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Colocando ordem na casa, literalmente falando


Dizem que uma casa limpa e organizada é sinônimo de computador quebrado. Bem, não sei ao certo o quanto há de verdade nessa frase, mas sou exemplo de que uma casa impecavelmente organizada certamente é sinônimo de blog desatualizado.

Usei meu recesso bloguístico, dentre outras coisas, para colocar a casa em ordem. Já vinha com vontade de fazer isso há muito tempo. Mas depois de receber a Paula Brêda como convidada aqui no blog, fiquei ainda mais motivada.

Sabe aquela faxina que a gente só tem coragem de fazer uma ou duas vezes por ano? Aquela que não poupa CDs, livros, brinquedos nem gavetas de meias? Coisa que não pode ser delegada, pois envolve um senso de desapego do qual nem sempre estamos munidos. E como esperar de outra pessoa a responsabilidade de definir o que devemos conservar e o que devemos jogar fora?

Certa vez, inventei de pedir à minha ajudante para limpar algumas centenas de livros de nossa estante (meu marido tem vício por livros, é pior que eu) . Ela até limpou, espanou direitinho, passou óleo no móvel, mas quando foi guardá-los de volta, misturou todos eles e os colocou de costas, com a lombada para dentro do armário. Ao ver a cena, eu não sabia se chorava ou se ria. Hilário! Depois disso, aprendi a lição: “quem quer faz, quem não quer manda fazer”.

organização-livros, revistas, CDs e DVDs CDs e DVDs classificados por categoria; livros agrupados por autor, assunto e ordem cronológica; coleção de revistas em rigorosa ordem cronológica; móvel revisteiro que serve também como aparador. Tudo foi devidamente limpo e aspirado (por mim).

Há alguns anos, ouvi de uma psicóloga que dá para saber como anda a vida de alguém só de ver como seu guarda-roupa está arrumado. Bem, dá vontade de chamá-la para checar meus armários agora, pois não sei por quanto tempo permanecerão apresentáveis. organização-closet-feminino

Closet feminino: cabides padronizados brancos, sempre na mesma posição; roupas agrupadas por categoria e cor; bolsas sapatos e casacos limpos e engraxados; malas com roupas sazonais (de gestante, de recém-nascido e de frio) ficam no maleiro e liberam espaço na parte inferior do armário; calcinhas dobradas e enroladas ocupam menos espaço na gaveta; camisas de malha e linha dobradas com ajuda de uma revista como referência. Dica: sapatos de salto ocupam menos espaço no sapateiro se posicionados alternadamente – um para frente e outro para trás, como na segunda foto.

Em uma casa organizada, livre de entulhos, com decoração minimalista, a energia flui melhor. A criatividade flui melhor. Tudo flui melhor! Até os nossos pensamentos. Pois é, enquanto arrumava a casa, arrumava também meus planos e resoluções. Aproveitei a onda de desapego que me invadiu e me desfiz de vários objetos. Abri espaço nas gavetas e prateleiras para o que vier de novo. Sobraram cabides e ficou a sensação de que realmente não precisamos de tanta coisa quanto acumulamos.organização-closet-masculino

Closet masculino: cabides azuis para diferenciar, camisas viradas para o mesmo lado, gravateiro comprado em loja de ferragens e cabides livres, após a “faxina”

Há filósofos que pregam que o segredo da felicidade está justamente na forma como nos desapegamos das coisas (e das pessoas). Nada ou ninguém nos pertenceria de verdade, e admitir isso nos ajudaria a enfrentar melhor a dor na hora de uma possível perda. Ainda não estou tão evoluída a ponto de não sofrer com a perda de um ente querido, mas me desapegar de itens materiais tem sido tarefa cada vez mais fácil. Sem falar no prazer que dá ao ver a felicidade nos olhos das pessoas a quem doamos tudo o que estamos descartando.

organização-ateliê

Meu ateliê: caixas organizadoras separam minhas linhas, fitas e botões, agrupados por cor; as sacolas plásticas guardam meus tecidos, dentro do gabinete da máquina de costura (essa parte não tem como ficar muito arrumada mesmo… eu bem que tentei)

Comprar apenas o necessário, doar algo usado para cada novo objeto comprado, reutilizar objetos em outras funções, reformar roupas, bolsas ou sapatos é um bom começo para manter armários em ordem.

Além do mais, depois do entra-e-sai de empregadas diferentes por que passei aqui em casa, nos últimos meses, andava mesmo precisando fazer um inventário. Agora posso dizer com certeza onde está guardado cada objeto. Isso tranquiliza minha ânsia controladora. Tem coisa pior que deixar um objeto num lugar e alguém guardá-lo em outro totalmente diferente?

Gabinete Caixas organizadoras guardam documentos, recibos, plantas da casa e projetos dos móveis. Caixa arquivo com notas fiscais e certificados de garantia de aparelhos eletrônicos; a azul guarda comprovantes de IRPF, cesta de palha guarda relíquias e recadinhos que recebo das meninas; pastas classificadoras conservam documentação de vacinas exames médicos, recibos de previdência social e contas pagas; remédios ficam protegidos na farmacinha em MDF e na valise impermeável, fora do alcance de crianças; gaveteiros acomodam itens de papelaria. As três últimas fotos mostram minha “bagunça organizada”, depois de separar e jogar fora dezenas de itens relacionados às últimas festas. Essa parte do armário é fechada.

Organizar é um verbo que se conjuga coletivamente. Chego a ser chata quando peço às meninas para dobrarem suas roupas e guardá-las no armário, para guardar os brinquedos depois de usá-los ou para colocar os pratos sujos na pia. É de menino que se torce o pepino.

 

fotos Álbuns organizados por data, marcados com etiquetas externas que indicam o evento e o período em que começa e termina cada álbum. À parte, tenho um índice afixado na porta do armário que me facilita localizar uma determinada foto rapidamente.

Mas não sou assim tão metódica quanto aparento, afinal ninguém almeja morar numa casa que parece vitrine de loja de tão arrumadinha… E casa com crianças tem sempre uma coisa ou outra fora do lugar. Por isso, de vez em quando, a bagunça se instala furtivamente nos cantinhos mais improváveis, reclamando uma atitude mais enérgica de minha parte.

organização-closet-infantil

Guarda-roupa infantil e armário de brinquedos: gaveta com fantoches; roupas separadas por categoria, cabides da mesma cor e tamanho, roupas dobradas com a ajuda de um gibi como referência; jogos conservados em suas caixas originais; brinquedos separados por tipo. Ainda usei: gaveteiros e maletinhas plásticas para guardar mini brinquedos e baús transparentes para guardar bonecas

Eu não fotografei a rouparia, a lavanderia nem a cozinha, mas também fiz uma faxina pesada nesses três locais.

Com a casa em ordem, estou feliz que não perderei dias preciosos do meu recesso de fim de ano nessa tarefa ingrata. Fica a sugestão. Mesmo para quem trabalha fora, fazer faxina por algumas horas, durante vários dias, cansa menos que perder uma semana inteira de férias para colocar tudo no lugar. Pode demorar um pouco mais, mas convenhamos, esse é tipo de tarefa que não deve ser feito às pressas. E se de repente seu computador também estiver no conserto, seu tempo vai render bem mais do que você pode imaginar.

    posted by Feito a Mão in brincando de casinha,dicas de organização and have Comentários (42)

    Depois do jantarzinho romântico, um jantar entre amigos (à luz de velas!)


    Uma das melhores coisas no mundo é ter amigos. Na sexta-feira passada, recebemos alguns aqui em casa. Coisa que há anos não fazíamos. É que desde que as meninas nasceram nossa vida social ficou meio de lado. Já não éramos muito de balada, agora com a justificativa de ter que acordar cedo no dia seguinte e nem sempre dormir as noites inteiras, fomos ficando cada vez mais caseiros.

    Mas as crianças não são verdadeiramente o único empecilho. Usá-las como desculpa era pura preguiça de fazer uma programação com o “incômodo” do barulho delas no quarto ao lado. Já que não podemos vencê-las, juntemo-nos a elas! Nossos amigos também trouxeram seus filhos, e eles fizeram companhia às meninas. Enquanto nos divertíamos na sala de jantar, eles aprontavam todas no quarto da bagunça.

    Como eu amo cozinhar, comer e beber sem pressa de desocupar a mesa, batendo um belo papo na companhia de amigos, aproveitei a ocasião para testar algumas receitas novas, aprendidas nos últimos cursos que fiz. Eu já andava à procura de um pretexto para testar novos pratos…

    As comprinhas, a lavagem dos pratos, talheres e copos, a faxina pesada e a preparação dos detalhes da arrumação da mesa foram feitas aos poucos, no decorrer da semana. E quando saí do trabalho na sexta, quase não tive preocupações que não fosse a preparação do menu.

    O feriado da quinta feira ajudou a colocar boa parte das coisas em ordem. Fiz a sobremesa de véspera, separei toda louça e material a ser usado. E ainda brinquei de costureira. É que como não encontrei meus guardanapos de linho branco, improvisei guardanapos feitos com sobra de um tecido que eu havia usado para fazer lençóis de xixi, quando estava grávida de Maria Clara, há quase nove anos.

    Como porta-guardanapos, usei argolas feitas com casca de coco, que comprei na feirinha do artesanato. Custaram somente cinco reais, meia dúzia! E causaram um efeito lindo.

    Para fazer os guardanapos, cortei quadrados de 46cm e fiz uma bainha com ponto reto, na largura 4. Aprendi um jeito interessante de dobrar guardanapos. Não sei se todas conhecem, mas não custa nada mostrar, pois desta forma a bainha fica escondida.

    1. Dobre o quadrado em quatro partes. 2. Dobre para dentro as pontas abainhadas. 3. Enfie o porta-guardanapo. 4. Vire.

    Um jogo similar com 6 peças, numa conhecida loja de decoração daqui custava uma nota! O melhor foi que eu já tinha o tecido em casa e só tive o trabalho de cortar e fazer a bainha. Meu corte deu para fazer 10 peças! Não sou grande coisa como costureira, mas me viro para fazer peças básicas como fronhas, lugares americanos, panos de prato, guardanapos, barras de toalhas, capas de almofadas e similares. Estou pensando em comprar tecidos estampados e fazer joguinhos coordenados de guardanapos e lugares americanos, na próxima vez…

    Como o tecido estava guardado há muito tempo, deixei-o de molho com sabão, água e algumas gotas de anil, para alvejar. O branco voltou a brilhar e o cheiro ficou muito mais agradável. Uma dica que aprendi com minha mãe.

    Quando eu comprei a passadeira para presentear a Priscila Resende na promoção de aniversário do blog (ela deve estar recebendo seu presente em breve), comprei para mim um jogo americano em filé. Amo artesanato de modo em geral e o alagoano então, nem se fala: renascença, bilro, filé, labirinto, redendê… nem sei qual é a minha renda favorita.

    As cores do meu filé e o tom artesanal descontraído e rústico nortearam a decoração da mesa. Optei por usar uma louça branca sem detalhes, para não ofuscar a beleza das peças.

    Contudo, o principal encanto da decoração ficou por conta das luminárias, cujo molde a Kátia Bonfadini disponibilizou na sexta-feira mesmo, numa perfeita sincronia de pensamento.

    Resolvi dar uma incrementada no modelo básico, scanneando um dos lugares americanos e transferindo a padronagem para o molde. Como na sexta-feira caiu um verdadeiro temporal, não consegui comprar o papel vegetal. Imprimi em papel A4 mesmo e o resultado não ficou ruim. Na verdade, eu adorei o resultado! É bom saber disso, porque papel A4 quase todo mundo tem em casa. Katinha, muito obrigada pela gentileza.

    Parece coincidência, mas por causa do temporal, ficamos sem energia elétrica das 15h às 22h. Forçosamente, tivemos um jantar à luz de velas!!!!

    Não fosse o inconveniente de cozinhar na penumbra, resultando em três queimaduras e dois pequenos cortes, teria considerado a experiência totalmente positiva, pois o ambiente da mesa ficou muito acolhedor e intimista. O friozinho causado pelas chuvas e a meia-luz das chamas criaram um clima propício à degustação dos vinhos.

    Para complementar a iluminação, usei uma bandeja de cristal retangular, para amparar seis mini-velas, dispostas atrás da mesa de jantar, sobre a cristaleira. Para preencher o fundo da bandeja, usei sal grosso. Ficou muito charmosa e as velas duraram todo o jantar. Quando a luz voltou, permanecemos com nossa iluminação à luz de velas, todos concordaram que daquele jeito estava bem mais aconchegante que com as luzes acesas.

    Como a mesa já estava muito colorida, optei por um arranjo de mesa discreto e pequeno, com orquídeas bambu colhidas do meu jardim, igual ao que eu já tinha usado no jantarzinho romântico que mostrei aqui. Mas desta vez, esqueci de fotografar…

    Foi uma noite muito agradável, nem senti o tempo passar. Ri como há muito não fazia, falamos de coisas amenas, refrescamos nossa mente com piadas bobas e curtimos cada prato vagarosamente, como jamais poderíamos fazer num restaurante lotado.

    Nota mental: reservar um tempinho livre na agenda para gastar em companhia de amigos, se possível em pequenas recepções como esta. A alma fica mais leve e a gente rejuvenesce uns cinco anos, pelo menos.

    As receitas virarão posts próprios, em breve, mas vou mostrar as fotos dos pratos servidos:

    1ª Entrada: Ceviches

    Num jantar com comida peruana, não poderia faltar os tradicionais ceviches.

    2ª Entrada – Camarões com rúcula ao molho de gergelim (esqueci de fotografar, a foto abaixo e a receita são as mesmas que eu já mostrei aqui). A novidade foi que desta vez usei azeite galo extra-virgem. Fez toda diferença, gente!

    Prato principal: Filé com shitake e molho de ostras - o prato não ficou muito arrumadinho, mas foi o melhor que pude fazer no escuro.

    Sobremesa: Creme de frutas

    Essa receita merece menção honrosa! Estava deliciosa. Vejam que colorido!

    Cappuccino caseiro e biscoitinhos de batata doce

    Melhor e mais barato que comprar o pó de cappuccino pronto é fazê-lo em casa. Aguardem!

    Meu agradecimento especial à Kátia Bonfadini, por compartilhar seu molde da cúpula da luminária e pelas dicas de como usar o photoshop para melhorar fotografias, sem as quais seria impossível exibir as fotos deste post, haja vista as condições precárias de iluminação em que foram tiradas.

    A seguir, publicarei as receitas dos pratos servidos nessa reuniãozinha.

    Um abração e até a próxima!

    Claudinha.

      posted by Feito a Mão in brincando de casinha,costura e bordado,culinária,decoração and have Comentários (29)

      Papo sério. A que custo é possível conciliar profissão, maternidade e cuidados com a casa? Sobra algum tempo para nós?


      Ando ocupadíssima por causa do trabalho. Vão me perdoando a ausência nos blogs queridos e a demora em responder e-mails e comentários, até o final do ano vai ser assim.

      O assunto de hoje é muito importante. Recebi um e-mail que me deixou preocupada. Desta vez, não vou citar o nome da remetente, em respeito à sua privacidade.

      Eis alguns trechos da mensagem:

      “Sou casada e tenho uma filhota de 1 ano e meio. E como muitas mulheres, trabalho em três jornadas, a de esposa, mãe e Auxiliar de Escritório. Ultimamente tenho me sentido cansada, desmotivada pois não tenho tempo pra nada e isso faz com que eu me sinta inútil. Vendo teu blog levei um susto. Pensei como uma pessoa consegue fazer tudo isso, ou ser tudo isso. Será que é mesmo verdade? Não pode ser…. Tenho apenas uma filha e não faço nem um terço do que vc faz. Não sobra tempo pra namorar, pra passear, bordar então… pra falar a verdade parei inclusive de cozinhar, agora compro tudo pronto, assim pelo menos consegui diminuir meu estress. Mas, Cláudia gostaria muito de saber, de ouvir de você, como você consegue? Como administra o seu tempo? Por exemplo pra fazer aquele jantar, pra preparar tudo como você preparou, quanto tempo levou, que horas vc começou fazer? Você não trabalha fora?
      Desculpe-me o interrogatório, mas sabe pra mim parece muito irreal e por isso é muito importante ouvir de outra pessoa que é possível, que talvez se eu mudar minha rotina (ainda não sei como) que dá pra bordar, pintar, cozinhar, blogar… e ainda assim ser mãe e esposa.

      A princípio, imaginei que ela estivesse insinuando que as coisas que eu mostro aqui no blog não seriam propriamente feitas por mim. Tive de ler o e-mail duas ou três vezes para ver ali um pedido de ajuda de alguém que está se sentindo cansada demais para criar coisas novas em casa e que por isso começou a se sentir menos capaz.

      Filhos muito pequenos nos sugam toda energia

      Em primeiro lugar, a grande diferença entre nós duas é a idade de nossas filhas. Mesmo que esta leitora se diga mãe de apenas uma criança, um bebê de um ano e meio ainda é muito dependente, e provavelmente ocupa seu tempo e paciência mais que as minhas duas mocinhas. A sensação que sentimos nessa fase é de que nunca mais conseguiremos arrumar um tempo só nosso novamente.

      Comparações e altas expectativas geram depressão

      Não escondi de vocês que passei por maus bocados depois que a Maria Clara fez um ano. O assunto da minha depressão foi tema da minha entrevista no blog da Rosi, Mundinho Particular. Quando resolvi falar abertamente sobre o assunto quis mostrar que não sou nenhuma mulher maravilha. Todas nós somos falíveis, precisamos descansar, não fomos feitas para carregar o mundo nas costas. E reconhecer que não damos conta de tudo é o primeiro passo para nos livrarmos da culpa.

      Porque toda obrigação é uma chatice…

      Há um motivo para eu fazer todas aquelas coisas citadas no e-mail. Se eu cozinho, blogo, pinto ou bordo, faço tudo isso por puro prazer. Ninguém me força. Não faço para cumprir metas, para dar satisfação a ninguém. Faço porque gosto, porque me relaxa, porque é minha válvula de escape. Como eu costumo dizer, para fazer o que gostamos sempre encontramos um tempinho livre, para fazer todo o resto, encontramos desculpas.

      Além do mais, desconfio que eu não sou muito normal… Quanto mais estressada me encontro, mais me envolvo com projetos que impliquem resultado concreto. Nada de ouvir música, meditar ou fazer ioga. Meu verbo é “fazer” . Eu literalmente descanso carregando pedra. Mas isso é uma loucura minha… ninguém é obrigada a entrar em neura pra ficar pirada igual a mim.

      Quem faz o que gosta, nem precisa trabalhar…

      Também encaro meu trabalho como uma coisa positiva. Nunca seria dona de casa em tempo integral, porque eu sou ativa, produtiva, independente e principalmente orgulhosa demais para precisar pedir algo a alguém. Por isso, não sinto culpa e não tenho o menor trauma por trabalhar fora. Imagino que assim estou transmitindo uma imagem positiva às minhas filhas de que é possível (ainda que com algum sacrifício) unir o melhor dos dois mundos. E acredito que para estarmos felizes e satisfeitas como mães, precisamos estar felizes e satisfeitas como seres humanos. (Por favor, isso não quer dizer, contudo, que eu não entenda ou respeite o ponto de vista de quem optou por se dedicar exclusivamente à casa e aos filhos, só digo que essa não é a minha praia).

      Ou seja, se me sobra tempo pra curtir a família numa boa, ótimo! Se por causa do trabalho não consigo almoçar em casa todos os dias úteis, não preciso morrer por isso, compenso a ausência no jantar, deu pra entender?

      Uma ajudinha extra é sempre bem-vinda

      No entanto, para que ninguém fique pensando que sou mais elétrica que a maioria, que meu dia tem mais horas, ou pior, que assumo a autoria de feitos alheios, alego em minha defesa o fato de que, graças a Deus, temos condições de ter duas empregadas em casa, uma de confiança, que está comigo desde que me casei, e outra que era a babá das crianças e, à medida que elas foram crescendo, assumiu a faxina da casa e dividiu outras obrigações com a primeira.

      Fora isso, meu marido é um pai muito participativo, do tipo que assume e divide de igual para igual o ônus da educação e criação das meninas. Nos revezamos em muitas tarefas, inclusive as escolares. Não basta ser pai, tem de participar, com dizia a propaganda.

      Tempo curto? Vamos gastá-lo com sabedoria

      Outra coisa que faz bastante diferença na forma como distribuo meu tempo é que aqui em casa raramente assistimos televisão, e quando o fazemos é para ver algo de qualidade que de fato valha o sacrifício. Vocês ficariam impressionadas com a quantidade de tempo que se desperdiça assistindo às porcarias que passam na TV. Há 20 anos deixei de assistir telenovelas e, cá pra nós, foi a melhor coisa que me aconteceu.

      Quanto à maneira como administro meu tempo, já escrevi um post sobre isso, lembram? Mas acho que o que mais importa dizer agora é que cada ser é único. Não adianta ficar nos medindo por feitos alheios. Cada um sabe onde lhe aperta o sapato e nem sempre o pau que dá em Chico, dá em Francisco.

      Resgatando o prazer de viver

      Meu conselho para a nossa leitora é respirar, relaxar e procurar algo prazeroso para fazer nas horas vagas. O prazer é o que nos mantém vivos. Não precisa ser necessariamente cozinha, bordado ou pintura, porque nem todos nascem com os mesmos dons e aptidões. Mas tem de ser algo capaz de nos absorver de tal modo que não pareça uma obrigação, mas um lazer. Algo que nos renove, nos inspire e nos faça sentir úteis e produtivas.

      E vocês, o que têm a dizer sobre o assunto? De que forma administram seus múltiplos papéis femininos? Como dão conta de todas as tarefas? Sobra tempo para gastar com hobbies? Que atividades servem de válvula de escape para vocês?

      Gostaria de ouvir outras opiniões, porque este tema dá muito pano pra manga.

      Um ótimo final de semana!

        posted by Feito a Mão in brincando de casinha,conversa fiada and have Comentários (60)

        Jantarzinho romântico – receita de filé de peixe acompanhado de aspargos gratinados com molho de ostras e espinafre


        O que eu mais gosto ao visitar blogs é colecionar ideias diferentes e criativas. Nem sempre a gente consegue colocá-las em prática logo, às vezes não consegue nunca, mas tão logo a oportunidade se apresente, a inspiração ressurge dos porões de nossa memória, tal qual fênix, das cinzas.

        Antes do dia das mães, vi do blog da Simone Scharamm, o Festas e etc., uma série de sugestões para a composição das mesas para o almoço do grande dia. Não pus a ideia em prática no almoço do dia das mães, mas ela ficou devidamente registrada.

        Na sexta-feira, eu postei sobre o curso de gastronomia que tinha feito, lembram? Estava louca para fazer os pratos que foram o objeto da primeira aula do curso, antes que a memória começasse a falhar. Além disso, a ferritina de Mário continua alta, então o cardápio tinha de ser peixe.

        Naquele mesmo dia, a Kátia Bonfadini, do Casos e Coisas da Kátia, postou sobre um jantar romântico que ela preparou para seu marido. Achei a ideia genial. Eu mesma já estava começando a pensar em como faria o jantar dos namorados, mas concluí que a gente não precisa de motivo especial nem data marcada para fazer um jantar romântico. “Quem sabe faz a hora não espera acontecer…”

        A intenção desse post era inicialmente postar a receita do peixe, exclusivamente. Mas resolvi contar as circunstâncias do jantar para inspirar outras mulheres a caprichar um pouquinho mais numa ocasião especial a dois (assim como as mesas de Simone e Kátia me inspiraram).

        A minha mesa de jantar é de 10 lugares. Uma mesa muito grande, para uma família de igual tamanho. Fazer um jantar romântico sobre ela não seria nada acolhedor. A noite estava ameaçando chuva, então nada de mesa no jardim ou na varanda. Imediatamente pensei no centro de mesa da sala de estar. Comer sentados no chão como num jantar japonês, por que não?

        Arrumei o centro com jogos americanos, porta-guardanapos de torçal dourados, um arranjo de orquídeas-bambu, colhido do meu jardim, uma vela e a louça que reservo para ocasições especiais.

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        Entrada: Camarões com rúcula e molho de gergelim

        Para entrada, fiz os camarões que eu já postei aqui. Na afobação de arrumar os pratos colocar a mesa, acabei esquecendo as folhas de agrião secando no escorredor. Mas nem fizeram muita falta…

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        Mário tinha reservado um vinho branco para o jantar, mas quando viu a mesa posta, achou que ele não estava à altura da brincadeira e resolveu abrir uma champanhe. Acho que isso foi um sinal de aprovação, né?

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        Prato principal:

        Filé de peixe com aspargos gratinados, com molho de ostras e espinafre, coberto com pistache moído

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        Esse filé foi tema da primeira aula que eu falei. A receita é da chef Simone Bert.

        Receita para 4 pessoas.

        800g de filé de peixe branco (eu usei filé de robalo, mas pode ser o sirigado, o dourado ou até bacalhau)

        limão, azeite e Fondor para temperar os filés.

        Tempere o peixe e deixe descansar. Perto da hora de servir, passe-os na chapa ou leve-os para assar em forno médio.

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        Para o molho de espinafre

        1 maço de espinafre lavado (use apenas as folhas)

        2 cebolas roxas cortadas à Juliana (tirinhas bem fininhas)

        1 colher (sopa) de manteiga

        2 colheres (sopa) de molho de ostras

        Derreta a manteiga, acrescente as cebolas e espere elas murcharem. Só então junte as folhas do espinafre. Quando já tiverem reduzido de tamanho, acrescente o molho de ostras. A aparência final é a da última foto.

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        Aspargos gratinados

        1 lata de aspargos (se quiser usar aspargos frescos, quebre as pontas deles e afervente-os)

        100gr de queijo parmesão ralado (eu usei o serra azul ralado na hora)

        Unte uma assadeira com azeite. Arrume os aspargos e sobre eles jogue o queijo ralado. Leve ao forno quente para gratinar.

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        Arrumação do prato

        Arrume o molho de espinafre no prato. Por cima dele, disponha delicadamente os aspargos gratinados e depois os filés de peixe já assados. Polvilhe pistache moído (usei aproximadamente duas xícaras de pistache, que depois de descascados e moídos renderam pouco mais de meia xícara).

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        Para fazer o pistache moído, tire as cascas e leve os grãos ao liquidificador (que deve estar bem enxuto).

        Sobremesa: Torta de creme

        Para sobremesa, eu tentei reproduzir uma torta de creme que comemos em Portugal e adoramos. O sabor ficou muito parecido mesmo. Quando a gente cozinha há muito tempo, dá até para adivinhar os ingredientes de uma receita, a quantidade pode até variar um pouco, mas o resultado fica quase igual.

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        A minha receita de torta de creme foi a seguinte.

        Leve ao fogo, até engrossar:

        1 lata de leite condensado

        a mesma medida de leite de vaca

        4 gemas

        Reserve.

        Bata na batedeira:

        4 claras em neve

        3 colheres (sopa) de açúcar)

        Desligue e acrescente delicadamente 1 lata de creme de leite.

        Misture os dois cremes e leve ao freezer ou congelador por 8 horas. Na hora de servir, jogue por cima farelo de biscoito (Maria ou maizena) triturado.

        ***

        E foi só! Acho que dá pra gente inovar no romantismo sem precisar sair de casa, né não? E olha que não ter com quem deixar as crianças não é motivo para deixar de fazer um jantarzinho desses. As meninas estavam conosco todo o tempo e resolveram encarnar as garçonetes. Ficavam de lá pra cá perguntando se precisávamos de mais alguma coisa. Uma comédia! Foi um autêntico jantar romântico, a quatro.

        Uma bela semana para todas e até a próxima!

          posted by Feito a Mão in brincando de casinha,culinária,dia dos namorados and have Comentários (27)

          Comprinhas e presente artesanais


          Gosto de fazer artesanto e por isso mesmo sei apreciar uma boa oportunidade de comprar algo bem feito e original quando ela aparece. Assim como gosto de cozinhar, mas não deixo de frequentar bons restaurantes.

          Ultimamente, adquiri uma coisinhas bem originais. Como o blog fala de artesanato (também) resolvi mostrar pra vocês.

          Para adornar uma prateleira da cozinha, comprei estas três galinhas cangaceiras na feirinha de artesanato. Nada mais regional! Olha que charme a faca peixeira na cintura das danadas. São feitas com cabaça e biscuit. Lindas, não são? Notaram as unhas pintadas? Adorei esse detalhe!

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          Este colar aqui eu usei para romper o ano novo, sobre o meu vestido branco. Vejam que delicadeza! Foi feito pela tia de uma amiga. Muito bem feito e acabado. Olhando-o assim, dá até vontade de fazer um parecido, não é? É todo feito em cetim e detalhes em feltro.

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          Já este Papai Noel em feltro ganhei num amigo secreto, presente de uma amiga querida do orkut, a Jô Cirele. Ela que fez. Eu achei tão fofo!

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          E como foram presente ou aquisições, não tenho moldes, mas fica a inspiração.

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          Voltei a trabalhar ontem. Mas enquanto ainda estava de folga, levei as meninas ao cinema para assistir “A princesa e o sapo”. Ótima pedida para quem tem crianças de férias em casa. Finalmente a Disney resolveu criar uma princesa negra. Já não era sem tempo.

          A história quebra alguns paradigmas típicos de contos de fadas, jogando por terra o velho Complexo de Cinderela, de que falava Colette Dowling, segundo o qual a mocinha espera ávida por ser salva por um belo príncipe, ao lado de quem viverá feliz para sempre, sustentada e amada por ele.

          Nada disso! Nessa história, bem contemporânea, um príncipe sem dinheiro, de um país imaginário, busca um casamento de conveniência com uma americana rica, interessada em entrar para nobreza.

          A mocinha do filme é uma garçonete pobre, que ensinará ao príncipe que o trabalho é a única forma de se conseguir realizar um sonho. Cheio de lições de moral e pregando uma perspectiva politicamente correta, o filme seria perfeito se tivesse maneirado nas cenas de magia negra. É que a história se passa numa New Orleans da década de 20, onde a bruxa das histórias tradicionais foi substituída por um feiticeiro vodu. Minha caçulinha ficou assustada com algumas cenas. Fora isso, o filme é ótimo! O final eu não vou contar, é claro.

          Cheiro e até a próxima!

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