
A criação desta coruja foi totalmente empírica. Portanto, o passo a passo de hoje vai ser muito mais intuitivo e experimental. Na verdade, eu diria que o objetivo deste post nem é ensinar a fazer a coruja, mas mostrar que podemos adaptar ideias novas a partir de modelos pré-existentes e criar mesmo sem um molde pronto e acabado.

Vou precisar contar uma historinha, antes, ok? (Com ‘”h” mesmo! Você sabia que o termo “estória” está em desuso? Não pude perder a oportunidade, desculpem.) Voltando ao assunto…
Bem, eu estou procurando dar à festinha da Mariana um enfoque mais lúdico de contos de fadas. Nada muito pesado e assustador como seria um tema de halloween. Aproveitei que sua escritora/ilustradora favorita continua sendo Eva Furnari, e que sua coleção da Bruxinha Atrapalhada só aumenta com o passar do tempo, para idealizar a decoração da festa.
A primeira dificuldade foi encontrar moldes para criar os personagens que eu tinha em mente. O universo das bruxinhas é repleto de morcegos, abóboras, sapos, gatos, ratos e corujas. O problema é que eu não consegui achar tudo num só lugar e corria o risco de deixar os meus personagens em estilos diferentes e nada harmoniosos.
Para me orientar, usei o princípio que uso na decoração daqui de casa, quando mais simples o design, melhor. Procurei riscos simples e retos, e fui adaptando-os entre si.
O ratinho de feltro eu criei adaptando dois modelos de rato prontos que eu tinha visto pela net. Já para o gatinho preto, eu dei sorte de encontrar um molde pronto, bem simplesinho. O morcego é o único que se afasta um pouquinho do estilo clean, mas como ele ficará pendurado numa árvore, achei que poderia se dar ao luxo de ser o diferente. Além do mais, também é feito em tecido e feltro. Não está tão contrastante assim.
Eu comprei os moldes das bruxinhas que ainda vou fazer numa lojinha no Elo7 (Casinha dos moldes). Quando eu as tiver terminado, mostro pra vocês. São moldes no estilo country, bem delicados e cheios de detalhes de pintura, que eu ainda estou praticando para fazer bem-feito. As abóboras que eu fiz combinam com o estilo delas.
Agora, a coruja ideal deu trabalho para achar! Procurei na mesma loja e não achei molde disponível. Fui ao santo Google e não achei moldes que de fato me encantassem. Sou chata pra essas coisas. Acabei me apaixonando por uma coruja feita pela própria Raquel, dona da lojinha acima, em sua outra lojinha – esta de bonecos prontos – Moleca de pano.
Como o molde não estava disponível, e a própria Raquel me incentivou a buscar por moldes gratuitos no google, saí à caça.
É aí que começa a história da criação dessa coruja.
Eu não sou nada boa em desenho. Fazer moldes, para mim, é uma tarefa complicada. Sei que tem gente que tira de letra esse trabalho, mas não é o meu caso. Tinha de começar por algum lugar. Então, busquei um molde pronto, para poder adaptá-lo ao meu agrado.
E, no The Craft Fiend, eu achei algo parecido com o que procurava. Parecido, eu disse! Porque depois das mudanças que eu fiz, ele ficou irreconhecível. Fiz o download do molde, apenas para ter noção de proporção e o imprimi em minha impressora, usando o recurso “cartaz”, em 4 folhas (2×2).
Com o molde ampliado, uni as quatro folhas e comecei meu trabalho de corta daqui, emenda dali, risca de cá, ajeita dacolá.
Vão acompanhando meu processo criativo nas fotos abaixo…
Usei um prato para fazer a curvatura das orelhas.

Mudei o formato do olho da coruja, usei um rolo de fita pra me guiar nas medidas e um compasso para fazer as pupilas. Para fazer as asas, fiz um desenho parecido com um pingo/triangular e algo parecido com um pingo sem a ponta para a barriga.

Mas eu sou boazinha e vou poupar esse trabalho a vocês, escaneei o molde final e quem quiser pode baixá-lo aqui. Comparem com o molde original. Ficou bem diferente, não?
Essa foi a parte mais difícil, para mim. Agora, vamos à parte mais divertida: a execução.
Material:
Tecido estampado
feltro (preto,a branco, amarelo e roxo)
2 botões
fibra acrílica para enchimento
linha, agulha, tesoura, linha de crochê preta, linha DMC para casear, nas cores preta, amarela, branca e roxa
Lembrem-se de que este passo a passo não é metódico e científico quanto os anteriores, ok? Talvez vocês encontrem um jeito de fazer melhor e mais fácil que o meu. Se encontrarem, voltem pra me ensinar, combinado?

1. Transfiram os riscos para o tecido. Vejam como fui adaptando meu molde, com pedaços de papel, à medida em que achava que precisava enlarguecê-lo, ou ampliá-lo.
2. Costurem a coruja pelo avesso, deixando a parte inferior aberta.
3. Revirem e encham com fibra acrílica e arrematem a abertura com ponto caseado.

4. Transfiram o molde das asas e cortem duas vezes em tecido dobrado. Façam o corte transversal, como mostrado no molde que disponibilizei.
5. Costurem as asas pelo avesso, sem deixar abertura.
6. Revirem, usando o corte que vocês fizeram. Encham com acrilon.
7. Arrematem com ponto caseado.

8. À medida em que eu ia cortando as peças, ia montando a coruja, para verificar a proporção e fazer pequenos ajustes. Acabei precisando diminuir o bico um pouquinho, mas o molde que passei pra vocês já traz o tamanho definitivo.

9. Costurem a abertura da coruja com ponto caseado e dobrem as pontas como se fosse uma caixa de leite.
10. Costurem o feltro roxo, sobre a emenda e vão caseando até fechar o contorno da barriga. (Vejam que, mesmo com todo cuidado, ainda deixei uma preguinha ali do lado direito da coruja, mas como essa parte ficará apoiada na mesa, não refiz o meu trabalho. Eu não compraria uma peça com um defeitinho desses, mas, considerando que não estou vendendo nada e sou cliente de mim mesma, posso me permitir essas imperfeições, não?)

11 Para fazer o bico, dobrem o losango ao meio e costurem com ponto caseado.
12. Encham com acrilon e prendam as pontas como na foto 2, acima, deixando a costura para o lado de dentro do bico.
13. Costurem o bico na coruja, não sem antes fazer a montagem, para achar o lugar ideal. Lembrem-se de esconder a emenda do bico para o lado de dentro (vejam a foto abaixo).

14. Ajustem os olhos da coruja de modo a cobrir a costura do bico e não deixar nem uma pontinha do feltro roxo aparecendo entre os olhos.
15. Costurem os olhos e as pupilas com ponto caseado.
16. Prendam as asas da coruja ao corpo, usando botões grandes. Eu não achei botões roxos e arranquei dois botões pretos de um paletó velho de Mário. Foi o cúmulo do reaproveitamento.
17. Com linha de crochê preta, façam o acabamento das asas, vincando para dar ideia de penas.
Minha coruja não ficou tão formosa e perfeita quanto à da Raquel, nem tão fotogênica, é fato. Mas foi o melhor que eu pude fazer.
Agora vamos à ornamentação. Vou mostrar como penso em expor a minha recém-nascida Edwiges – foi assim que a Clarinha a batizou.
Vocês se lembram de que eu disse que nas minhas férias eu andei mexendo na decoração daqui de casa? Naquela ocasião, comprei um banco indiano e uma mesinha de canto para a varanda do meu quarto. Comprei também uma gaiola decorativa que coloquei sobre a tal mesinha. Vou usar a mesinha e a gaiola, no dia da festa, ao lado da mesa principal da decoração.
Ainda estou em dúvidas se colocarei a coruja dentro ou ao lado da gaiola, para lhe dar maior destaque. O que vocês acham?

Ou posso também pendurar a gaiola, na árvore, mas aí já ficará o morceguinho… Estou na dúvida.

Depois da festa, ela poderá ornamentar o tal banco de que eu falei. Mas antes, eu preciso resolver meus problemas com um certo gato que me visita e insiste em urinar nessas almofadas. Ai, que raiva! Já diz o ditado: boas cercas fazem bons vizinhos. No condomínio onde moro, não são permitidos muros na frente das casas. Já viu, né?

Espero que tenham gostado.
Eu queria agradecer imensamente a todos os e-mails e mensagens com dicas de festa das bruxas, que tenho recebido de vocês. É tão bom saber que se lembram de mim quando encontram coisinhas nesse tema! Aliás, sempre é bom se sentir lembrada, não importa qual seja o motivo, não é verdade? Vocês são uns amores!
Cheiros,
Claudinha