Dizem que uma casa limpa e organizada é sinônimo de computador quebrado. Bem, não sei ao certo o quanto há de verdade nessa frase, mas sou exemplo de que uma casa impecavelmente organizada certamente é sinônimo de blog desatualizado.
Usei meu recesso bloguístico, dentre outras coisas, para colocar a casa em ordem. Já vinha com vontade de fazer isso há muito tempo. Mas depois de receber a Paula Brêda como convidada aqui no blog, fiquei ainda mais motivada.
Sabe aquela faxina que a gente só tem coragem de fazer uma ou duas vezes por ano? Aquela que não poupa CDs, livros, brinquedos nem gavetas de meias? Coisa que não pode ser delegada, pois envolve um senso de desapego do qual nem sempre estamos munidos. E como esperar de outra pessoa a responsabilidade de definir o que devemos conservar e o que devemos jogar fora?
Certa vez, inventei de pedir à minha ajudante para limpar algumas centenas de livros de nossa estante (meu marido tem vício por livros, é pior que eu) . Ela até limpou, espanou direitinho, passou óleo no móvel, mas quando foi guardá-los de volta, misturou todos eles e os colocou de costas, com a lombada para dentro do armário. Ao ver a cena, eu não sabia se chorava ou se ria. Hilário! Depois disso, aprendi a lição: “quem quer faz, quem não quer manda fazer”.
CDs e DVDs classificados por categoria; livros agrupados por autor, assunto e ordem cronológica; coleção de revistas em rigorosa ordem cronológica; móvel revisteiro que serve também como aparador. Tudo foi devidamente limpo e aspirado (por mim).
Há alguns anos, ouvi de uma psicóloga que dá para saber como anda a vida de alguém só de ver como seu guarda-roupa está arrumado. Bem, dá vontade de chamá-la para checar meus armários agora, pois não sei por quanto tempo permanecerão apresentáveis. ![]()
Closet feminino: cabides padronizados brancos, sempre na mesma posição; roupas agrupadas por categoria e cor; bolsas sapatos e casacos limpos e engraxados; malas com roupas sazonais (de gestante, de recém-nascido e de frio) ficam no maleiro e liberam espaço na parte inferior do armário; calcinhas dobradas e enroladas ocupam menos espaço na gaveta; camisas de malha e linha dobradas com ajuda de uma revista como referência. Dica: sapatos de salto ocupam menos espaço no sapateiro se posicionados alternadamente – um para frente e outro para trás, como na segunda foto.
Em uma casa organizada, livre de entulhos, com decoração minimalista, a energia flui melhor. A criatividade flui melhor. Tudo flui melhor! Até os nossos pensamentos. Pois é, enquanto arrumava a casa, arrumava também meus planos e resoluções. Aproveitei a onda de desapego que me invadiu e me desfiz de vários objetos. Abri espaço nas gavetas e prateleiras para o que vier de novo. Sobraram cabides e ficou a sensação de que realmente não precisamos de tanta coisa quanto acumulamos.![]()
Closet masculino: cabides azuis para diferenciar, camisas viradas para o mesmo lado, gravateiro comprado em loja de ferragens e cabides livres, após a “faxina”
Há filósofos que pregam que o segredo da felicidade está justamente na forma como nos desapegamos das coisas (e das pessoas). Nada ou ninguém nos pertenceria de verdade, e admitir isso nos ajudaria a enfrentar melhor a dor na hora de uma possível perda. Ainda não estou tão evoluída a ponto de não sofrer com a perda de um ente querido, mas me desapegar de itens materiais tem sido tarefa cada vez mais fácil. Sem falar no prazer que dá ao ver a felicidade nos olhos das pessoas a quem doamos tudo o que estamos descartando.
Meu ateliê: caixas organizadoras separam minhas linhas, fitas e botões, agrupados por cor; as sacolas plásticas guardam meus tecidos, dentro do gabinete da máquina de costura (essa parte não tem como ficar muito arrumada mesmo… eu bem que tentei)
Comprar apenas o necessário, doar algo usado para cada novo objeto comprado, reutilizar objetos em outras funções, reformar roupas, bolsas ou sapatos é um bom começo para manter armários em ordem.
Além do mais, depois do entra-e-sai de empregadas diferentes por que passei aqui em casa, nos últimos meses, andava mesmo precisando fazer um inventário. Agora posso dizer com certeza onde está guardado cada objeto. Isso tranquiliza minha ânsia controladora. Tem coisa pior que deixar um objeto num lugar e alguém guardá-lo em outro totalmente diferente?
Caixas organizadoras guardam documentos, recibos, plantas da casa e projetos dos móveis. Caixa arquivo com notas fiscais e certificados de garantia de aparelhos eletrônicos; a azul guarda comprovantes de IRPF, cesta de palha guarda relíquias e recadinhos que recebo das meninas; pastas classificadoras conservam documentação de vacinas exames médicos, recibos de previdência social e contas pagas; remédios ficam protegidos na farmacinha em MDF e na valise impermeável, fora do alcance de crianças; gaveteiros acomodam itens de papelaria. As três últimas fotos mostram minha “bagunça organizada”, depois de separar e jogar fora dezenas de itens relacionados às últimas festas. Essa parte do armário é fechada.
Organizar é um verbo que se conjuga coletivamente. Chego a ser chata quando peço às meninas para dobrarem suas roupas e guardá-las no armário, para guardar os brinquedos depois de usá-los ou para colocar os pratos sujos na pia. É de menino que se torce o pepino.
Álbuns organizados por data, marcados com etiquetas externas que indicam o evento e o período em que começa e termina cada álbum. À parte, tenho um índice afixado na porta do armário que me facilita localizar uma determinada foto rapidamente.
Mas não sou assim tão metódica quanto aparento, afinal ninguém almeja morar numa casa que parece vitrine de loja de tão arrumadinha… E casa com crianças tem sempre uma coisa ou outra fora do lugar. Por isso, de vez em quando, a bagunça se instala furtivamente nos cantinhos mais improváveis, reclamando uma atitude mais enérgica de minha parte.
Guarda-roupa infantil e armário de brinquedos: gaveta com fantoches; roupas separadas por categoria, cabides da mesma cor e tamanho, roupas dobradas com a ajuda de um gibi como referência; jogos conservados em suas caixas originais; brinquedos separados por tipo. Ainda usei: gaveteiros e maletinhas plásticas para guardar mini brinquedos e baús transparentes para guardar bonecas
Eu não fotografei a rouparia, a lavanderia nem a cozinha, mas também fiz uma faxina pesada nesses três locais.
Com a casa em ordem, estou feliz que não perderei dias preciosos do meu recesso de fim de ano nessa tarefa ingrata. Fica a sugestão. Mesmo para quem trabalha fora, fazer faxina por algumas horas, durante vários dias, cansa menos que perder uma semana inteira de férias para colocar tudo no lugar. Pode demorar um pouco mais, mas convenhamos, esse é tipo de tarefa que não deve ser feito às pressas. E se de repente seu computador também estiver no conserto, seu tempo vai render bem mais do que você pode imaginar.


