. Somente depois disso, tempere com sal.
Para ajudar a dar liga, leve os hambúrgueres à geladeira por duas horas antes de fritar. (Nós colocamos 30 minutos no freezer).
Depois é só assá-los em frigideira antiaderente, com azeite de oliva.

Emulsão de rúcula
Cozinhe os ovos por 4 minutos, contados a partir de quando a água ferver(para evitar salmonela). Em seguida, resfrie-os afim de parar a cocção. Descasque-os e leve-os a um mixer ou liquidificador, juntamente com a mostarda, sal e rúcula. Bata, acrescentando o óleo. Finalize com azeite de oliva. Coloque pimenta moída na hora.
Montando o prato
Frite fatias de abobrinha em azeite e sobre elas arrume um punhado de broto de bambu, previamente temperado com azeite balsâmico, açúcar, sal e azeite de oliva.
Despeje a emulsão sobre o bambu e coroe com um hamburguinho de camarão. Depois é só enfeitar com uma folhinha de hortelã ou manjericão.
Terceira entrada (improvisada): Camarões Gratinados
Antes do prato principal ficar pronto, aproveitei a sobra dos camarões da segunda entrada e fiz uma outra entradinha de camarões gratinados, a pedido de Martinha e Josi.
A receita já foi postada aqui.
Prato principal: Arroz negro com siri
Também nos inspiramos no site do Chef Wanderson para fazer este prato, mas usamos arroz negro em lugar de arroz vermelho, como sugerido, dobramos a quantidade de leite de coco, substituímos o caldo de legumes por caldo de peixe caseiro e ajustamos o tempero no final.
O arroz negro não é muito fotogênico, o prato lembrou uma feijoada, mas o sabor ficou ótimo! No dia seguinte, estava ainda mais apurado e cremoso.
Ingredientes da receita que usamos:
250g de Arroz Negro
50ml de azeite de oliva extra virgem
4 dentes de alho picados
1 cebola picadinha
250g de siri catado e temperado em limão
50ml de cachaça
1 litro de caldo de peixe caseiro
200ml de leite de coco
20g de coentro picado
Modo de Preparo:
Numa panela de fundo grosso aqueça o azeite e doure o alho e a cebola. Acrescente o arroz e a cachaça e deixe evaporar. Junte o siri e refogue um pouco. Acrescente o caldo de peixe, acerte o sal e deixe cozinhar por cerca de meia hora, mexendo algumas vezes durante o cozimento. Finalize a receita com o leite de coco e o coentro. Sirva quente.
Rendimento 4 porções.
Sobremesa: Creme de Melão em infusão de guaraná, hortelã e gengibre
Essa receita foi invencionice de Martinha e foi uma revelação! Nada mais refrescante para finalizar uma noite quente de verão sem pesar no estômago e na consciência.
Ingredientes:
1 melão maduro
1 guaraná em lata
Folhas de hortelã
Gengibre ralado
sorvete de graviola ou mangaba para acompanhar
Modo de fazer:
Faça bolinhas com o melão, usando um boleador. Reserve. Bata o restante do melão no liquidificador com a guaraná (usamos meia lata), gengibre ralado e folhas de hortelã.
Leve o creme ao congelador por uma hora mais ou menos.
Sirva o creme com as bolinhas de melão e 1 bola de sorvete por cima. Enfeite com folhas de hortelã.
Para finalizar a noite, uma tacinha de licor, um cappuccino de máquina e pastéis de Santa Clara, que Martinha trouxe consigo de sua passagem pela Bahia.
Já estou sonhando com a próxima etapa! Foi bom demais!!!!
Uma ótima semana a todos!
Cheiro grande,
Claudinha.






Da esquerda para a direita: Flávia Mergulhão, do
Foto Flávia Mergulhão
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Foto Flávia Mergulhão
Foto Flávia Mergulhão
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Fotos Flávia Mergulhão
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